segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Capítulo quatro

– E essas coisinhas teriam à ver com Quentin e o senhor Bruno Mars? – Ela perguntou se escorando no parapeito, que no caso proporcionava uma vista muito linda da orla da praia. Escorei-me ao seu lado.

– Você me conhece bem mesmo – pensei alto. – Sim, tem à ver com eles – dei um suspiro. – Sabe quando alguma coisa fica martelando na sua cabeça? Depois do que você disse sobre o Q gostar de mim... Então, eu fiquei pensando nisso, no começo eu levei na brincadeira, mas depois eu pensei melhor, em todas as indiretas dele, no que você dizia... Ai, eu tô completamente confusa com isso.

– E onde o outro galã entra? – Perguntou se referindo ao Bruno.

– Bem, ele entra na noite de ontem. Como sabe eu.. ele... a gente se beijou...

– Vocês o quê? – Ela perguntou me interrompendo e quase gritando e eu acabei rindo.

– Nossa calma, não precisa morrer por isso, foi só um beijo. Tá, ele tentou quase tirar minha roupa e transar no meio de todo mundo, mas tudo bem.

– Olha, eu agradeço muito à sua mãe por ter colocado juízo na sua cabeça, porque se fosse uma qualquer já tinha arreganhado as pernas pra ele – acabei rindo do seu comentário. – Mas sabe o que é, eu convivi dois meses com ele, não diretamente, mas convivi por namorar o Kam. Olha, ele é engraçado, muito fofo e legal quando quer, mas chega a noite o lobo dá as caras e vai a caça do cordeiro, se é que me entende. – Sua expressão era meio séria agora.

– Então no popular, ele é não é homem de uma mulher só? – Perguntei e ela assentiu. -  Quem pena, só por que eu tinha sentido algo com aquele beijo – falei um pouco desapontada, mas tentando agir naturalmente, acho que sempre fui assim, até na separação dos meus pais.

Pode parecer estranho, mas eu prefiro agir assim, acho que sempre foi um refúgio para eu não sair decepcionada de certas situações. E eu não vou mentir não, eu realmente fiquei um pouco mexida com aquele beijo. Não foi um beijo qualquer, confesso que foi diferente e muito bom, tinha um “tempero” que eu não sei explicar.

– Sério que você sentiu alguma coisa mesmo? – Maggie perguntou incrédula.

– Mas não é nada do tipo “Nossa ele é o homem da minha vida, quero me casar com ele, ter filhos, morar num país feito de doces e viver felizes para sempre”, foi só um gostinho diferente de beijo e, quando digo que mexeu comigo seria no caso “ Nossa, ele beija bem, se quiser topo uma transa, porém não depressa desse jeito” – Assim que terminei de falar caímos na gargalhada.

– Nossa, que pessoa dada você.

– Nem vem, eu satisfaço meu prazer moderadamente, não dou pro primeiro que vejo, seleciono primeiro e já faz muito tempo que eu sou “pura” tá – estiquei a língua pra ela.

   Depois da nossa conversa, voltamos para a mesa e nos divertimos mais um pouco. Olhei para o visor do celular que marcava 23:13. Isso deve ser psicológico, assim que vi as horas bocejei e senti meus olhos pesarem um pouco. Avisei que iria embora e me despedi de todos, Maggie pediu pra esperar um pouco, já que iria comigo. Peguei a comanda da mesa pra poder dividir os gastos, mas Bruno – então – disse que não precisava, falei que pagaria pelo menos o que eu consumi, mas ele insistiu em pagar, o que me restou a fazer foi agradecer.

   Maggie deu um selinhos em Kam e me seguiu até o carro.



– Vocês dois são muito fofos juntos – falei assim que entramos no carro.

– Muito obrigada fã, eu sei que você shippa Kamaggie. – Falou toda com graça.

– Nossa, que shipp mais ruim – liguei o carro e partimos, e ela me ofereceu o dedo do meio.

Ficamos em silêncio um tempo apenas curtindo A-Ha (pois é, gostamos dessas coisas  antigas), assim que parei num semáforo ela cortou nosso silêncio:

– A gente não falou do Q ainda – ela me virou e eu alternei meu olhar entre ela e o semáforo que abriu.
Pensei um instante no que ela estava falando e me situei na conversa.

