quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Capítulo cinco

   Maggie ficou a semana toda me importunando para irmos a uma festa na casa de Bruno, na realidade era mais uma reunião entre amigos. Sabe aquele dia em que meu trabalho foi leve? Então, foi só aquele dia mesmo, pois no outro dia apareceram três projetos de última hora. Eva? Ela continua transitando por lá em seus dias respectivos, porém fica mais na sala de seu marido, fico agradecida. Ah! Já ia me esquecendo, uma nova engenheira apareceu por lá, Simon disse que ela estava estagiando e acabou ficando na minha sala e do Quentin. Seríamos responsáveis  para avaliar seu desempenho, e se fosse bom, Simon a contrataria, pois precisamos de mais alguém na companhia.

   Ela se chama Abigail, um pouco mais alta do que eu, na realidade bem mais. Loira e com a pele levemente bronzeada, tinha um corpo lindo, ela é linda. Pelo pouco que conversei com ela, tem 26 anos e é de Los Angeles mesmo. Muito simpática e serena, acredito que com mais algumas conversas, possamos ser amigas. Em seu primeiro dia de estágio, Q bem que tentou disfarçar, mas não tirava os olhos dela – ficaria feliz se ele se aproximasse mais dela, pois em minha opinião os dois combinavam.

   Voltando a tal reunião, bem, Maggie bem que diz pra eu tomar cuidado e que ela não vai muito com a cara do Bruno, mas passou meu número a ele. Sem vergonha. Na realidade teria um jantar também, e como seria só domingo à noite, aceitei, até porque segunda não haveria trabalho. Uma folguinha sempre ia bem.

   Almoçamos e, olha o milagre, dessa vez eu saí do meu cubículo e fui para o apartamento deles. Eu até estava animada, e para não passar a tarde todo enfurnada ali, resolvemos dar uma caminha pela orla da praia quando o sol estivesse mais baixo. Estávamos jogando pôquer – que modéstia parte eu era boa, nada de supercampeã, mas dava pra ganhar algumas rodadas -, quando escutei o toque de mensagem do meu celular. Peguei-o e vi uma mensagem de um número desconhecido. Deveria ser do Bruno, já que não havia salvo seu número e ele também não tinha me mandado mensagem alguma.

“Primeiramente sou eu, o Bruno. Não fique nervosa, foi sua amiga quem me passou seu número. Só queria confirmar o horário do nosso janta/reunião; às 20:00 na minha casa. Não se preocupe com transporte, Dre irá buscar vocês e... Se não for abuso, já que mal nos conhecemos, podem passar a noite aqui, amanhã vamos pra piscina. Ah! Se quiser trazer alguns amigos, fique a vontade. Vou parar de escrever agora porque essa mensagem já parece um texto. Beijos, Bruno.”

Eu ri com a sua mensagem e logo respondi:

“Bem, agora seu número já está salvo. Sobre a carona, muito obrigada e se vamos dormir aí, verei com a Maggie. Beijos e até amanhã à noite. Emma.”

Votei para mesa e Maggie já veio com seu interrogatório.

– Hmm, já está trocando mensagens com o senhor tentação? – falou me olhando maliciosamente.

– Ihh, para de neura mulher, ele só estava confirmando o horário do jantar, disse que se quiser podemos levar mais alguém e perguntou se queríamos dormir por lá, já que na segunda eles vão, tipo, festejar na piscina – falei enquanto formava uma jogada em meus baralhos.

– Não sei não, vocês podem não trabalhar, mas segunda eu ainda abro minha floricultura.

– Maggie, Maggie, um dia de folga na semana não mata ninguém, aliás, acabei de bater. Passem as fichas pro papai aqui. – Quentin falou estendendo suas cartas pela mesa e puxando as fichas para ele. – Sem contar que a Emma vai ver seu “amorzinho” – impressão minha ou ele falou bem ironicamente?

– Hmm, olha o ciúmes – disse Maggie.

– Ciúmes nada, apenas a verdade. – Ele falou olhando as cartas e depois me encarando. – Não é verdade?

Revirei os olhos e bufei.

– Tirou o dia pra me atazanar?

– Claro que não, amiguinha, apenas sou sincero – falou sarcasticamente.

