Acordei com uma leve dor de
cabeça e com o “furacão Maggie” entrando pelo meu quarto batendo palmas e
abrindo a cortina da janela. Okay, eu já acordava com um leve mal humor quando
era acordada desse jeito, com dor de cabeça então... Levantei um pouquinho
minha cabeça e olhei com os olhos semicerrados para ela, afundei minha cabeça
no travesseiro e a cobri com o edredom.
– Que isso moça?! Já são 12h15, nada de manha
e trate de se levantar.
Continuei coberta até a
cabeça resmungando baixinho.
– Está com dor de cabeça é?
Parece até criança às vezes, espera um pouco que já volto - Maggie me conhecia
bem. Senti ele levantar da cama e um tempo depois voltar a sentar-se ao meu
lado e puxar o edredom. – Toma. Vai fazer bem, é chá de camomila e aqui tem um
analgésico – sorri em retribuição.
Ela ficou comigo até terminar meu chá.
Coloquei a caneca em cima do criado mudo, a dor já havia passado, então me
levantei, tomei um rápido banho e me troquei. Fui até a cozinha e encostei-me
no batente da porta com os braços cruzados, observando a bagunça dos dois. Eu
achava muito linda a relação deles, claro que tinham àquelas briguinhas de
irmão, mas eram bastante próximos. Fiquei um bom tempo olhando-os que acabei
nem percebendo que dei uma gargalhada alta com alguma coisa que Q tinha feito,
então me olharam assustados e depois riram junto.
– A moça finalmente saiu do
cafofo – Q falou e mostrei a língua pra ele.
– Hey Q, onde você se meteu ontem naquela
balada, tive até que ligar pra ti? – Perguntei a ele e já colocando um avental
e lavando a louça pra ajudar Maggie.
– Ah... Eu... Eu estava... –
ele começou a tamborilar os dedos na bancada meio nervoso e tentando achar
alguma “desculpa”.
– Ele ficou é afastado no bar
só te observando, Emma. Não tirou os olhos de você um segundo. – Maggie falou
entre risinhos; e eu? Bem, corei.
Quentin fechou um pouco a
cara e tacou um pano de prato em Maggie. É, ele não gostou muito do comentário
dela e sumiu da cozinha direto pra sala.
– Meu Deus, coitado do seu
irmão, você é má. Nem parece que você é mais velha – falei e ela riu.
– Que foi?! Eu só disse
verdades – ela deu de ombros. – Agora me passa o molho que eu preciso terminar
esse macarrão, ou ninguém almoça hoje.
Não posso negar, mal comi pensando na
possibilidade de Quentin gostar de mim. Não vou me fazer de santa porque eu já
tinha conhecimento disso, mas foi há, não sei,
10 anos atrás?! Sim, ele, hmm, se “declarou” pra mim, em partes, mas se declarou.
Não levei muito a sério na época, pra mim ele era/ é como um irmão... Ai
senhor, só me faltava essa.
Depois do nosso almoço tardio – ai, eu minha
mania de falar “bonitinho” quando estou nervosa com algo -, eu e Q terminamos
alguns projetos e Maggie fico perambulando pela casa.
– Ai, graças a Deus isso
acabou, meu cérebro precisa de uma pausa de números, cálculos e tudo mais –
falei jogando o lápis na em cima da mesinha de centro da sala.
– Digo o mesmo, capaz de meu
cérebro derreter se eu ficasse mais cinco minutos fazendo isso. – Disse ele
esticando as pernas no tapete e apoiando os cotovelos no sofá.
– Falou o super nerd, que sabe de tudo, joga
na cara mesmo que você é um gênio em matemática – falei fingindo deboche.
– Você cale a boca. Como você
pode ser tão doida e falar coisas sem nexo assim. Você sabe que o que acabou de
dizer foi sem nexo, né?
– Não negue Q, você ama
minhas falas sem nexo, não negue – revirei os olhos e estiquei minhas pernas
também.
– Eu amo? Nossa, não sabia
que você mandava em meus sentimentos. Se valha garota, eu não te amo, eu te
suporto – falou dando um soquinho em meu braço.
