segunda-feira, 9 de junho de 2014

Capítulo onze

Sinceramente? Acordei leve.

   Bruno foi embora depois do meu banho. Ganhei outro beijo dele. Se eu me senti usada, como “uma rapidinha” naquela noite? Não. Foi apenas sexo sem compromisso, quem nunca saiu, conheceu um cara ou uma garota, rolou uma química ali e depois transaram que atire a primeira pedra. Estou feliz pela noite passada e por saber que essa é a última semana de trabalho, depois FÉRIAS! Eu preciso.

   No almoço com Maggie, notei que estava apreensiva. Contou-me que o aluguel do galpão de sua floricultura aumentou, e o entregador se demitiu faz uma semana – e ela nem me contou -, deixando ela na mão e sem entregas, sem clientes.

– Maggie, não precisa se preocupar. Quentin ganha bem lá na companhia, e você também com sua floricultura. Sem contar que moram só vocês dois e ainda sobra uma grana boa.

– E você que vive sozinha então – ela diz e caímos no riso. – Claro, claro, porém eu mando uma quantia pra ajudar no tratamento da minha mãe – digo e ela faz um positivo com a cabeça.

– Pensa bem, o galpão onde você trabalha não é tão equipado para a sua necessidade e ainda aumentou o aluguel... Acho que você poderia alugar ou até mesmo comprar um melhor, e pagar até mais barato – falo dando um gole em meu suco de goiaba.

– Emma, você é uma gênia! – Segura meu rosto e me dá um beijo na bochecha,

– É? Eu sou? – Falo de um jeito sonso e ela me dá um tapinha no braço, rindo.

   Por fim de nossa discussão, ela decidiu comprar um galpão, o que eu seria melhor já que seria dela. Nada de preocupação com aluguel e danos, essas “baboseiras”. Antes que eu me esqueça, ela deu a ideia de eu vender meu apartamento, seria uma conta a menos para pagar, ou seja, o condomínio. A ideia de morar com ela e Quentin me deixa feliz e desconfortável ao mesmo tempo. Feliz por morar com eles, e com o dinheiro que sobrasse ajudaria de qualquer forma no condomínio deles e aumentaria a quantia para mandar para minha mãe. Mas desconfortável pela falta de privacidade, não posso negar. Quando chegamos aqui eu que tomei a decisão de ter um apartamento só meu, e agora me desfazer assim... Não sei.

   Enfim, isso é assunto que se pode adiar.

   Já mencionei que é a minha última semana de trabalho? A felicidade anda batendo em minha porta por isso. Não que eu odeie trabalhar, mas uma folga é sempre bem vinda. Minha magnífica folga de um mês. Logo mais cedo recebi uma mensagem do Bruno, dizendo que estava embarcando para Nova York para divulgação do seu novo álbum. Eu achei legal ele ter me avisado, mas por quê? Talvez eu sou tão boa na cama que ele se apaixonou, mas é uma hipótese bem idiota. Porém pode ser o começo de uma amizade... Isso soa engraçado se pensar pelo lado “transamos, agora viramos best friends forever”. Que seja.

***

– Maggie agora só vive atrás da sua cara metade – bufo e Q ri baixinho.

– Não pode culpá-la. Finalmente ela encontrou alguém que ela goste e faz bem a ela – ele diz sereno.

– Com a diferença de que ele faz parte da banda de um cantor famoso – viro-me no sofá e o encaro.

No momento eu estava abusando da boa vontade de Q deitada com a cabeça em seu colo. O cafuné dele é maravilhoso.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Mas acabou de fazer – Q debocha da minha cara e reviro meus olhos. – Claro que pode – fala entre risinhos.

– Aquela história toda de você ser apaixonado por mim era realmente verdade?

– Sim. Mas porque da pergunta?

– Bem, depois que eu “te dei um pé na bunda”, - gesticulo as aspas – pensei que nunca mais olharia na 
minha cara.

Ele me olha do jeito mais doce possível, esse é um ponto do qual gosto nele, sabe? Não tem melhor amigo melhor que ele. No meu ponto de vista, claro.

– Vejamos – ele para um minuto. – Emma, eu te amei platonicamente durante o colégio até àquele dia, mas no começo era um amor muito grande que não conseguia te contar. O tempo foi passando, você conheceu pessoas, eu conheci pessoas... Até que me conformei. – Pensei em dizer algo, mas seria algo muito idiota para se dizer, então o deixei continuar. – Foi como se o amor, tipo, se apagasse gradativamente. No dia do “meu surto de ciúmes” eu agi sem pensar e ao mesmo tempo pensando, pois o que eu teria de perder naquele momento? Uma resposta eu já tinha, o Não.

