Estou oficialmente de férias... E em um
aeroporto. Irei passar duas semanas em Virgínia, ver minha mãe e matar a
saudade. Fazer uma poupança é um bom plano. Antes de ontem saímos em casal,
Quentin e Abbie, Kam e Maggie, Phil e Urbana e eu e Bruno, que tecnicamente não
é um casal. Fomos a um Pub em San Diego, nos divertimos e acabei na casa do
Bruno. O final vocês já sabem. E não, eu não sou garota de programa.
***
– Para de ser melodramática –
falo em tom de brincadeira.
– Você não é de chorar então
deixa que eu choro por você – Maggie diz me tirando um sorriso.
– São só duas semanas, passa
rapidinho, você vai ver – digo confortando-a, seguido de um abraço apertado. –
Q... – dei uma corridinha até ele lhe abracei fortemente. – Cuide bem da sua
irmã ou te boto pra fora daquele apartamento, sem dó nem piedade – acabo rindo
de mim mesma, assim como ele.
– Saiba que sentirei falta de
você um pouquinho, assim, bem pouquinho.
– Idiota – coloco minha
língua para ele e escuto a chamada do meu voo.
Um pouquinho mais de choradeira e despedida
e então passo pelo portão de embarque. É a terceira vez que saio da Califórnia
de volta pro meu “lar, doce lar”, mas dessa vez é tão... Diferente. Talvez seja
por eu viajar sozinha - das outras vezes somos nós três juntos. Entrei no
avião, guardei minha bolsa de mão no compartimento e sentei na poltrona da
janela. Antes que me esquecesse, coloquei meu celular no modo avião, pluguei
meu fone de ouvido e deixei as músicas tocarem aleatoriamente. Nas poltrona do
meio sentou uma menina serelepe e na da ponta uma moça de uns trinta e poucos
anos, muito bonita. Elas se acomodaram, entraram as últimas pessoas no avião e
o comandante nos avisou que iríamos decolar. Adeus Los Angeles por duas semanas.
– Oi – disse a menininha me
olhando com um sorriso no rosto e apoiada no descanso de braço.
– Oi – falei me ajeitando na
poltrona.
– Addie, não perturbe a moça
– sua mãe deu-lhe um sermão, mas um sermão com a voz serena. Por um instante
lembrou-me minha mãe.
– Ah, tudo bem. Não está me
perturbando não – dei um sorriso sem mostrar os dentes para ela que me
retribuiu. – Então Addie, você não tem nenhum pouquinho de medo de avião? –
perguntei a ela. O avião já havia decolado.
– Beeem pouquinho. E você?
– Beeem pouquinho também –
falei e ela soltou um riso contagiante. – Quantos anos você tem?
– 6 anos – disse mostrando
seus dedinhos. – E você? Sabe o que vou fazer em Nova York? – Perguntou-me com
um sorriso de orelha a orelha.
– Tenho 28. E o que você vai
fazer?
– Encontrar meu papai. –
Assim que ela diz percebo o brilho se formar nos olhos de sua mãe – Meu nome é
Adeline.
– Um nome muito lindo como
você – ela agradeceu com vergonha e se acomodou na poltrona. Logo pegou no
sono.
– Faz um ano que o pai dela
foi para lá, por causa da empresa e tal. A propósito, sou Nancy – disse sua
mãe.
– Prazer, Emma. Ela é bem
espontânea – comento sobre sua filha.
– Ela puxou o pai, fala com
qualquer pessoa, e como ela diz, “que tem um rosto amigável” – demos um riso baixo
para não acordá-la.
– Bem, fico lisonjeada por
ter um rosto amigável – comento.
Conversamos mais um pouco até
que cada uma se ajeitou para dormir. Dei play nas músicas e apaguei.
***
Acordei um pouco antes de o avião pousar. A
dupla dinâmica ao meu lado também havia acordado. Demos bom dia umas as outras
e assim o avião pousou. Peguei minha bolsa de mão, quando chegamos à sala de
desembarque, Addie deu uma corridinha até mim e me abraçou e me deu um beijinho
na bochecha. Um belo sorriso bobo sem sobre de dúvidas surgiu em meus lábios.
Bem, eu estava morta de fome, o que não é
novidade, então parei em uma lanchonete de taco’s – com seu incrivelmente nome
original “Taco’s”. Peguei meu celular na bolsa e desativei o modo avião, logo a
musiquinha de mensagem soou. Deslizei meu dedo indicador sobre a tela, fui até
a caixa de mensagens e haviam 4 mensagens.
A primeira e a segunda
mensagem eram de Maggie, demonstrando todo seu amor e carinho, que ultimamente
andam excessivos, de um jeito maluco. Q me mandou uma também, basicamente
reclamando de Maggie e mandando um abraço para minha mãe e a mãe dele. Já a
última me surpreendeu, de certa forma. Era de Bruno.
“Soube que você viajou, legal. Caso eu esqueça, é
melhor já te desejar um ótimo Natal e Feliz Ano Novo. A propósito, pra onde
você viajou?”
Achei
legal da parte dele ter mandado a mensagem, mas eu não cogitava a hipótese de
ser amiga dele ou “affair”. Tá, talvez ele não queira nem um nem outro, está
sendo somente um cara legal e educado, então o respondi.
“Apesar de estarmos há 6 dias do Natal e há 12 do Ano
Novo, eu te agradeço e te desejo tudo em dobro haha. E no momento estou no
aeroporto internacional de Nova York esperando meu voo para Virgínia.”
Deixei o celular sobre a mesa
e terminei meu lanche. Caminhei até a sala de embarque novamente antes que eu
acabe perdendo o voo. Ainda faltava 40 minutos para embarcar, então peguei meu
exemplar de O Conde de Monte Cristo e
aproveite para terminar de lê-lo.
Os minutos correram rápidos, parece que
lendo ele corre extremamente mais rápido. Ou talvez seja impressão minha por
“mergulhar” na leitura. Enfim. A voz feminina soou pelo alto-falante anunciando
meu voo, fiz todo aquele processo até o avião, me acomodei na poltrona – que
dessa vez ficara perto do corredor - , e dois homens já estavam sentados. O que
estava sentado no meio sorriu educadamente para mim, já o do canto lia uma
revista e não ligava mundo ao seu redor. Eu não tinha um pingo de sono, já que
havia dormido praticamente o último voo todo e não tinha levado outro livro pra
ler, me restou então selecionar algumas músicas para ouvir novamente e ficar
olhando pro incrível e arquitetônico avião. Isso me fez pensar quantas músicas
eu tinha ali e nem sequer ouvia ou gostava mais.