Sinceramente, aquela atitude infantil dele já estava me irritando.

– E se eu quiser vê-lo, o que você pode fazer? Nada, pois a vida ainda é minha, até onde sei - falei com a 
voz levemente alterada.

– Tudo bem, fique a vontade em correr direto para os braços dele, mas se der alguma coisa não venha choramingar pra mim – ele abaixou suas cartas e me olhou. Maggie e eu fizemos o mesmo. Eu não acredito que a essa altura ela estava dando chiliques.

– O.k gente, chega. Não precisa de tanto, vamos voltar para o jogo – Maggie tentou pacificar as coisas.

– Você tem razão, pra mim chega, perdi a vontade de jogar – falei já me levantando e seguindo até a porta e senti alguém me segurar pelo braço.

Maggie me segurou, inclinando um pouco a cabeça em direção ao seu quarto, querendo conversar. Virei-me e segui-a, passando perto de Q sem nem olhá-lo.

– Não liga pra ele não. Assim como eu, você sabe que ele te ama, gosta de ti muito além do que amiga, então dá um desconto. E não adianta negar que não sabia, porque eu sei que sabe desde quando éramos crianças – Maggie falou calmamente sentando-se com pernas de índio em minha frente na cama e segurando minhas mãos.

   Na realidade eu sempre soube, mas nunca quis admitir isso para mim mesma pra não estragar a nossa amizade, nossa pequena “trilogia”.

– Eu sei Maggie, eu sei, mas ele não tinha o direito de ficar de indiretas assim, Poxa, é só falar de vez – flei um pouco baixo. Não, não iria chorar, mas estava me sentindo um pouco mal.

– Eu te entendo, mas releve e eu vou ter uma conversa séria com o senhor paixão lá – sorrimos. – Você sabe que eu te amo pequena, não fica assim – nos abraçamos fortemente, Maggie sabia me ajudar quando mais precisava. – Já volto – ela disse assim que nos desvencilhamos.

   Ela saiu do quarto e eu me deitei um pouco em sua cama – que é muito confortável – e fiquei olhando para o teto, até uma voz um pouco mais alta soar próxima ao quarto. EU sei que é errado escutar a conversa dos outro, mas eu realmente estava curiosa.

– Quentin, você está sendo imaturo, por favor não grite – Maggie falou autoritária.

(...)

– Q, não aja assim, não adianta, ela não te ama assim como você. Eu te amo meu irmão, mas você tem que aceitar essa condição e seguir teu caminho. – Ela falou novamente e eu pude imaginar os dois num abraço terno.

– Tudo bem Maggie, mas eu ainda posso tentar, eu... Eu nada, ela deve gostar sim do Bruno, mas tentar mais uma única vez não vai me matar... Maggie... Ai eu a amo, por mais que eu tenta não amar eu amo. Você tá mais do que certa, sufoca-la não adiantará de nada, porém tentarei só dessa vez – dessa vez escutei com mais clareza o que ele disse, foi um choque em mim.

Não sei explicar o que senti, mas foi como uma pontada no peito e um frio enorme na barriga. Aí sim senti meus olhos marejarem e lágrimas teimosas deslizarem pelo meu rosto. Abri a porta do quarto e saí rapidamente, eles ainda conversavam ali. Não sei, agi por impulso e dei um abraço apertado em Q, senti ele sorrir fracamente e me desvencilhei, indo até a porta de saída.



   Pois é, quem diria que um simples jogo de cartas se tronaria uma bola de neve na minha cabeça.

  • Então ajsbdhsgdjad eu tô tentando postar o mais rápido que posso, sério. Ontem nem sequer entrei pelo computador porque eu tava quebrada kashdhi pra que não sabe, eu trabalho meio período, duas vezes por semana, mas agora tá bem mais puxado lá, ainda faço curso lá, ou seja, tenho só segunda, quinta e final de semana pra escrever, mas às vezes cansa. E ainda tenho um trabalho enorme de Educação Física pra fazer, que envolve apresentação...Enfim, ultimamente fico mais fora de casa do que dentro kjasjas
  • Por isso tô postando tarde hoje, mas compenso no sábado, ou se der, amanhã, já que tenho inglês a tarde e mais umas coisas pra fazer. Capítulo sem muito Bruno e mais Quentin jabshhjshd mas é necessário pra que entendam o desenrolar da fic, sei que deve estar mega chato, mas aguentem as pontas um pouco. Não sou de cobrar comentários, mas alguns recadinhos nas minhas redes sociais - hmm como sou chique - me deixam feliz. É isso, aproveitem e prometo capítulo grande no próximo.
  • Mais uma coisinha, na aba "Personagens" já tem a Abigail, se quiserem dar um olhadinha :)