– Q...

– Calma, calma. Deixe-me terminar. – Me sentei com as pernas em cima do sofá, próximas de mim e ainda prestando atenção nele. – Ficamos um tempinho se nos falar, sem nenhum contato, nesse meio tempo Maggie conversou comigo até que Abigail chegou ao escritório – nesse momento meus olhos brilharam e eu sorri feito boboca.

– Eu poderia chorar agora pelo que me disse, porque foi a coisa mais cute cute do mundo – segurei em sua bochecha do mesmo jeito que uma tia chata faz com o sobrinho. – Mas no momento eu estou muito feliz por você ter largado do meu pé e se apaixonado pela Abbie, u-hu.

Terminei de falar e ri algumas vezes, principalmente pela cara de vergonha dele, a qual é engraçada.

– Legal, agora me conta?

– Contar o quê?

– Como a Abbie é, como vocês são, essas coisas básicas para eu saber se ela é um bom partido pra você – digo convicta e ele gargalha.

– Isso é papel da minha irmã – retruca ele.

Elevei minha mão ao peito como se estivesse chocada.

– Quer dizer que não me considera sua irmã?

– Acho que não é normal ter uma queda pela irmã.

– Sério que você ainda tem uma queda por mim?

– Emma, o primeiro amor a gente nunca esquece.

– Eu já disse que você é uma das pessoas mais fofas desse mundo... Mas agora você tem uma namorada, não oficialmente, e tem que parar de olhar para minha bunda – digo e ele começa a rir.

– Claro, claro. Não se preocupe, eu te amo como uma grande irmã agora.

   Eu literalmente me joguei em cima dele, para dar um abraço de urso que acabou no chão e uma mistura de gritos e gargalhadas. Fofuras a parte, fiquei feliz em ter esclarecido nossa situação, um esclarecimento rápido, mas o que importa é que nos esclarecemos. A palavra esclarecer é engraçada e legal de se dizer, no meu ponto de vista, claro.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo dez

   Acho que fiquei em transe até entrar em meu quarto e pensar “Olha o que eu fiz!”. Tratar um beijo como o maior pecado do mundo não é a melhor ideia, mas eu estou tratando dessa forma. Ah não, não sou de me apaixonar a primeira vista e todo esse melodrama, somente essa coisa toda de “astro” “famoso” e seja lá o que for me assusta, de certa forma. Parando para pensar, como eu o conheci mesmo? A vida é uma loucura mesmo, quanto menos você espera algo, o algo acontece.

   Ficar jogada na cama olhando para o teto é tão reflexivo que somente agora percebi a campainha tocar, talvez pela milésima vez. Levanto-me e descalça vou atender a porta, esperava qualquer outra pessoa, até a senhora Johnson – minha vizinha da frente e bem barulhenta -, menos ele. Nossa, até parece que ele não poderia vir aqui, inteligência rara a minha.

- Oi. Posso entrar? – Pergunta ele.

Dou passagem a ele como um sinal de “sim”.

– O que devo dessa ilustre visita... Já que nos vimos há uns 15 minutos – digo ironicamente.

– Como posso dizer... – resmunga. – Creio que precisamos esclarecer algumas coisas. O olho com cara de dúvida, então na dúvida...

– Não entendi, mas adorei – falo seguido de um riso estridente. – Okay, parei com as piadinhas infames, prossiga.

Bruno soltou uma risada bem mequetrefe e veio se aproximando de mim, assim mesmo, na cara dura. Eu já imaginava o que ele tinha em mente, assim deixei estar. Segurou-me pela cintura e me encorou nos olhos.

– Eu imaginava algo mais surpreendente, do tipo “Enquanto eles conversavam o caro rapaz a interrompe com um beijo desentupidor de pia”. – Consegui acabar com o restinho do clima que tinha ali, é, eu sou complicada. Ele me olhou e começou a rir, se desvencilhando de mim.

– Pelo menos tentei, não é?! – Diz rindo novamente.

– Sim.

Ficamos nos encarando por um tempinho.

– Eu deveria te beijar.

– É, deveria – falo e Bruno prontamente me segura pela cintura novamente. É incrível como eu fico mais, digamos, “fogosa” perto dele. Eu hein!

   Em questão de segundos nossos lábios se juntaram. Sua língua tocou minha boca como pedido de passagem – “pedido de passagem” parece até que estou falando de passagem para metrô, ônibus...Nossa, melhor parar com esses trocadilhos imbecis. Sua mão repousou em minha nuca, por baixo dos cabelos e segurando um pouco deles, enquanto a outra pressionava minha cintura.

