Maggie me arrastou pro
shopping, queria comprar uma roupa decente
de balada pra mim, mas geralmente as roupas não são tão “decentes” assim. Acho
que ficamos umas três horas no shopping, e ela comprou coisa que nem precisava,
mas tudo bem. Comemos alguma coisa – já que sou uma pessoas que ama comer-,
pagamos o estacionamento e fomos embora.
Ficamos enrolando a tarde toda, mas
enrolando com essa ‘balada tunts tunts”, fizemos nossas unhas e Q ficou vendo
filmes, ela já devia estar entediado. Assim que minhas unhas secaram, tomei meu
banho e fui me trocar. Maggie mal me deixou sair do banho e já foi me dizendo o
que vestir e o que não vestir e blá blá.
– Ai que linda! Me sinto até
a maquiadora e figurinista das estrelas de Hollywood. – Disse juntando as
palmas das mãos e me dando passagem para olhar no espelho. Realmente ficou
linda.
– Olha só, senhorita Benners
arrasando na maquiagem e roupa.
– Oh querida, Jesus me fez
perfeita. – Pois bem, eu ri com isso e acho que já ouvi antes.
***
Chegamos na tal balada e Deus, se a fachada
é bonita, imagina lá dentro?! Talvez esteja exagerando, mas é bonita sim. Fomos
até a porta, uma moça com um rosto bem simpático olhou na lista e colocou uma
pulseirinha de papel verde fluorescente em cada um de nós. Quando adentramos ao
recinto – me desculpem, tenho mania de falar “estranhamente” quando fico
nervosa/ansiosa – eu fiquei de boca aberta, sei lá, acho que é por eu nunca ter
sido vip, ou pela balada ser realmente badalada... ou por um ser eu mesmo.
Maggie percorreu seus olhos por todo o
local, Quentin estava do meu lado e dava risinhos baixos – acho que pela minha
cara de retardada. Não sei quem, mas ela avistou alguém, acenou e nos puxou
para perto de uma escada, haviam dois seguranças
(pra mim pareciam mais duas lombrigas com terno e gravata no famoso
pretinho básico, eles eram magrelos) e mostramos nossas pulseiras a eles.
Subimos. É, estava pela primeira vez numa área vip.
– Minha nossa Maggie, isso
daqui não é uma balada, é um ninho de tentações! – falei e ela riu e se virou
de frente para mim. – Emma, aproveita, tá legal? A gente vai ficar no meio
deles, você vai conhecer o Kam e tem outros meninos da banda que são solteiros.
Só não engravida por favor. – Ela era doida, mas sempre dava conselhos bons.
– Antes de entrarmos no meio
deles, tenho uma pergunta. E o senhor grande Bruno Mars? – perguntei a
encarando. Ela mudou rapidamente de expressão, me olhou meio preocupada e
continuou.
– Hmm, só não... só não se
mete com ele tá?! Eu sei que ele vai ser charmoso e tudo mais, só não caia em tentação. – eu apenas assenti.
Era um lugar até que, bem dividido. Uma área
separada em três “salas”, passei meus olhos por elas, que estavam bem lotadas e
seguimos Maggie até uma delas, a última pra ser mais específica. Quando cheguei
mais perto pude reconhecer quem acenou pra ela, um homem bem alto e sorridente.
Ela caminhou até ele, lhe deu um selinho e nos apresentou formalmente como seu
namorado.
Fomos apresentados a todos, Maggie foi com
Kam para a pista de dança e eu fiquei abobalhada, olhando e falando com eles
por alguns minutos, e depois me afastei um pouco, sentando em uma das poltronas
perto de uma mesinha com baldes de gelo e bebidas. Comecei a olhar toda aquela
gente, bebendo, enlouquecendo, dançando, se divertindo... Acabei entrando em
uma pequeno transe.
– Esse lugar está bem animado
pra ficar quieta em um canto, mexendo no celular – levei um susto que meu
celular quase viu a morte.
Olhei pro meu lado e o senhor
“não caia em tentação” estava sentado, segurando um copo com whisky e me
olhando sorridente, até.
– Ai meu Deus, você é o Bruno
Mars? Você é de Marte mesmo? Ai caramba eu falo coisas sem nexo às vezes – eu
realmente estava nervosa. Um ser humano famoso falando com uma reles mortal
como eu. Ele apenas riu de mim e senti minhas bochechas corarem.
– Ah, tudo bem. Gosto de
pessoas meio malucas, e não, não sou de Marte. – Eu sorri e maluca é a tia
dele, mas tudo bem.
Silêncio.
– Então, você vem sempre aqui? – Emma, só não te bato porque sou seu
subconsciente. Pergunta maravilhosamente idiota, mas vamos seguir em
frente.
Ele deu um sorriso e falou:
– Bem, eu não sou de repetir
as casas noturnas.
– Interessante – falei
indiferente.
Ele se ajeitou na poltrona ao
meu lado e ficou alguns centímetros mais próximo de mim. Não sei explicar, mas
um arrepio correu por minha espinha, me fazendo tremer imperceptivelmente.
Eu podia jurar que ele estava fazendo isso
de propósito, escutei um risinho baixo, mas tentei não prestar atenção. Ele foi
chegando mais perto, e eu fui me afastando para trás, mas em vão. Anotação um
para meu cérebro: poltronas não são boas se você precisa recuar pra trás.
Caraca, eu estava nervosa? Não sei como ele
conseguia se esticar tanto até mim, mas já sentia sua respiração próxima, seus
olhos eram... hipnotizantes. Num
movimento involuntário – fiquei feliz por meu corpo ter feito isso -, me
coloquei em pé, olhei pra ele que me olhava um pouco surpreso. Ai caramba, meu
corpo não me obedecia, só sei que sorri novamente e ele retribui se colando de
pé à minha frente, bem na minha frente.
– Você sempre é assim... imprevisível?
– Deus, me ajude, o que está havendo comigo? Seu hálito de whisky me fez fechar
os olhos.
Eu não tive reação, apenas
mexi a cabeça estranhamente. Senti sua mão direita me envolver pela cintura,
enquanto sua mão esquerda segurava meu rosto delicadamente. Nossos lábios se
tocaram. E que lábio,
Envolvi seu pescoço com meu braços e arqueei de leve
minhas costas para trás, seu beijo era leve e ao mesmo tempo saboroso. Nossas
línguas entraram em perfeita sincronia e assim foi até eu sentir sua mão caindo
suavemente pelas costas, depois pelo meu quadril, minha coxa... Parei.
Abri meus olhos, foi como um alarme tivesse
apitado dentro de mim. O empurrei com certa força pra trás, fazendo-o cambalear
um pouco. Nos olhamos, não sei como foi nosso olhar, mas nos encaramos um
rapidamente e me virei seguindo para fora do camarote. Quando já estava perto
da saída senti alguém segurar meu pulso e me virar. Encarei Bruno, o qual me
deu um sorriso, hmm, malicioso.
– Não precisa ficar bravinha, se quiser podemos
ir pra minha casa e terminar o que mal começamos - o olhei incrédula. Eu sabia
que poderia ouvir isso, mas...
– Não. Muito obrigada - me desvencilhei dele. – Se pensa que sou
qualquer uma que você está acostumado a levar para cama, saiba que não sou.
Beijar tudo bem, num lugar desses todo mundo beija, mas sair com o primeiro e
transar com ele comigo não rola – me virei novamente e desci as escadas até a
pista de dança.
Procurei Maggie, disse a ela que queria embora.
Nos despedimos de todos, peguei meu celular e disquei o número de Q para nos
buscar.


