sábado, 8 de fevereiro de 2014

Capítulo três

Acordei com uma leve dor de cabeça e com o “furacão Maggie” entrando pelo meu quarto batendo palmas e abrindo a cortina da janela. Okay, eu já acordava com um leve mal humor quando era acordada desse jeito, com dor de cabeça então... Levantei um pouquinho minha cabeça e olhei com os olhos semicerrados para ela, afundei minha cabeça no travesseiro e a cobri com o edredom.
 – Que isso moça?! Já são 12h15, nada de manha e trate de se levantar.
Continuei coberta até a cabeça resmungando baixinho.
– Está com dor de cabeça é? Parece até criança às vezes, espera um pouco que já volto - Maggie me conhecia bem. Senti ele levantar da cama e um tempo depois voltar a sentar-se ao meu lado e puxar o edredom. – Toma. Vai fazer bem, é chá de camomila e aqui tem um analgésico – sorri em retribuição.
   Ela ficou comigo até terminar meu chá. Coloquei a caneca em cima do criado mudo, a dor já havia passado, então me levantei, tomei um rápido banho e me troquei. Fui até a cozinha e encostei-me no batente da porta com os braços cruzados, observando a bagunça dos dois. Eu achava muito linda a relação deles, claro que tinham àquelas briguinhas de irmão, mas eram bastante próximos. Fiquei um bom tempo olhando-os que acabei nem percebendo que dei uma gargalhada alta com alguma coisa que Q tinha feito, então me olharam assustados e depois riram junto.
– A moça finalmente saiu do cafofo – Q falou e mostrei a língua pra ele.
 – Hey Q, onde você se meteu ontem naquela balada, tive até que ligar pra ti? – Perguntei a ele e já colocando um avental e lavando a louça pra ajudar Maggie.
– Ah... Eu... Eu estava... – ele começou a tamborilar os dedos na bancada meio nervoso e tentando achar alguma “desculpa”.
– Ele ficou é afastado no bar só te observando, Emma. Não tirou os olhos de você um segundo. – Maggie falou entre risinhos; e eu? Bem, corei.
Quentin fechou um pouco a cara e tacou um pano de prato em Maggie. É, ele não gostou muito do comentário dela e sumiu da cozinha direto pra sala.
– Meu Deus, coitado do seu irmão, você é má. Nem parece que você é mais velha – falei e ela riu.
– Que foi?! Eu só disse verdades – ela deu de ombros. – Agora me passa o molho que eu preciso terminar esse macarrão, ou ninguém almoça hoje.
   Não posso negar, mal comi pensando na possibilidade de Quentin gostar de mim. Não vou me fazer de santa porque eu já tinha conhecimento disso, mas foi há, não sei,  10 anos atrás?! Sim, ele, hmm, se “declarou” pra mim, em partes, mas se declarou. Não levei muito a sério na época, pra mim ele era/ é como um irmão... Ai senhor, só me faltava essa.
   Depois do nosso almoço tardio – ai, eu minha mania de falar “bonitinho” quando estou nervosa com algo -, eu e Q terminamos alguns projetos e Maggie fico perambulando pela casa.
– Ai, graças a Deus isso acabou, meu cérebro precisa de uma pausa de números, cálculos e tudo mais – falei jogando o lápis na em cima da mesinha de centro da sala.
– Digo o mesmo, capaz de meu cérebro derreter se eu ficasse mais cinco minutos fazendo isso. – Disse ele esticando as pernas no tapete e apoiando os cotovelos no sofá.
 – Falou o super nerd, que sabe de tudo, joga na cara mesmo que você é um gênio em matemática – falei fingindo deboche.
– Você cale a boca. Como você pode ser tão doida e falar coisas sem nexo assim. Você sabe que o que acabou de dizer foi sem nexo, né?
– Não negue Q, você ama minhas falas sem nexo, não negue – revirei os olhos e estiquei minhas pernas também.
– Eu amo? Nossa, não sabia que você mandava em meus sentimentos. Se valha garota, eu não te amo, eu te suporto – falou dando um soquinho em meu braço.