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Capítulo quatro

– E essas coisinhas teriam à ver com Quentin e o senhor Bruno Mars? – Ela perguntou se escorando no parapeito, que no caso proporcionava uma vista muito linda da orla da praia. Escorei-me ao seu lado.

– Você me conhece bem mesmo – pensei alto. – Sim, tem à ver com eles – dei um suspiro. – Sabe quando alguma coisa fica martelando na sua cabeça? Depois do que você disse sobre o Q gostar de mim... Então, eu fiquei pensando nisso, no começo eu levei na brincadeira, mas depois eu pensei melhor, em todas as indiretas dele, no que você dizia... Ai, eu tô completamente confusa com isso.

– E onde o outro galã entra? – Perguntou se referindo ao Bruno.

– Bem, ele entra na noite de ontem. Como sabe eu.. ele... a gente se beijou...

– Vocês o quê? – Ela perguntou me interrompendo e quase gritando e eu acabei rindo.

– Nossa calma, não precisa morrer por isso, foi só um beijo. Tá, ele tentou quase tirar minha roupa e transar no meio de todo mundo, mas tudo bem.

– Olha, eu agradeço muito à sua mãe por ter colocado juízo na sua cabeça, porque se fosse uma qualquer já tinha arreganhado as pernas pra ele – acabei rindo do seu comentário. – Mas sabe o que é, eu convivi dois meses com ele, não diretamente, mas convivi por namorar o Kam. Olha, ele é engraçado, muito fofo e legal quando quer, mas chega a noite o lobo dá as caras e vai a caça do cordeiro, se é que me entende. – Sua expressão era meio séria agora.

– Então no popular, ele é não é homem de uma mulher só? – Perguntei e ela assentiu. -  Quem pena, só por que eu tinha sentido algo com aquele beijo – falei um pouco desapontada, mas tentando agir naturalmente, acho que sempre fui assim, até na separação dos meus pais.

Pode parecer estranho, mas eu prefiro agir assim, acho que sempre foi um refúgio para eu não sair decepcionada de certas situações. E eu não vou mentir não, eu realmente fiquei um pouco mexida com aquele beijo. Não foi um beijo qualquer, confesso que foi diferente e muito bom, tinha um “tempero” que eu não sei explicar.

– Sério que você sentiu alguma coisa mesmo? – Maggie perguntou incrédula.

– Mas não é nada do tipo “Nossa ele é o homem da minha vida, quero me casar com ele, ter filhos, morar num país feito de doces e viver felizes para sempre”, foi só um gostinho diferente de beijo e, quando digo que mexeu comigo seria no caso “ Nossa, ele beija bem, se quiser topo uma transa, porém não depressa desse jeito” – Assim que terminei de falar caímos na gargalhada.

– Nossa, que pessoa dada você.

– Nem vem, eu satisfaço meu prazer moderadamente, não dou pro primeiro que vejo, seleciono primeiro e já faz muito tempo que eu sou “pura” tá – estiquei a língua pra ela.

   Depois da nossa conversa, voltamos para a mesa e nos divertimos mais um pouco. Olhei para o visor do celular que marcava 23:13. Isso deve ser psicológico, assim que vi as horas bocejei e senti meus olhos pesarem um pouco. Avisei que iria embora e me despedi de todos, Maggie pediu pra esperar um pouco, já que iria comigo. Peguei a comanda da mesa pra poder dividir os gastos, mas Bruno – então – disse que não precisava, falei que pagaria pelo menos o que eu consumi, mas ele insistiu em pagar, o que me restou a fazer foi agradecer.

   Maggie deu um selinhos em Kam e me seguiu até o carro.



– Vocês dois são muito fofos juntos – falei assim que entramos no carro.

– Muito obrigada fã, eu sei que você shippa Kamaggie. – Falou toda com graça.

– Nossa, que shipp mais ruim – liguei o carro e partimos, e ela me ofereceu o dedo do meio.

Ficamos em silêncio um tempo apenas curtindo A-Ha (pois é, gostamos dessas coisas  antigas), assim que parei num semáforo ela cortou nosso silêncio:

– A gente não falou do Q ainda – ela me virou e eu alternei meu olhar entre ela e o semáforo que abriu.
Pensei um instante no que ela estava falando e me situei na conversa.

– Não é nada demais, eu só fiquei pensando nessa coisa dele gostar de mim. Maggie, você é irmã dele e vocês são meus melhores amigos, ai minha nossa eu me embolei no raciocínio agora – rimos da minha atrapalhada. 

– O que quero dizer é que eu tenho medo de Quentin criar falsas expectativas, entende? Eu o amo, eu amo vocês dois, mas como meus irmãos que eu nunca tive. – Era bom desabafar com alguém de confiança.

– Eu entendo. Mas sabe que ele é teimoso e não desiste facilmente, não é? Se ele continua alimentando esse por anos, vai ser difícil acabar de vez, rapidamente - falou de um jeito fraterno. – Se quiser eu converso com ele.

– Não precisa... Eu acho que ele precisa mesmo é de alguém que corresponda esse amor dele pra ele.

– Realmente, mas agora você deveria virar a sua direita se quiser voltar pro apartamento. – Maggie falou e meio destrambelhada dei a seta e virei.

Abri a porta do meu apartamento e estava escuro, apenas com a luz da TV iluminando a sala. Q dormia profundamente no sofá.

– Coitado, ficou esperando a gente e acabou dormindo – Maggie disse num sussurro.

– Vou pegar um cobertor pra ele, e a senhorita conhece muito bem o quarto de hospedes, se ajeite por lá – sorri e lhe desejei boa noite.

   Fui até meu quarto, peguei uma coberta pra ele. Ajeitei sobre ele e lhe dei um beijo na testa e um “boa 
noite” baixo.

(a imagem não é das melhores, mas estamos aí)

***

Bruno Pov’s

   Não posso mentir, senti uma certa atração por ela. Nada como amor e esses blá blá blá, mas ela é bonita, beija bem e deve ser boa de cama: infelizmente não me deixou concluir essa dúvida. Sua risada é gostosa de ouvir, quase não falou hoje no bar, mas parecia descontraída, eu fiquei fitando-a, tentando descobrir alguma coisa. Quando pegou a comanda pedi para que deixasse pra lá, eu pagava, ficou um pouco sem jeito, mas cedeu. Que foi? Preciso fazer uma média se quero “conhece-la” melhor.

   Saímos de lá um pouco depois delas. Era bom descontrair um pouco, já que estamos trabalhando no novo álbum. Trabalho duro.
***
Emma Pov’s

   Mais uma semana de trabalho, que maravilha. Mas preciso do dinheiro pra me sustentar, então vamos lá. Calcei meus chinelos, tomei um banho rápido e me arrumei. Coloquei uma calça no estilo flare e uma blusa de cetim azul. Calcei um scarpin preto, fiz um rabo de cavalo e uma maquiagem bem leve.

   Olhei o quarto de hóspedes e Maggie não estava lá, fui até a sala, nem ela nem Q estavam lá. Olhei para a porta e a chava estava no trinco, eles deveriam ter ido se arrumar no apartamento deles. Tomei meu café, peguei minha bolsa e saí. Entrei no elevador e dei de cara com os dois.

– Nossa, toda arrumada assim pra quê? Você só fica dentro de uma sala desenhando – Maggie falou fingindo deboche e educadamente lhe coloquei o dedo do meio, o qual ela retribuiu.

– Minha filha, eu sou maravilhosa, por isso me arrumo de acordo com isso – falei brincando, porque no máximo eu sou “ajeitadinha”.

– Acordou com o rei na barriga hoje, né querida. Me poupe – ela retrucou e rimos.

– Agora as duas donzelas parem de graça, chegamos. – Quentin falou assim que o elevador parou na garagem e abriu as portas.

Ele saiu primeiro e logo atrás saímos nós duas.

– Ihh, hoje alguém acordou azedo – Maggie e eu falamos em uníssono.

– Nossa vocês duas dormiram com o Bozo essa noite, não é. Palhaças.

Eu e Maggie nos encaramos e depois colocamos nossas mão na boca em forma de espanto.

– Meus Deus, fomos molestadas pelo Bozo – falei pra ela.

– Socorro! Acho que eu vi uma peruca vermelha do lado da cama – assim que ela falou começamos a rir feito doidas e Q revirou os olhos.

– Tá legal, chega de gracinhas e vamos logo antes que chegamos atrasados no trabalho – disse ele.

***

   Ter terminado alguns projetos em casa foi a melhor coisa que eu fiz. Hoje o dia foi bem leve, sem muitas coisas, sem Eva, sem cansaço... Tô zen. Tomei outro banho, coloquei meu pijama e peguei uma garrafinha de água na geladeira. Me joguei literalmente no sofá e comecei a passear os canais na TV, até parar em um filme, já tinha começado, mas era de comédia, e como eu gosto de filmes desse gênero, deixei ali mesmo.

   Olha só, acabei dormindo e perdi o fim do filme, muito legal. Acordei com alguns barulhinhos na cozinha. 

Fui até lá e como era de se esperar Maggie estava lá, fazendo um lanchinho.

– Sabia que isso é invasão de domicílio?

– Me desculpa senhora sono, eu bati na porta e você não atendeu, então já fui entrando. – Deu uma mordida em seu sanduíche.

– Por que você está arrumada assim? E seu irmão? – perguntei me ajeitando na banqueta.

– Um: eu estou toda linda e magnífica desse jeito porque vou sair com o Kam e dois: Q saiu, disse que iria caminhar um pouco.

– Primeiramente você está bonitinha, no máximo, dá pro gasto – não liguem, a gente se ama e ela tacou sei lá o que em mim.

– Sabe como isso se chama? I-N-V-E-J-A. – Falou soletrando e não tem como não rir do jeito dela.

– Aliás você nunca me falou dele, do Kam, de vocês dois. Vamos lá, me conte como ele é – eles eram muito fofos juntos, apesar de ter visto eles duas vezes.

– Ah, ele é muito fofo, sabe. Não vou mentir que nunca discutimos, até porque isso acontece mesmo, que casal não briga, não é?! Mas, ai, nem sei como descrever ele, é engraçado, é gostoso – quando ela disse isso fiz um “ui” e ela riu. – Sabe, ele foi um, como posso dizer, um anjo que Deus mandou pra mim. Nunca amei alguém como eu o amo, espero envelhecer junto dele.

– Depois dessa declaração, vou precisar de lencinhos – ela tacou mais alguma coisa em mim que até agora nem sei o que é. – Você sabe que eu te amo e desejo tudo de bom pra você, fico realmente feliz por ter encontrado alguém de especial na sua vida.

Levantamo-nos e nos abraçamos fortemente. Eu só quero o bem dela e do Q também. Falamos mais um pouquinho de coisas aleatórias até que o interfone tocou. Atendi e o Sr. Williams avisou que um moreno e alto  esperava lá embaixo.

– Seu moreno alto, bonito e sensual acabou de chegar – avisei-a e acabamos rindo da minha piada sem graça.

– Muito obrigada cara mensageira, agora me vou – disse pegando sua pequena carteira de mão e guardou seu celular. – Ela deu uma paradinha na porta entreaberta antes de sair e disse:

– Pra não passar a noite sozinha, e já que gamou no senhor Mars, chama ele pra uma festinha particular – falou com a língua de canto da boca e começou a rir gostosamente.

– Ah sua praga, cale a boca e vai logo, antes que o seu morenão resolva sair antes de você – falei expulsando-a do apartamento e fechando a porta.

   Assim que saiu, fui até a cozinha pegar alguma coisa pra comer, peguei uma maça mesmo e voltei pra sala. Intrometendo-me na minha própria história, eu digo que comer é algo divino, eu sei, como bastante mesmo e não nego, mas pelo menos não como nada tão engordativo durante o dia – se bem que essas são as comidas mais gostosas. Ai, vão pensar que sou um trator pra comer desse jeito. Foco na história Emma, foco.

   Bom, onde parei mesmo? Ah, sim. Passei novamente os canais até lembrar que hoje era dia de passar uma das minhas séries prediletas, Homeland. Assisti ao capítulo e assim que terminou dei uma bela bocejada – e olha que meu dia nem foi cansativo e ainda dormi um pouco. Desliguei a TV, apaguei as luzes e fui dormir, na verdade demorei um pouquinho para pegar no sono, fiquei matutando certos assuntos.



  



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Capítulo três

Acordei com uma leve dor de cabeça e com o “furacão Maggie” entrando pelo meu quarto batendo palmas e abrindo a cortina da janela. Okay, eu já acordava com um leve mal humor quando era acordada desse jeito, com dor de cabeça então... Levantei um pouquinho minha cabeça e olhei com os olhos semicerrados para ela, afundei minha cabeça no travesseiro e a cobri com o edredom.
 – Que isso moça?! Já são 12h15, nada de manha e trate de se levantar.
Continuei coberta até a cabeça resmungando baixinho.
– Está com dor de cabeça é? Parece até criança às vezes, espera um pouco que já volto - Maggie me conhecia bem. Senti ele levantar da cama e um tempo depois voltar a sentar-se ao meu lado e puxar o edredom. – Toma. Vai fazer bem, é chá de camomila e aqui tem um analgésico – sorri em retribuição.
   Ela ficou comigo até terminar meu chá. Coloquei a caneca em cima do criado mudo, a dor já havia passado, então me levantei, tomei um rápido banho e me troquei. Fui até a cozinha e encostei-me no batente da porta com os braços cruzados, observando a bagunça dos dois. Eu achava muito linda a relação deles, claro que tinham àquelas briguinhas de irmão, mas eram bastante próximos. Fiquei um bom tempo olhando-os que acabei nem percebendo que dei uma gargalhada alta com alguma coisa que Q tinha feito, então me olharam assustados e depois riram junto.
– A moça finalmente saiu do cafofo – Q falou e mostrei a língua pra ele.
 – Hey Q, onde você se meteu ontem naquela balada, tive até que ligar pra ti? – Perguntei a ele e já colocando um avental e lavando a louça pra ajudar Maggie.
– Ah... Eu... Eu estava... – ele começou a tamborilar os dedos na bancada meio nervoso e tentando achar alguma “desculpa”.
– Ele ficou é afastado no bar só te observando, Emma. Não tirou os olhos de você um segundo. – Maggie falou entre risinhos; e eu? Bem, corei.
Quentin fechou um pouco a cara e tacou um pano de prato em Maggie. É, ele não gostou muito do comentário dela e sumiu da cozinha direto pra sala.
– Meu Deus, coitado do seu irmão, você é má. Nem parece que você é mais velha – falei e ela riu.
– Que foi?! Eu só disse verdades – ela deu de ombros. – Agora me passa o molho que eu preciso terminar esse macarrão, ou ninguém almoça hoje.
   Não posso negar, mal comi pensando na possibilidade de Quentin gostar de mim. Não vou me fazer de santa porque eu já tinha conhecimento disso, mas foi há, não sei,  10 anos atrás?! Sim, ele, hmm, se “declarou” pra mim, em partes, mas se declarou. Não levei muito a sério na época, pra mim ele era/ é como um irmão... Ai senhor, só me faltava essa.
   Depois do nosso almoço tardio – ai, eu minha mania de falar “bonitinho” quando estou nervosa com algo -, eu e Q terminamos alguns projetos e Maggie fico perambulando pela casa.
– Ai, graças a Deus isso acabou, meu cérebro precisa de uma pausa de números, cálculos e tudo mais – falei jogando o lápis na em cima da mesinha de centro da sala.
– Digo o mesmo, capaz de meu cérebro derreter se eu ficasse mais cinco minutos fazendo isso. – Disse ele esticando as pernas no tapete e apoiando os cotovelos no sofá.
 – Falou o super nerd, que sabe de tudo, joga na cara mesmo que você é um gênio em matemática – falei fingindo deboche.
– Você cale a boca. Como você pode ser tão doida e falar coisas sem nexo assim. Você sabe que o que acabou de dizer foi sem nexo, né?
– Não negue Q, você ama minhas falas sem nexo, não negue – revirei os olhos e estiquei minhas pernas também.
– Eu amo? Nossa, não sabia que você mandava em meus sentimentos. Se valha garota, eu não te amo, eu te suporto – falou dando um soquinho em meu braço.
– Ah, então é assim, me suporta... Aham – assim que falei voei em cima dele e comecei a fazer cócegas  - uma tentativa bem falha, já que ele não sente cócegas.
Como dizem, o feitiço virou contra o feiticeiro, eu acabei indo pro chão e ele começou a fazer cócegas nos meu pés, sim, meus pés; eu não suporto isso. Comecei a rir freneticamente, me contorcendo no chão e suplicando pra ele parar, mas ele não parou... Minha gargalhadas só cessaram quando eu o vi caindo com certo impacto para trás. Meu semblante mudou rapidamente de “louca dando risada mais alto uma bateria de escola de samba” para “uma louca assustada e preocupada em ter matado o amigo”.
– Q, meu Deus, Quentin você está bem? – Me ajoelhei do seu lado e ajudei-o a se levantar e sentar-se no sofá. – Q, você está bem?
Ele pareceu um pouco zonzo, depois abriu um sorriso enorme e branquinho pra mim. Palhaço!
– Nossa, ficou toda assustadinha. Que menina bonitinha ajudando o amigo em seu momento mais difícil na vida – já disse que é um pouquinho palhaço?
– Seu cachorro, me assustou sabia?!
– Não tenho culpa se você tem um chute forte. – Deu de ombros.
– Então quer dizer que você não “quase morreu”? – Perguntei bobamente.
– Olha, morrer, morrer não, só senti uma dorzinha na barriga... Mentira, tá doendo ainda. Ai! – Colocou a mão sobre a barriga.
– Ninguém mandou me fazer cócegas, Da próxima vez de deixo agonizando no chão, em meio à sala de estar – falei me levantando para procurar Maggie, que “desapareceu” subitamente. Escutei um risinho baixo e caminhei até o meu quarto a procura da criatura Maggie.
   Olhei e nada dela, fui até o quarto de hóspedes e nada também, O.k, estou preocupada porque passei em frente a cozinha e ela também não estava.
– Q, você viu sua irmã? – perguntei a ele que tinha voltado ao trabalho.
– Ah sim, Maggie saiu, você não viu? – Ele me olhou come se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Assenti negativamente. – Acho que você estava concentrada demais e nem percebeu.
– É, pode ser. E ela disse pra onde iria?
– Encontrar o namorado, bem, namorado. Que interesse súbito no “desaparecimento” dela é esse?
– Que bonitinho você com ciúmes dela – falei apertando suas bochechas e ele se esquivou bufando. – Nossa, bufando desse jeito vai parecer touro de tourada. Vem touro, vem! – Como sou idiota às vezes, quase sempre. Acabamos gargalhando de vez. – E respondendo à sua pergunta, eu precisava falar com ela. E antes que pergunte todo curioso, assunto meu e dela.
 – Ui, que intimidadora – falou e revirei os olhos.
   Fui até meu quarto, calcei só uma sapatilha, fiz um coque meio bagunçado e fiquei com as roupas que estava mesmo. Peguei meu celular, olhei as horas – não estava tão tarde, era dez pras oito da noite – nossa, não tinha percebido nada realmente o que tinha se passado ao meu redor quando eu estava fazendo as contas e os desenhos. Realmente a hora passou voando diante dos meus olhos. Filosofei agora.
   Me despedi de Quentin e peguei as chaves do carro. Desci até a garagem, mandei uma mensagem para Maggie, perguntando onde ela estava e sem muita demora ela respondeu:
“Me encontro aos amaços com o Kam. Mentira, estou com ele, Phil, Ryan e Bruno num barzinho em Venice Beach. Venha pra cá também, te espero. Beijos.”
   Assim que li a mensagem, dei partida no carro e arranquei com ele. As ruas estavam um pouco cheias de carros, mas nada de congestionamento, uns vinte minutos depois cheguei a Venice Beach, não era longe, uns 15 quilômetros do centro de Los Angeles.
   Assim que cheguei, procurei algum lugar para estacionar, logo avistei uma vaga próximo à praia. Deixei o carro ali, liguei o alarme e sim, lembrei que na mensagem Maggie não tinha escrito quer barzinho eles estavam. Isso mesmo Emma, em meio a dezenas de bares você vai realmente saber em qual eles estão, burra! Disquei o número dela e depois do quarto toque ela me atendeu.
 – Oi lindeza da minha vida – disse ela assim que atendeu.
– Obrigada pelo elogio minha fã – falei e escutei uma risadinha irônica dela. – Olha, me ajudaria muito se você me dissesse o nome do estabelecimento em que a senhorita se encontra.
– Ui, que linguagem formal toda bonitinha. Estamos no Sunset.
– Legal, ele está bem na minha frente – falei e nós duas gargalhamos, acabei escutando alguém balbuciar do outro lado da linha. – Chego aí daqui há alguns passos. Beijos. – Desliguei o telefone, atravessei a rua e adentrei ao barzinho.
Olhei por cima e logo avistei eles – se isso significa algo eu não sei, mas meu olhar parou no Bruno. Deus, se isso é pecado, minhas sinceras desculpas, mas eu deixaria ele abusar de mim agora. Ele estava muito lindo. Nem sei de onde esses pensamentos saíam, balancei de leve a cabeça e segui até eles.
   Cumprimentei todos e me sentei entre Maggie e Phil, e de frente para Bruno. Fiz um sinal com a mão e o garçom veio até a mesa, pedi um suco de laranja, já que estava dirigindo, e um lanche de atum porque eu estava morrendo de fome. O Sunset era muito bom, já vim aqui algumas vezes com a Maggie. Ele tinha de tudo, desde sessão de drinks e sucos, até um bom cardápio com porções e lanches – essa era a parte que eu mais gostava, não me julguem. Meu pedido logo chegou e tentei me enturmar na conversa.
***
– O melhor jeito de zoar o Bruno é colocar alguma coisa que ele queira num lugar alto, por mais que tente não alcança. – Ryan falou e todos nós caíamos na gargalhada, menos o Bruno, claro.
– Eu posso ser pequeno no tamanho, mas aqui embaixo já são outros quinhentos meu amigão – foi a vez de Bruno retrucar e a gente rir mais ainda. – Em quem pode afirmar é o Kam, né meu amor – eu não sabia de onde saia mais riso de mim, a minha barriga já começava a doer de tanto rir.
 – Minha nossa, eu namoro um gay. – Maggie falou colocando a mão sobre o peito num gesto de espanto.
– Tá vendo na enrascada que você me mete Bruno, daqui a pouco eu saio daqui com fama de gilete e corto pros dois lados. – Não aguentei, minha risada dessa vez foi bem alta.
– Calma meu lindo, eu continuo te amando do mesmo jeito – Maggie disse. – Mas ele ME ama queridinha – Phil retrucou.
Eu já não aguentava mais rir, quase me afoguei com a água que eu bebia. As pessoas em nossa volta nos olhavam, mas eles nem ligavam. Quando a palhaçada cessou um pouco, cutuquei Maggie e pedi pra ela ir comigo até a área que eu não sabia o nome, mas era um tipo de “refúgio” para respirar um pouco.
– Hmm, desembucha – ela disse assim que chegamos, por sorte só tínhamos nós duas.
– Bem, na hora que eu estava terminando algumas coisas do trabalho, aminha cabeça não estava necessariamente no trabalho. Eu fiquei pensando em algumas coisinhas.


  



  •  Bem, mil desculpas pela demora gente, mas depois que meu curso/trabalho voltou das férias, a escola também. minha vida ficou corrida. E eu também tinha preguiça de postar e falta de criatividade jasghdgsadijas Mas é isso, espero que gostem do capítulo e amnhã tem outro sem falta.
  • Ah! Sem gif, pois é. Além de eu ser ruim pra achar gifs que se encaixem na história, eu não senti necessidade de colocar, mas desculpa.