– Não é nada demais, eu só fiquei pensando nessa coisa dele gostar de mim. Maggie, você é irmã dele e vocês são meus melhores amigos, ai minha nossa eu me embolei no raciocínio agora – rimos da minha atrapalhada. 

– O que quero dizer é que eu tenho medo de Quentin criar falsas expectativas, entende? Eu o amo, eu amo vocês dois, mas como meus irmãos que eu nunca tive. – Era bom desabafar com alguém de confiança.

– Eu entendo. Mas sabe que ele é teimoso e não desiste facilmente, não é? Se ele continua alimentando esse por anos, vai ser difícil acabar de vez, rapidamente - falou de um jeito fraterno. – Se quiser eu converso com ele.

– Não precisa... Eu acho que ele precisa mesmo é de alguém que corresponda esse amor dele pra ele.

– Realmente, mas agora você deveria virar a sua direita se quiser voltar pro apartamento. – Maggie falou e meio destrambelhada dei a seta e virei.

Abri a porta do meu apartamento e estava escuro, apenas com a luz da TV iluminando a sala. Q dormia profundamente no sofá.

– Coitado, ficou esperando a gente e acabou dormindo – Maggie disse num sussurro.

– Vou pegar um cobertor pra ele, e a senhorita conhece muito bem o quarto de hospedes, se ajeite por lá – sorri e lhe desejei boa noite.

   Fui até meu quarto, peguei uma coberta pra ele. Ajeitei sobre ele e lhe dei um beijo na testa e um “boa 
noite” baixo.

(a imagem não é das melhores, mas estamos aí)

***

Bruno Pov’s

   Não posso mentir, senti uma certa atração por ela. Nada como amor e esses blá blá blá, mas ela é bonita, beija bem e deve ser boa de cama: infelizmente não me deixou concluir essa dúvida. Sua risada é gostosa de ouvir, quase não falou hoje no bar, mas parecia descontraída, eu fiquei fitando-a, tentando descobrir alguma coisa. Quando pegou a comanda pedi para que deixasse pra lá, eu pagava, ficou um pouco sem jeito, mas cedeu. Que foi? Preciso fazer uma média se quero “conhece-la” melhor.

   Saímos de lá um pouco depois delas. Era bom descontrair um pouco, já que estamos trabalhando no novo álbum. Trabalho duro.
***
Emma Pov’s

   Mais uma semana de trabalho, que maravilha. Mas preciso do dinheiro pra me sustentar, então vamos lá. Calcei meus chinelos, tomei um banho rápido e me arrumei. Coloquei uma calça no estilo flare e uma blusa de cetim azul. Calcei um scarpin preto, fiz um rabo de cavalo e uma maquiagem bem leve.

   Olhei o quarto de hóspedes e Maggie não estava lá, fui até a sala, nem ela nem Q estavam lá. Olhei para a porta e a chava estava no trinco, eles deveriam ter ido se arrumar no apartamento deles. Tomei meu café, peguei minha bolsa e saí. Entrei no elevador e dei de cara com os dois.

– Nossa, toda arrumada assim pra quê? Você só fica dentro de uma sala desenhando – Maggie falou fingindo deboche e educadamente lhe coloquei o dedo do meio, o qual ela retribuiu.

– Minha filha, eu sou maravilhosa, por isso me arrumo de acordo com isso – falei brincando, porque no máximo eu sou “ajeitadinha”.

– Acordou com o rei na barriga hoje, né querida. Me poupe – ela retrucou e rimos.

– Agora as duas donzelas parem de graça, chegamos. – Quentin falou assim que o elevador parou na garagem e abriu as portas.

Ele saiu primeiro e logo atrás saímos nós duas.

– Ihh, hoje alguém acordou azedo – Maggie e eu falamos em uníssono.

– Nossa vocês duas dormiram com o Bozo essa noite, não é. Palhaças.

Eu e Maggie nos encaramos e depois colocamos nossas mão na boca em forma de espanto.

– Meus Deus, fomos molestadas pelo Bozo – falei pra ela.

– Socorro! Acho que eu vi uma peruca vermelha do lado da cama – assim que ela falou começamos a rir feito doidas e Q revirou os olhos.