– Ah, então é assim, me suporta... Aham – assim que falei voei em cima dele e comecei a fazer cócegas  - uma tentativa bem falha, já que ele não sente cócegas.
Como dizem, o feitiço virou contra o feiticeiro, eu acabei indo pro chão e ele começou a fazer cócegas nos meu pés, sim, meus pés; eu não suporto isso. Comecei a rir freneticamente, me contorcendo no chão e suplicando pra ele parar, mas ele não parou... Minha gargalhadas só cessaram quando eu o vi caindo com certo impacto para trás. Meu semblante mudou rapidamente de “louca dando risada mais alto uma bateria de escola de samba” para “uma louca assustada e preocupada em ter matado o amigo”.
– Q, meu Deus, Quentin você está bem? – Me ajoelhei do seu lado e ajudei-o a se levantar e sentar-se no sofá. – Q, você está bem?
Ele pareceu um pouco zonzo, depois abriu um sorriso enorme e branquinho pra mim. Palhaço!
– Nossa, ficou toda assustadinha. Que menina bonitinha ajudando o amigo em seu momento mais difícil na vida – já disse que é um pouquinho palhaço?
– Seu cachorro, me assustou sabia?!
– Não tenho culpa se você tem um chute forte. – Deu de ombros.
– Então quer dizer que você não “quase morreu”? – Perguntei bobamente.
– Olha, morrer, morrer não, só senti uma dorzinha na barriga... Mentira, tá doendo ainda. Ai! – Colocou a mão sobre a barriga.
– Ninguém mandou me fazer cócegas, Da próxima vez de deixo agonizando no chão, em meio à sala de estar – falei me levantando para procurar Maggie, que “desapareceu” subitamente. Escutei um risinho baixo e caminhei até o meu quarto a procura da criatura Maggie.
   Olhei e nada dela, fui até o quarto de hóspedes e nada também, O.k, estou preocupada porque passei em frente a cozinha e ela também não estava.
– Q, você viu sua irmã? – perguntei a ele que tinha voltado ao trabalho.
– Ah sim, Maggie saiu, você não viu? – Ele me olhou come se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Assenti negativamente. – Acho que você estava concentrada demais e nem percebeu.
– É, pode ser. E ela disse pra onde iria?
– Encontrar o namorado, bem, namorado. Que interesse súbito no “desaparecimento” dela é esse?
– Que bonitinho você com ciúmes dela – falei apertando suas bochechas e ele se esquivou bufando. – Nossa, bufando desse jeito vai parecer touro de tourada. Vem touro, vem! – Como sou idiota às vezes, quase sempre. Acabamos gargalhando de vez. – E respondendo à sua pergunta, eu precisava falar com ela. E antes que pergunte todo curioso, assunto meu e dela.
 – Ui, que intimidadora – falou e revirei os olhos.
   Fui até meu quarto, calcei só uma sapatilha, fiz um coque meio bagunçado e fiquei com as roupas que estava mesmo. Peguei meu celular, olhei as horas – não estava tão tarde, era dez pras oito da noite – nossa, não tinha percebido nada realmente o que tinha se passado ao meu redor quando eu estava fazendo as contas e os desenhos. Realmente a hora passou voando diante dos meus olhos. Filosofei agora.
   Me despedi de Quentin e peguei as chaves do carro. Desci até a garagem, mandei uma mensagem para Maggie, perguntando onde ela estava e sem muita demora ela respondeu:
“Me encontro aos amaços com o Kam. Mentira, estou com ele, Phil, Ryan e Bruno num barzinho em Venice Beach. Venha pra cá também, te espero. Beijos.”
   Assim que li a mensagem, dei partida no carro e arranquei com ele. As ruas estavam um pouco cheias de carros, mas nada de congestionamento, uns vinte minutos depois cheguei a Venice Beach, não era longe, uns 15 quilômetros do centro de Los Angeles.