– Ah, então é assim, me
suporta... Aham – assim que falei voei em cima dele e comecei a fazer
cócegas - uma tentativa bem falha, já
que ele não sente cócegas.
Como dizem, o feitiço virou
contra o feiticeiro, eu acabei indo pro chão e ele começou a fazer cócegas nos
meu pés, sim, meus pés; eu não suporto isso. Comecei a rir freneticamente, me
contorcendo no chão e suplicando pra ele parar, mas ele não parou... Minha
gargalhadas só cessaram quando eu o vi caindo com certo impacto para trás. Meu
semblante mudou rapidamente de “louca dando risada mais alto uma bateria de
escola de samba” para “uma louca assustada e preocupada em ter matado o amigo”.
– Q, meu Deus, Quentin você
está bem? – Me ajoelhei do seu lado e ajudei-o a se levantar e sentar-se no
sofá. – Q, você está bem?
Ele pareceu um pouco zonzo,
depois abriu um sorriso enorme e branquinho pra mim. Palhaço!
– Nossa, ficou toda
assustadinha. Que menina bonitinha ajudando o amigo em seu momento mais difícil
na vida – já disse que é um pouquinho palhaço?
– Seu cachorro, me assustou
sabia?!
– Não tenho culpa se você tem
um chute forte. – Deu de ombros.
– Então quer dizer que você
não “quase morreu”? – Perguntei bobamente.
– Olha, morrer, morrer não,
só senti uma dorzinha na barriga... Mentira, tá doendo ainda. Ai! – Colocou a
mão sobre a barriga.
– Ninguém mandou me fazer
cócegas, Da próxima vez de deixo agonizando no chão, em meio à sala de estar –
falei me levantando para procurar Maggie, que “desapareceu” subitamente.
Escutei um risinho baixo e caminhei até o meu quarto a procura da criatura
Maggie.
Olhei e nada dela, fui até o quarto de
hóspedes e nada também, O.k, estou preocupada porque passei em frente a cozinha
e ela também não estava.
– Q, você viu sua irmã? –
perguntei a ele que tinha voltado ao trabalho.
– Ah sim, Maggie saiu, você
não viu? – Ele me olhou come se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Assenti
negativamente. – Acho que você estava concentrada demais e nem percebeu.
– É, pode ser. E ela disse
pra onde iria?
– Encontrar o namorado, bem,
namorado. Que interesse súbito no “desaparecimento” dela é esse?
– Que bonitinho você com
ciúmes dela – falei apertando suas bochechas e ele se esquivou bufando. –
Nossa, bufando desse jeito vai parecer touro de tourada. Vem touro, vem! – Como
sou idiota às vezes, quase sempre. Acabamos gargalhando de vez. – E respondendo
à sua pergunta, eu precisava falar com ela. E antes que pergunte todo curioso,
assunto meu e dela.
– Ui, que intimidadora – falou e revirei os
olhos.
Fui até meu quarto, calcei só uma sapatilha,
fiz um coque meio bagunçado e fiquei com as roupas que estava mesmo. Peguei meu
celular, olhei as horas – não estava tão tarde, era dez pras oito da noite – nossa, não tinha percebido nada realmente o
que tinha se passado ao meu redor quando eu estava fazendo as contas e os
desenhos. Realmente a hora passou voando diante dos meus olhos. Filosofei
agora.
Me despedi de Quentin e peguei as chaves do
carro. Desci até a garagem, mandei uma mensagem para Maggie, perguntando onde
ela estava e sem muita demora ela respondeu:
“Me encontro aos amaços com o Kam.
Mentira, estou com ele, Phil, Ryan e Bruno num barzinho em Venice Beach. Venha
pra cá também, te espero. Beijos.”
Assim que li a mensagem, dei partida no
carro e arranquei com ele. As ruas estavam um pouco cheias de carros, mas nada
de congestionamento, uns vinte minutos depois cheguei a Venice Beach, não era
longe, uns 15 quilômetros do centro de Los Angeles.
