– E essas coisinhas teriam à
ver com Quentin e o senhor Bruno Mars? – Ela perguntou se escorando no
parapeito, que no caso proporcionava uma vista muito linda da orla da praia.
Escorei-me ao seu lado.
– Você me conhece bem mesmo –
pensei alto. – Sim, tem à ver com eles – dei um suspiro. – Sabe quando alguma
coisa fica martelando na sua cabeça? Depois do que você disse sobre o Q gostar
de mim... Então, eu fiquei pensando nisso, no começo eu levei na brincadeira,
mas depois eu pensei melhor, em todas as indiretas dele, no que você dizia...
Ai, eu tô completamente confusa com isso.
– E onde o outro galã entra?
– Perguntou se referindo ao Bruno.
– Bem, ele entra na noite de
ontem. Como sabe eu.. ele... a gente se beijou...
– Vocês o quê? – Ela perguntou
me interrompendo e quase gritando e eu acabei rindo.
– Nossa calma, não precisa
morrer por isso, foi só um beijo. Tá, ele tentou quase tirar minha roupa e
transar no meio de todo mundo, mas tudo bem.
– Olha, eu agradeço muito à
sua mãe por ter colocado juízo na sua cabeça, porque se fosse uma qualquer já
tinha arreganhado as pernas pra ele – acabei rindo do seu comentário. – Mas
sabe o que é, eu convivi dois meses com ele, não diretamente, mas convivi por
namorar o Kam. Olha, ele é engraçado, muito fofo e legal quando quer, mas chega
a noite o lobo dá as caras e vai a caça do cordeiro, se é que me entende. – Sua
expressão era meio séria agora.
– Então no popular, ele é não
é homem de uma mulher só? – Perguntei e ela assentiu. - Quem pena, só por que eu tinha sentido algo
com aquele beijo – falei um pouco desapontada, mas tentando agir naturalmente,
acho que sempre fui assim, até na separação dos meus pais.
Pode parecer estranho, mas eu
prefiro agir assim, acho que sempre foi um refúgio para eu não sair
decepcionada de certas situações. E eu não vou mentir não, eu realmente fiquei
um pouco mexida com aquele beijo. Não foi um beijo qualquer, confesso que foi
diferente e muito bom, tinha um “tempero” que eu não sei explicar.
– Sério que você sentiu
alguma coisa mesmo? – Maggie perguntou incrédula.
– Mas não é nada do tipo
“Nossa ele é o homem da minha vida, quero me casar com ele, ter filhos, morar
num país feito de doces e viver felizes para sempre”, foi só um gostinho
diferente de beijo e, quando digo que mexeu comigo seria no caso “ Nossa, ele
beija bem, se quiser topo uma transa, porém não depressa desse jeito” – Assim
que terminei de falar caímos na gargalhada.
– Nossa, que pessoa dada
você.
– Nem vem, eu satisfaço meu
prazer moderadamente, não dou pro primeiro que vejo, seleciono primeiro e já
faz muito tempo que eu sou “pura” tá – estiquei a língua pra ela.
Depois da nossa conversa, voltamos para a
mesa e nos divertimos mais um pouco. Olhei para o visor do celular que marcava
23:13. Isso deve ser psicológico, assim que vi as horas bocejei e senti meus
olhos pesarem um pouco. Avisei que iria embora e me despedi de todos, Maggie
pediu pra esperar um pouco, já que iria comigo. Peguei a comanda da mesa pra
poder dividir os gastos, mas Bruno – então – disse que não precisava, falei que
pagaria pelo menos o que eu consumi, mas ele insistiu em pagar, o que me restou
a fazer foi agradecer.
Maggie deu um selinhos em Kam e me seguiu
até o carro.
– Vocês dois são muito fofos
juntos – falei assim que entramos no carro.
– Muito obrigada fã, eu sei
que você shippa Kamaggie. – Falou toda com graça.
– Nossa, que shipp mais ruim
– liguei o carro e partimos, e ela me ofereceu o dedo do meio.
Ficamos em silêncio um tempo
apenas curtindo A-Ha (pois é, gostamos dessas coisas antigas), assim que parei num semáforo ela
cortou nosso silêncio:
– A gente não falou do Q
ainda – ela me virou e eu alternei meu olhar entre ela e o semáforo que abriu.