– Hey, acho melhor você e o carinha aí embaixo se acalmarem.

– Vai. Acabar. Com. O. Clima. Justo. Agora? – Diz entre beijos alternados pelo meu pescoço e boca.

– Você joga bem sujo, sabia?!

Me olhou e deu um sorriso safado. Saímos da sala e de encontro ao meu quarto, entramos separadamente e ele logo tirou sua camisa jogando-a em qualquer canto.

– Rápido você. – Falei tirando minha blusa assim como ele.

– Você também não é lenta – foi aproximando-se de mim e me deu um beijo, assim “caímos” na cama.

Bruno ficou por cima de mim, seus lábios percorriam minha nuca causando-me arrepios espontâneos. Virei me deixando ele por baixo e “sentando” em seu colo. Com jeitinho fui tirando minha calça e toquei-a pelo chão do quarto.

– Essa é a sua melhor lingerie? – Bruno pergunta me olhando. Realmente meu sutiã rosa bebê não ornava com a minha calcinha cinza.

– Não tenho culpa se saio com a intenção de jantar e não de transar... Ah, sério que você liga para isso no momento?

– Só tentei descontrair.

– Ah claro, na hora “H” é o melhor lugar para descontrair mesmo – digo debochadamente. Ele me vira ficando por cima novamente.

– Então paramos com a palhaçada agora. - E foi assim que eu recebi um beijo sem perceber que meus seios já se encontravam a mostra.

   Sua língua percorreu um caminho até meus seios, e o abocanhou. Enquanto dava leves mordidinhas em meu seio direito, fazia massagem com a mão em meu seio esquerdo. Meus mamilos já estavam rígidos mostrando minha excitação. Ele se levantou um pouco e com certo custo tirou sua calça, mostrando sua cueca boxer preta com extremo volume. Instintivamente mordi meu lábio inferior.

   Seu peitoral não daqueles definidos extremamente, é normal e eu gosto assim. Nunca gostei de cara bombado. Aproveitei para pegar uma camisinha em meu criado mudo e lhe entreguei. Talvez ele tenha ficado com vergonha, virou-se de costas, tirou sua cueca e colocou a camisinha em seu membro. Ainda “no comando” tirou minha calcinha e se encaixou entre minhas pernas, eu pedia encarecidamente – em meus pensamentos, claro - para tê-lo dentro de mim , até que foi.

   Eu já estava lubrificada naturalmente, então foi rápido e prazeroso. Abri minha boca em um gemido oculto, seu dedo indicador parou em minha boca como se pedisse para ficar quieta. Suas estocadas foram ficando rápidas conforme o tempo.

   Aquela posição estava um pouco desconfortante para mim, assim elevei meu tronco para frente e fazendo-o se virar e deitar-se na cama. Posicionei minhas pernas pela lateral de seu corpo e com a ajuda de minha mão penetrei seu membro em mim. Eu podia ver suas mãos agarrando os lençóis e seus olhos fechados. Dei uma fisgada em meus lábios enquanto rebolava em seu colo. Eu sentia o meu corpo dar leves estremecidas avisando que meu ápice estava próximo, e com mais algumas rebolas meu corpo se estremeceu por completo, aquela sensação de alívio e prazer havia tomado conta de mim por completa. Não demorou muito e observei a feição e as mão de Bruno relaxarem, aquela sensação havia chego para ele também.

   Tombei para meu lado na cama e comecei a fitar o teto, um leve sorriso formara sobre meus lábios. Dei uma breve olhada para o lado e ele também encara o teto, assim se pronunciou:

– Você mandou bem – sua voz soava ligeiramente ofegante.

– Não costumo decepcionar – digo convencida e escuto seu riso.

Vi ele virando seu rosto para mim, assim fiz também.

– Acho que preciso de um banho.

– Eu também. Não tenho roupas masculinas em casa.

– Tudo bem, eu repito a mesma que eu estava que no caso está em algum lugar do chão.

– Tudo bem – digo dando de ombros. – Talvez há essa hora sejamos as únicas pessoas de Los Angeles a conversar nus, e sem nada para cobrir nossas vergonhas, depois de uma transa.

– Há a hipótese de que em algum motel da Califórnia haja um casal nesta mesma situação.

– Realmente... Pode ir primeiro para o banho, eu espero. E... Joga isso bem direitinho no lixo – aponto para a camisinha com certo nojo. Ele olha e começa rir da minha cara.

   Me enrolei no lençol e o observei caminhar até o banheiro, com uma manta enrolada em sua cintura. De uma coisa eu tenho certeza, nunca senti algo tão bom quanto com ele no quesito “cama”.