Sinceramente? Acordei leve.
Bruno foi embora depois do meu banho. Ganhei
outro beijo dele. Se eu me senti usada, como “uma rapidinha” naquela noite?
Não. Foi apenas sexo sem compromisso, quem nunca saiu, conheceu um cara ou uma
garota, rolou uma química ali e depois transaram que atire a primeira pedra.
Estou feliz pela noite passada e por saber que essa é a última semana de
trabalho, depois FÉRIAS! Eu preciso.
No almoço com Maggie, notei que estava
apreensiva. Contou-me que o aluguel do galpão de sua floricultura aumentou, e o
entregador se demitiu faz uma semana – e ela nem me contou -, deixando ela na
mão e sem entregas, sem clientes.
– Maggie, não precisa se
preocupar. Quentin ganha bem lá na companhia, e você também com sua
floricultura. Sem contar que moram só vocês dois e ainda sobra uma grana boa.
– E você que vive sozinha
então – ela diz e caímos no riso. – Claro, claro, porém eu mando uma quantia
pra ajudar no tratamento da minha mãe – digo e ela faz um positivo com a
cabeça.
– Pensa bem, o galpão onde
você trabalha não é tão equipado para a sua necessidade e ainda aumentou o
aluguel... Acho que você poderia alugar ou até mesmo comprar um melhor, e pagar
até mais barato – falo dando um gole em meu suco de goiaba.
– Emma, você é uma gênia! –
Segura meu rosto e me dá um beijo na bochecha,
– É? Eu sou? – Falo de um
jeito sonso e ela me dá um tapinha no braço, rindo.
Por fim de nossa discussão, ela decidiu
comprar um galpão, o que eu seria melhor já que seria dela. Nada de preocupação
com aluguel e danos, essas “baboseiras”. Antes que eu me esqueça, ela deu a
ideia de eu vender meu apartamento, seria uma conta a menos para pagar, ou
seja, o condomínio. A ideia de morar com ela e Quentin me deixa feliz e
desconfortável ao mesmo tempo. Feliz por morar com eles, e com o dinheiro que
sobrasse ajudaria de qualquer forma no condomínio deles e aumentaria a quantia
para mandar para minha mãe. Mas desconfortável pela falta de privacidade, não
posso negar. Quando chegamos aqui eu que tomei a decisão de ter um apartamento
só meu, e agora me desfazer assim... Não sei.
Enfim, isso é assunto que se pode adiar.
Já mencionei que é a minha última semana de
trabalho? A felicidade anda batendo em minha porta por isso. Não que eu odeie
trabalhar, mas uma folga é sempre bem vinda. Minha magnífica folga de um mês.
Logo mais cedo recebi uma mensagem do Bruno, dizendo que estava embarcando para
Nova York para divulgação do seu novo álbum. Eu achei legal ele ter me avisado,
mas por quê? Talvez eu sou tão boa na cama que ele se apaixonou, mas é uma
hipótese bem idiota. Porém pode ser o começo de uma amizade... Isso soa
engraçado se pensar pelo lado “transamos, agora viramos best friends forever”.
Que seja.
***
– Maggie agora só vive atrás
da sua cara metade – bufo e Q ri baixinho.
– Não pode culpá-la.
Finalmente ela encontrou alguém que ela goste e faz bem a ela – ele diz sereno.
– Com a diferença de que ele
faz parte da banda de um cantor famoso – viro-me no sofá e o encaro.
No momento eu estava abusando
da boa vontade de Q deitada com a cabeça em seu colo. O cafuné dele é
maravilhoso.
– Posso te fazer uma
pergunta?
– Mas acabou de fazer – Q
debocha da minha cara e reviro meus olhos. – Claro que pode – fala entre
risinhos.
– Aquela história toda de
você ser apaixonado por mim era realmente verdade?
– Sim. Mas porque da pergunta?
– Bem, depois que eu “te dei
um pé na bunda”, - gesticulo as aspas – pensei que nunca mais olharia na
minha
cara.
Ele me olha do jeito mais
doce possível, esse é um ponto do qual gosto nele, sabe? Não tem melhor amigo
melhor que ele. No meu ponto de vista, claro.
– Vejamos – ele para um
minuto. – Emma, eu te amei platonicamente durante o colégio até àquele dia, mas
no começo era um amor muito grande que não conseguia te contar. O tempo foi
passando, você conheceu pessoas, eu conheci pessoas... Até que me conformei. –
Pensei em dizer algo, mas seria algo muito idiota para se dizer, então o deixei
continuar. – Foi como se o amor, tipo, se apagasse gradativamente. No dia do “meu
surto de ciúmes” eu agi sem pensar e ao mesmo tempo pensando, pois o que eu
teria de perder naquele momento? Uma resposta eu já tinha, o Não.
– Q...
– Calma, calma. Deixe-me
terminar. – Me sentei com as pernas em cima do sofá, próximas de mim e ainda
prestando atenção nele. – Ficamos um tempinho se nos falar, sem nenhum contato,
nesse meio tempo Maggie conversou comigo até que Abigail chegou ao escritório –
nesse momento meus olhos brilharam e eu sorri feito boboca.
– Eu poderia chorar agora
pelo que me disse, porque foi a coisa mais cute cute do mundo – segurei em sua
bochecha do mesmo jeito que uma tia chata faz com o sobrinho. – Mas no momento
eu estou muito feliz por você ter largado do meu pé e se apaixonado pela Abbie,
u-hu.
Terminei de falar e ri
algumas vezes, principalmente pela cara de vergonha dele, a qual é engraçada.
– Legal, agora me conta?
– Contar o quê?
– Como a Abbie é, como vocês
são, essas coisas básicas para eu saber se ela é um bom partido pra você – digo
convicta e ele gargalha.
– Isso é papel da minha irmã –
retruca ele.
Elevei minha mão ao peito
como se estivesse chocada.
– Quer dizer que não me
considera sua irmã?
– Acho que não é normal ter
uma queda pela irmã.
– Sério que você ainda tem
uma queda por mim?
– Emma, o primeiro amor a
gente nunca esquece.
– Eu já disse que você é uma
das pessoas mais fofas desse mundo... Mas agora você tem uma namorada, não
oficialmente, e tem que parar de olhar para minha bunda – digo e ele começa a
rir.
– Claro, claro. Não se
preocupe, eu te amo como uma grande irmã agora.
Eu literalmente me joguei em cima dele, para
dar um abraço de urso que acabou no chão e uma mistura de gritos e gargalhadas.
Fofuras a parte, fiquei feliz em ter esclarecido nossa situação, um esclarecimento
rápido, mas o que importa é que nos esclarecemos. A palavra esclarecer é engraçada e legal de se dizer, no meu ponto de
vista, claro.