– Tá legal, chega de gracinhas e vamos logo antes que chegamos atrasados no trabalho – disse ele.

***

   Ter terminado alguns projetos em casa foi a melhor coisa que eu fiz. Hoje o dia foi bem leve, sem muitas coisas, sem Eva, sem cansaço... Tô zen. Tomei outro banho, coloquei meu pijama e peguei uma garrafinha de água na geladeira. Me joguei literalmente no sofá e comecei a passear os canais na TV, até parar em um filme, já tinha começado, mas era de comédia, e como eu gosto de filmes desse gênero, deixei ali mesmo.

   Olha só, acabei dormindo e perdi o fim do filme, muito legal. Acordei com alguns barulhinhos na cozinha. 

Fui até lá e como era de se esperar Maggie estava lá, fazendo um lanchinho.

– Sabia que isso é invasão de domicílio?

– Me desculpa senhora sono, eu bati na porta e você não atendeu, então já fui entrando. – Deu uma mordida em seu sanduíche.

– Por que você está arrumada assim? E seu irmão? – perguntei me ajeitando na banqueta.

– Um: eu estou toda linda e magnífica desse jeito porque vou sair com o Kam e dois: Q saiu, disse que iria caminhar um pouco.

– Primeiramente você está bonitinha, no máximo, dá pro gasto – não liguem, a gente se ama e ela tacou sei lá o que em mim.

– Sabe como isso se chama? I-N-V-E-J-A. – Falou soletrando e não tem como não rir do jeito dela.

– Aliás você nunca me falou dele, do Kam, de vocês dois. Vamos lá, me conte como ele é – eles eram muito fofos juntos, apesar de ter visto eles duas vezes.

– Ah, ele é muito fofo, sabe. Não vou mentir que nunca discutimos, até porque isso acontece mesmo, que casal não briga, não é?! Mas, ai, nem sei como descrever ele, é engraçado, é gostoso – quando ela disse isso fiz um “ui” e ela riu. – Sabe, ele foi um, como posso dizer, um anjo que Deus mandou pra mim. Nunca amei alguém como eu o amo, espero envelhecer junto dele.

– Depois dessa declaração, vou precisar de lencinhos – ela tacou mais alguma coisa em mim que até agora nem sei o que é. – Você sabe que eu te amo e desejo tudo de bom pra você, fico realmente feliz por ter encontrado alguém de especial na sua vida.

Levantamo-nos e nos abraçamos fortemente. Eu só quero o bem dela e do Q também. Falamos mais um pouquinho de coisas aleatórias até que o interfone tocou. Atendi e o Sr. Williams avisou que um moreno e alto  esperava lá embaixo.

– Seu moreno alto, bonito e sensual acabou de chegar – avisei-a e acabamos rindo da minha piada sem graça.

– Muito obrigada cara mensageira, agora me vou – disse pegando sua pequena carteira de mão e guardou seu celular. – Ela deu uma paradinha na porta entreaberta antes de sair e disse:

– Pra não passar a noite sozinha, e já que gamou no senhor Mars, chama ele pra uma festinha particular – falou com a língua de canto da boca e começou a rir gostosamente.

– Ah sua praga, cale a boca e vai logo, antes que o seu morenão resolva sair antes de você – falei expulsando-a do apartamento e fechando a porta.

   Assim que saiu, fui até a cozinha pegar alguma coisa pra comer, peguei uma maça mesmo e voltei pra sala. Intrometendo-me na minha própria história, eu digo que comer é algo divino, eu sei, como bastante mesmo e não nego, mas pelo menos não como nada tão engordativo durante o dia – se bem que essas são as comidas mais gostosas. Ai, vão pensar que sou um trator pra comer desse jeito. Foco na história Emma, foco.

   Bom, onde parei mesmo? Ah, sim. Passei novamente os canais até lembrar que hoje era dia de passar uma das minhas séries prediletas, Homeland. Assisti ao capítulo e assim que terminou dei uma bela bocejada – e olha que meu dia nem foi cansativo e ainda dormi um pouco. Desliguei a TV, apaguei as luzes e fui dormir, na verdade demorei um pouquinho para pegar no sono, fiquei matutando certos assuntos.



  



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