Pensei um instante no que ela
estava falando e me situei na conversa.
– Não é nada demais, eu só
fiquei pensando nessa coisa dele gostar de mim. Maggie, você é irmã dele e
vocês são meus melhores amigos, ai minha nossa eu me embolei no raciocínio
agora – rimos da minha atrapalhada.
– O que quero dizer é que eu tenho medo de
Quentin criar falsas expectativas, entende? Eu o amo, eu amo vocês dois, mas
como meus irmãos que eu nunca tive. – Era bom desabafar com alguém de
confiança.
– Eu entendo. Mas sabe que
ele é teimoso e não desiste facilmente, não é? Se ele continua alimentando esse
por anos, vai ser difícil acabar de vez, rapidamente - falou de um jeito
fraterno. – Se quiser eu converso com ele.
– Não precisa... Eu acho que
ele precisa mesmo é de alguém que corresponda esse amor dele pra ele.
– Realmente, mas agora você
deveria virar a sua direita se quiser voltar pro apartamento. – Maggie falou e
meio destrambelhada dei a seta e virei.
Abri a porta do meu
apartamento e estava escuro, apenas com a luz da TV iluminando a sala. Q dormia
profundamente no sofá.
– Coitado, ficou esperando a
gente e acabou dormindo – Maggie disse num sussurro.
– Vou pegar um cobertor pra
ele, e a senhorita conhece muito bem o quarto de hospedes, se ajeite por lá –
sorri e lhe desejei boa noite.
Fui até meu quarto, peguei uma coberta pra
ele. Ajeitei sobre ele e lhe dei um beijo na testa e um “boa
noite” baixo.
(a imagem não é das melhores, mas estamos aí)
***
Bruno Pov’s
Não posso mentir, senti uma certa atração
por ela. Nada como amor e esses blá blá blá, mas ela é bonita, beija bem e deve
ser boa de cama: infelizmente não me deixou concluir essa dúvida. Sua risada é
gostosa de ouvir, quase não falou hoje no bar, mas parecia descontraída, eu
fiquei fitando-a, tentando descobrir alguma coisa. Quando pegou a comanda pedi
para que deixasse pra lá, eu pagava, ficou um pouco sem jeito, mas cedeu. Que foi? Preciso fazer uma média se quero
“conhece-la” melhor.
Saímos de lá um pouco depois delas. Era bom
descontrair um pouco, já que estamos trabalhando no novo álbum. Trabalho duro.
***
Emma Pov’s
Mais uma semana de trabalho, que maravilha.
Mas preciso do dinheiro pra me sustentar, então vamos lá. Calcei meus chinelos,
tomei um banho rápido e me arrumei. Coloquei uma calça no estilo flare e uma
blusa de cetim azul. Calcei um scarpin preto, fiz um rabo de cavalo e uma
maquiagem bem leve.
Olhei o quarto de hóspedes e Maggie não
estava lá, fui até a sala, nem ela nem Q estavam lá. Olhei para a porta e a
chava estava no trinco, eles deveriam ter ido se arrumar no apartamento deles.
Tomei meu café, peguei minha bolsa e saí. Entrei no elevador e dei de cara com
os dois.
– Nossa, toda arrumada assim
pra quê? Você só fica dentro de uma sala desenhando – Maggie falou fingindo
deboche e educadamente lhe coloquei o dedo do meio, o qual ela retribuiu.
– Minha filha, eu sou maravilhosa,
por isso me arrumo de acordo com isso – falei brincando, porque no máximo eu
sou “ajeitadinha”.
– Acordou com o rei na
barriga hoje, né querida. Me poupe – ela retrucou e rimos.
– Agora as duas donzelas
parem de graça, chegamos. – Quentin falou assim que o elevador parou na garagem
e abriu as portas.
Ele saiu primeiro e logo
atrás saímos nós duas.
– Ihh, hoje alguém acordou
azedo – Maggie e eu falamos em uníssono.
– Nossa vocês duas dormiram
com o Bozo essa noite, não é. Palhaças.
Eu e Maggie nos encaramos e
depois colocamos nossas mão na boca em forma de espanto.
– Meus Deus, fomos molestadas
pelo Bozo – falei pra ela.
– Socorro! Acho que eu vi uma
peruca vermelha do lado da cama – assim que ela falou começamos a rir feito
doidas e Q revirou os olhos.
– Tá legal, chega de
gracinhas e vamos logo antes que chegamos atrasados no trabalho – disse ele.
***
Ter terminado alguns projetos em casa foi a
melhor coisa que eu fiz. Hoje o dia foi bem leve, sem muitas coisas, sem Eva,
sem cansaço... Tô zen. Tomei outro banho, coloquei meu pijama e peguei uma
garrafinha de água na geladeira. Me joguei literalmente no sofá e comecei a
passear os canais na TV, até parar em um filme, já tinha começado, mas era de
comédia, e como eu gosto de filmes desse gênero, deixei ali mesmo.
Olha só, acabei dormindo e perdi o fim do
filme, muito legal. Acordei com alguns barulhinhos na cozinha.
Fui até lá e
como era de se esperar Maggie estava lá, fazendo um lanchinho.
– Sabia que isso é invasão de
domicílio?
– Me desculpa senhora sono,
eu bati na porta e você não atendeu, então já fui entrando. – Deu uma mordida
em seu sanduíche.
– Por que você está arrumada
assim? E seu irmão? – perguntei me ajeitando na banqueta.
– Um: eu estou toda linda e
magnífica desse jeito porque vou sair com o Kam e dois: Q saiu, disse que iria
caminhar um pouco.
– Primeiramente você está
bonitinha, no máximo, dá pro gasto – não liguem, a gente se ama e ela tacou sei
lá o que em mim.
– Sabe como isso se chama?
I-N-V-E-J-A. – Falou soletrando e não tem como não rir do jeito dela.
– Aliás você nunca me falou
dele, do Kam, de vocês dois. Vamos lá, me conte como ele é – eles eram muito
fofos juntos, apesar de ter visto eles duas vezes.
– Ah, ele é muito fofo, sabe.
Não vou mentir que nunca discutimos, até porque isso acontece mesmo, que casal
não briga, não é?! Mas, ai, nem sei como descrever ele, é engraçado, é gostoso
– quando ela disse isso fiz um “ui” e ela riu. – Sabe, ele foi um, como posso
dizer, um anjo que Deus mandou pra mim. Nunca amei alguém como eu o amo, espero
envelhecer junto dele.
– Depois dessa declaração,
vou precisar de lencinhos – ela tacou mais alguma coisa em mim que até agora
nem sei o que é. – Você sabe que eu te amo e desejo tudo de bom pra você, fico
realmente feliz por ter encontrado alguém de especial na sua vida.
Levantamo-nos e nos abraçamos
fortemente. Eu só quero o bem dela e do Q também. Falamos mais um pouquinho de
coisas aleatórias até que o interfone tocou. Atendi e o Sr. Williams avisou que
um moreno e alto esperava lá embaixo.
– Seu moreno alto, bonito e
sensual acabou de chegar – avisei-a e acabamos rindo da minha piada sem graça.
– Muito obrigada cara
mensageira, agora me vou – disse pegando sua pequena carteira de mão e guardou
seu celular. – Ela deu uma paradinha na porta entreaberta antes de sair e
disse:
– Pra não passar a noite
sozinha, e já que gamou no senhor Mars, chama ele pra uma festinha particular –
falou com a língua de canto da boca e começou a rir gostosamente.
– Ah sua praga, cale a boca e
vai logo, antes que o seu morenão resolva sair antes de você – falei expulsando-a
do apartamento e fechando a porta.
Assim que saiu, fui até a cozinha pegar
alguma coisa pra comer, peguei uma maça mesmo e voltei pra sala. Intrometendo-me
na minha própria história, eu digo que comer é algo divino, eu sei, como
bastante mesmo e não nego, mas pelo menos não como nada tão engordativo durante
o dia – se bem que essas são as comidas mais gostosas. Ai, vão pensar que sou um
trator pra comer desse jeito. Foco na história Emma, foco.
Bom, onde parei mesmo? Ah, sim. Passei
novamente os canais até lembrar que hoje era dia de passar uma das minhas
séries prediletas, Homeland. Assisti ao capítulo e assim que terminou dei uma
bela bocejada – e olha que meu dia nem foi cansativo e ainda dormi um pouco.
Desliguei a TV, apaguei as luzes e fui dormir, na verdade demorei um pouquinho
para pegar no sono, fiquei matutando certos assuntos.


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