   Assim que cheguei, procurei algum lugar para estacionar, logo avistei uma vaga próximo à praia. Deixei o carro ali, liguei o alarme e sim, lembrei que na mensagem Maggie não tinha escrito quer barzinho eles estavam. Isso mesmo Emma, em meio a dezenas de bares você vai realmente saber em qual eles estão, burra! Disquei o número dela e depois do quarto toque ela me atendeu.
 – Oi lindeza da minha vida – disse ela assim que atendeu.
– Obrigada pelo elogio minha fã – falei e escutei uma risadinha irônica dela. – Olha, me ajudaria muito se você me dissesse o nome do estabelecimento em que a senhorita se encontra.
– Ui, que linguagem formal toda bonitinha. Estamos no Sunset.
– Legal, ele está bem na minha frente – falei e nós duas gargalhamos, acabei escutando alguém balbuciar do outro lado da linha. – Chego aí daqui há alguns passos. Beijos. – Desliguei o telefone, atravessei a rua e adentrei ao barzinho.
Olhei por cima e logo avistei eles – se isso significa algo eu não sei, mas meu olhar parou no Bruno. Deus, se isso é pecado, minhas sinceras desculpas, mas eu deixaria ele abusar de mim agora. Ele estava muito lindo. Nem sei de onde esses pensamentos saíam, balancei de leve a cabeça e segui até eles.
   Cumprimentei todos e me sentei entre Maggie e Phil, e de frente para Bruno. Fiz um sinal com a mão e o garçom veio até a mesa, pedi um suco de laranja, já que estava dirigindo, e um lanche de atum porque eu estava morrendo de fome. O Sunset era muito bom, já vim aqui algumas vezes com a Maggie. Ele tinha de tudo, desde sessão de drinks e sucos, até um bom cardápio com porções e lanches – essa era a parte que eu mais gostava, não me julguem. Meu pedido logo chegou e tentei me enturmar na conversa.
***
– O melhor jeito de zoar o Bruno é colocar alguma coisa que ele queira num lugar alto, por mais que tente não alcança. – Ryan falou e todos nós caíamos na gargalhada, menos o Bruno, claro.
– Eu posso ser pequeno no tamanho, mas aqui embaixo já são outros quinhentos meu amigão – foi a vez de Bruno retrucar e a gente rir mais ainda. – Em quem pode afirmar é o Kam, né meu amor – eu não sabia de onde saia mais riso de mim, a minha barriga já começava a doer de tanto rir.
 – Minha nossa, eu namoro um gay. – Maggie falou colocando a mão sobre o peito num gesto de espanto.
– Tá vendo na enrascada que você me mete Bruno, daqui a pouco eu saio daqui com fama de gilete e corto pros dois lados. – Não aguentei, minha risada dessa vez foi bem alta.
– Calma meu lindo, eu continuo te amando do mesmo jeito – Maggie disse. – Mas ele ME ama queridinha – Phil retrucou.
Eu já não aguentava mais rir, quase me afoguei com a água que eu bebia. As pessoas em nossa volta nos olhavam, mas eles nem ligavam. Quando a palhaçada cessou um pouco, cutuquei Maggie e pedi pra ela ir comigo até a área que eu não sabia o nome, mas era um tipo de “refúgio” para respirar um pouco.
– Hmm, desembucha – ela disse assim que chegamos, por sorte só tínhamos nós duas.
– Bem, na hora que eu estava terminando algumas coisas do trabalho, aminha cabeça não estava necessariamente no trabalho. Eu fiquei pensando em algumas coisinhas.


  



  •  Bem, mil desculpas pela demora gente, mas depois que meu curso/trabalho voltou das férias, a escola também. minha vida ficou corrida. E eu também tinha preguiça de postar e falta de criatividade jasghdgsadijas Mas é isso, espero que gostem do capítulo e amnhã tem outro sem falta.
  • Ah! Sem gif, pois é. Além de eu ser ruim pra achar gifs que se encaixem na história, eu não senti necessidade de colocar, mas desculpa.

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