quarta-feira, 2 de julho de 2014

Capítulo doze

   Estou oficialmente de férias... E em um aeroporto. Irei passar duas semanas em Virgínia, ver minha mãe e matar a saudade. Fazer uma poupança é um bom plano. Antes de ontem saímos em casal, Quentin e Abbie, Kam e Maggie, Phil e Urbana e eu e Bruno, que tecnicamente não é um casal. Fomos a um Pub em San Diego, nos divertimos e acabei na casa do Bruno. O final vocês já sabem. E não, eu não sou garota de programa.

***

– Para de ser melodramática – falo em tom de brincadeira.

– Você não é de chorar então deixa que eu choro por você – Maggie diz me tirando um sorriso.

– São só duas semanas, passa rapidinho, você vai ver – digo confortando-a, seguido de um abraço apertado. – Q... – dei uma corridinha até ele lhe abracei fortemente. – Cuide bem da sua irmã ou te boto pra fora daquele apartamento, sem dó nem piedade – acabo rindo de mim mesma, assim como ele.

– Saiba que sentirei falta de você um pouquinho, assim, bem pouquinho.

– Idiota – coloco minha língua para ele e escuto a chamada do meu voo.

   Um pouquinho mais de choradeira e despedida e então passo pelo portão de embarque. É a terceira vez que saio da Califórnia de volta pro meu “lar, doce lar”, mas dessa vez é tão... Diferente. Talvez seja por eu viajar sozinha - das outras vezes somos nós três juntos. Entrei no avião, guardei minha bolsa de mão no compartimento e sentei na poltrona da janela. Antes que me esquecesse, coloquei meu celular no modo avião, pluguei meu fone de ouvido e deixei as músicas tocarem aleatoriamente. Nas poltrona do meio sentou uma menina serelepe e na da ponta uma moça de uns trinta e poucos anos, muito bonita. Elas se acomodaram, entraram as últimas pessoas no avião e o comandante nos avisou que iríamos decolar. Adeus Los Angeles por duas semanas.

– Oi – disse a menininha me olhando com um sorriso no rosto e apoiada no descanso de braço.

– Oi – falei me ajeitando na poltrona.

– Addie, não perturbe a moça – sua mãe deu-lhe um sermão, mas um sermão com a voz serena. Por um instante lembrou-me minha mãe.

– Ah, tudo bem. Não está me perturbando não – dei um sorriso sem mostrar os dentes para ela que me retribuiu. – Então Addie, você não tem nenhum pouquinho de medo de avião? – perguntei a ela. O avião já havia decolado.

– Beeem pouquinho. E você?

– Beeem pouquinho também – falei e ela soltou um riso contagiante. – Quantos anos você tem?

– 6 anos – disse mostrando seus dedinhos. – E você? Sabe o que vou fazer em Nova York? – Perguntou-me com um sorriso de orelha a orelha.

– Tenho 28. E o que você vai fazer?

– Encontrar meu papai. – Assim que ela diz percebo o brilho se formar nos olhos de sua mãe – Meu nome é Adeline.

– Um nome muito lindo como você – ela agradeceu com vergonha e se acomodou na poltrona. Logo pegou no sono.

– Faz um ano que o pai dela foi para lá, por causa da empresa e tal. A propósito, sou Nancy – disse sua mãe.

– Prazer, Emma. Ela é bem espontânea – comento sobre sua filha.
– Ela puxou o pai, fala com qualquer pessoa, e como ela diz, “que tem um rosto amigável” – demos um riso baixo para não acordá-la.

– Bem, fico lisonjeada por ter um rosto amigável – comento.
Conversamos mais um pouco até que cada uma se ajeitou para dormir. Dei play nas músicas e apaguei.

***

   Acordei um pouco antes de o avião pousar. A dupla dinâmica ao meu lado também havia acordado. Demos bom dia umas as outras e assim o avião pousou. Peguei minha bolsa de mão, quando chegamos à sala de desembarque, Addie deu uma corridinha até mim e me abraçou e me deu um beijinho na bochecha. Um belo sorriso bobo sem sobre de dúvidas surgiu em meus lábios.

   Bem, eu estava morta de fome, o que não é novidade, então parei em uma lanchonete de taco’s – com seu incrivelmente nome original “Taco’s”. Peguei meu celular na bolsa e desativei o modo avião, logo a musiquinha de mensagem soou. Deslizei meu dedo indicador sobre a tela, fui até a caixa de mensagens e haviam 4 mensagens.

A primeira e a segunda mensagem eram de Maggie, demonstrando todo seu amor e carinho, que ultimamente andam excessivos, de um jeito maluco. Q me mandou uma também, basicamente reclamando de Maggie e mandando um abraço para minha mãe e a mãe dele. Já a última me surpreendeu, de certa forma. Era de Bruno.

“Soube que você viajou, legal. Caso eu esqueça, é melhor já te desejar um ótimo Natal e Feliz Ano Novo. A propósito, pra onde você viajou?”

Achei legal da parte dele ter mandado a mensagem, mas eu não cogitava a hipótese de ser amiga dele ou “affair”. Tá, talvez ele não queira nem um nem outro, está sendo somente um cara legal e educado, então o respondi.

“Apesar de estarmos há 6 dias do Natal e há 12 do Ano Novo, eu te agradeço e te desejo tudo em dobro haha. E no momento estou no aeroporto internacional de Nova York esperando meu voo para Virgínia.”

Deixei o celular sobre a mesa e terminei meu lanche. Caminhei até a sala de embarque novamente antes que eu acabe perdendo o voo. Ainda faltava 40 minutos para embarcar, então peguei meu exemplar de O Conde de Monte Cristo e aproveite para terminar de lê-lo.

   Os minutos correram rápidos, parece que lendo ele corre extremamente mais rápido. Ou talvez seja impressão minha por “mergulhar” na leitura. Enfim. A voz feminina soou pelo alto-falante anunciando meu voo, fiz todo aquele processo até o avião, me acomodei na poltrona – que dessa vez ficara perto do corredor - , e dois homens já estavam sentados. O que estava sentado no meio sorriu educadamente para mim, já o do canto lia uma revista e não ligava mundo ao seu redor. Eu não tinha um pingo de sono, já que havia dormido praticamente o último voo todo e não tinha levado outro livro pra ler, me restou então selecionar algumas músicas para ouvir novamente e ficar olhando pro incrível e arquitetônico avião. Isso me fez pensar quantas músicas eu tinha ali e nem sequer ouvia ou gostava mais.