Assim que cheguei, procurei algum lugar para
estacionar, logo avistei uma vaga próximo à praia. Deixei o carro ali, liguei o
alarme e sim, lembrei que na mensagem Maggie não tinha escrito quer barzinho
eles estavam. Isso mesmo Emma, em meio a
dezenas de bares você vai realmente saber em qual eles estão, burra! Disquei
o número dela e depois do quarto toque ela me atendeu.
– Oi lindeza da minha vida – disse ela assim
que atendeu.
–
Obrigada pelo elogio minha fã – falei e escutei uma risadinha irônica dela. –
Olha, me ajudaria muito se você me dissesse o nome do estabelecimento em que a
senhorita se encontra.
–
Ui, que linguagem formal toda bonitinha. Estamos no Sunset.
–
Legal, ele está bem na minha frente – falei e nós duas gargalhamos, acabei
escutando alguém balbuciar do outro lado da linha. – Chego aí daqui há alguns
passos. Beijos. – Desliguei o telefone, atravessei a rua e adentrei ao
barzinho.
Olhei
por cima e logo avistei eles – se isso significa algo eu não sei, mas meu olhar
parou no Bruno. Deus, se isso é pecado, minhas sinceras desculpas, mas eu
deixaria ele abusar de mim agora. Ele estava muito lindo. Nem sei de onde esses
pensamentos saíam, balancei de leve a cabeça e segui até eles.
Cumprimentei todos e me sentei entre Maggie
e Phil, e de frente para Bruno. Fiz um sinal com a mão e o garçom veio até a
mesa, pedi um suco de laranja, já que estava dirigindo, e um lanche de atum
porque eu estava morrendo de fome. O Sunset era muito bom, já vim aqui algumas
vezes com a Maggie. Ele tinha de tudo, desde sessão de drinks e sucos, até um
bom cardápio com porções e lanches – essa era a parte que eu mais gostava, não
me julguem. Meu pedido logo chegou e tentei me enturmar na conversa.
***
–
O melhor jeito de zoar o Bruno é colocar alguma coisa que ele queira num lugar
alto, por mais que tente não alcança. – Ryan falou e todos nós caíamos na
gargalhada, menos o Bruno, claro.
–
Eu posso ser pequeno no tamanho, mas aqui embaixo já são outros quinhentos meu
amigão – foi a vez de Bruno retrucar e a gente rir mais ainda. – Em quem pode
afirmar é o Kam, né meu amor – eu não sabia de onde saia mais riso de mim, a
minha barriga já começava a doer de tanto rir.
– Minha nossa, eu namoro um gay. – Maggie falou
colocando a mão sobre o peito num gesto de espanto.
–
Tá vendo na enrascada que você me mete Bruno, daqui a pouco eu saio daqui com
fama de gilete e corto pros dois lados. – Não aguentei, minha risada dessa vez
foi bem alta.
–
Calma meu lindo, eu continuo te amando do mesmo jeito – Maggie disse. – Mas ele
ME ama queridinha – Phil retrucou.
Eu
já não aguentava mais rir, quase me afoguei com a água que eu bebia. As pessoas
em nossa volta nos olhavam, mas eles nem ligavam. Quando a palhaçada cessou um
pouco, cutuquei Maggie e pedi pra ela ir comigo até a área que eu não sabia o
nome, mas era um tipo de “refúgio” para respirar um pouco.
–
Hmm, desembucha – ela disse assim que chegamos, por sorte só tínhamos nós duas.
–
Bem, na hora que eu estava terminando algumas coisas do trabalho, aminha cabeça
não estava necessariamente no trabalho. Eu fiquei pensando em algumas
coisinhas.
- Bem, mil desculpas pela demora gente, mas depois que meu curso/trabalho voltou das férias, a escola também. minha vida ficou corrida. E eu também tinha preguiça de postar e falta de criatividade jasghdgsadijas Mas é isso, espero que gostem do capítulo e amnhã tem outro sem falta.
- Ah! Sem gif, pois é. Além de eu ser ruim pra achar gifs que se encaixem na história, eu não senti necessidade de colocar, mas desculpa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário