– Então, vamos dormir na casa
do senhor Bruno Mars? – Pergunto à Maggie enquanto assistíamos algo qualquer na
TV.
Ela me olhou travessa, sinto
medo disso.
– Eu vou passar a noite com
meu boy magia, e você passa a noite com o garanhão lá.
– O que? Você tá maluca ou
quer remédio? Mas nem em sonhos bebê, nem em sonhos... Bem, em sonhos talvez,
mas isso deixamos para lá.
– Que foi, vai dizer que não
gostou da ideia safadinha – diz ela entre risinhos.
– Claro que não. Eu nem
conheço o cara direito, quem conhece é você e eu já chego invadindo a casa dele
– digo um pouco pasma, talvez.
– Ah fofinha, vamos por
etapa: (a) ele mandou a mensagem pra VOCÊ, (b) seria a chance de conhecê-lo e
(c) se ele convidou não seria invasão.
Infelizmente ela tinha razão.
Maggie ficou o dia todo teimando comigo, me pedindo para ir. Eu sou paciente e
ela insistente quando quer, e como paciência tem limite acabei cedendo.
***
– Leve esse casaquinho
também, vai saber se esfria mais amanhã – Maggie fala me entregando um cardigã
preto com bolinhas pretas, do qual eu gostava muito.
– Okay mamãe – falo folgando
em cima dela.
Arrumei tudinho em uma bolsa
pequena, passaria somente uma noite e meia lá. Maggie me deixaria na casa dele
e depois partiria para casa do amado, e Quentin? Bem, não o vi hoje e sua irmã
me disse que ela tinha saído não sei para onde. Quando deu 18h30 em ponto no
meu celular o interfone do apartamento tocou e o porteiro avisou que um rapaz
alto, careca e branco estava me esperando lá fora. Deduzi que fosse o tal de
Dre, o qual Bruno havia mencionado na mensagem.
– Me vou agora – falei para Maggie pegando
minha bolsa no sofá.
– Se cuida e tenha juízo. Te
amo. – Ela fala no meu ouvido .
– Eu também te amo e agora
nós paramos com a melação porque eu estou emotiva hoje – falei e ela sorriu
assim que nos desvencilhamos.
Desci até o térreo e vi uma van preta
estacionada em frente à portaria. O tal homem que o porteiro havia me descrito
estava encostado nela – minha nossa ele é
bem alto e tem uma face carrancuda que me deu medo. Entrei pela porta do
meio e fiquei atrás mesmo, vai saber se
ele é de conversar. Durante o caminho percebi que já estava escuro lá fora,
e que estávamos bem distantes do centro de Los Angeles.
– Desculpa a intromissão na
sua concentração no trânsito – falei colocando minha cabeça entre os bancos da
frente e por incrível que parece ele sorriu de leve -, mas onde estamos?
– É o condomínio onde a casa
de Bruno fica. É um pouco afastado mas garanto que vai gostar, da casa dele dá
pra ver o letreiro de Hollywood – ele falou serenamente, porém com uma voz
grave. É simpático.
Respondi um “Ah!” e voltei a
me sentar, melhor não ser muito saída ou ele vai pensar que sou maluca. Uns
minutinhos depois paramos em frente a um portão preto e grande. Ele pegou uma
coisinha em seu bolso e logo o portão se abriu, portão automático é outra
coisa. Para parecer um pouco criança eu coloquei a cabeça para fora do vidro e
olhei o lugar em que me meti e... Jesus
amado, que casa linda! O jardim da frente é muito lindo, a entrada da casa...
Ai, pareço criança deslumbrada com a Disneylândia.
Ele parou próximo da entrada e abriu a porta
pra mim, que cavalheirismo. O agradeci e bem, ele se foi e eu fiquei parada ali
com a minha bolsa, encarando a casa. Coragem
Emma, isso não é um bicho de sete cabeças. Respirei fundo e caminhei até a
porta, apertei a campainha. É, minhas bochechas já pegavam fogo e vi a porta se
abrindo, ai.
– Emma, não é? – Perguntou e
eu assenti. – Que bom que veio – falou sorridente e me cumprimentando com dois
beijinhos na bochecha.
Ele me deu passagem para
entra e fechou a porta. Se eu já estava impressionada com a parte exterior
imagina a interior, era linda!
– Então, sua amiga não veio?
– Perguntou ele.
– Não, ela preferiu ficar na
casa do namorado vulgo integrante da sua banda – falei e ele riu provavelmente
da minha cara de vergonha.
– Tudo bem. Ah, queira me
acompanhar – disse ele se pondo a minha frente.
– Hmm, é sempre cavalheiro
assim ou está a procura de uma dama – pelo menos falei alguma coisa.
– Não, só testando um novo
vocabulário – nos entreolhamos e começamos a rir, talvez eu tenha rido um pouco
mais, mas o.k.
O acompanhei até um corredor com algumas
portas, ele me mostrou uma e entrei. O quarto era grande, tinha um cheirinho
tão confortável, parece lavanda - como eu
amo cheiro de lavanda – e então ele se foi. Eu sei que passaria somente uma
noite e meia lá, mas preferi arrumar minhas coisinha no roupeiro que havia lá,
é bem melhor do que você ficar caçando tudo dentro de uma mal ou bolsa
qualquer.
Peguei uma tolha branquinha e fofa – parece até que estou descrevendo um quarto
de hotel com significativas estrelas -, separei minha roupa e entrei no
banheiro, limpinho por sinal (sim, eu tenho certa obsessão por limpeza). Como
estava friozinho tomei um banho morno e, aquela água caindo por meus ombros,
descendo por todo meu corpo... Me relaxava de tal maneira.
Achei que já tinha consumido água demais
dali, então saí. Vesti meu pijama de calça comprida e uma camiseta, aliás não
estou em casa pra usar baby doll. Penteei meu cabelo e dei as caras pra fora do
quarto, com certa tensão mas coragem não é?! Já disse que estava de pantufas?
Pois é, elas são bem confortáveis e quentinhas. Caminhei até a sala mas estava
vazia, fui para cozinha e nada também - acho
que isso é uma armadilha pro maníaco da serra elétrica vir me assassinar. Eu
hein Emma, para de pensar caraminholas.
– Perdida? – Percebi sua voz
logo atrás de mim.
– Minha nossa homem, da
próxima vez que quiser me matar, avisa uns segundinhos antes – falei colocando
minha mão direita no peito e apoiando-me na bancada com a esquerda.
– Mas pense, se eu te
avisasse antes não seria um assassinato bem sucedido, você teria a chance de
escapar – ele falou indo para a sala e bem, o que me restava era acompanha-lo.
– Você tem uma grande razão
sobre isso. Porém eu também poderia descobrir alguma pista antes – falei a meu
favor. Sentamos em sofás opostos e ele ligou a televisão, mas me encarando.
– Pelo jeito você é bem
astuta.
– Obrigada milorde – pelo
jeito ele gostava das minhas piadas toscas porque estava rindo.
Alguns minutos de silêncio
por favor, que ele está me encarando.
– Você está tentando flertar
comigo, Bruno? – Perguntei semicerrando meus olhos em sua direção.
Ele apenas se inclinou um
pouco à frente e me olhou bem nos olhos, olha melhor parar por aqui que já tá
me dando medo.
– Eu estou conseguindo? –
Perguntou ele.
– Se me assustar responder a
sua pergunta...
– Você é perversa! – Bruno
relaxou no sofá e rimos juntos.
Já que estávamos um pouco
mais chegados, não seria falta de educação se eu tirasse minhas pantufas e
colocasse as pernas para cima do sofá, é, não seria então fiz isso. Ele também
já estava à vontade.
– Cri cri cri, grilos tomando
conta daqui – ouvi ele falando, mas estava prestando atenção no desenho e por
isso demorei pra responder.
– Hã? Oi? Nossa me desculpa –
dei um sorriso sem graça. – Você já comeu, jantou hoje? – perguntei e ele fez
negativo com a cabeça.
– Então com licença, serei um
pouco cara de pau e vou fazer alguma coisa para comermos porque eu tô morrendo
de fome – calcei minhas pantufas e segui até a cozinha, vi ele me seguindo.
– Só não queime nada – folgou
em mim.
– Falou o chef máster da
cozinha – ironizei. – Todos que comem minha comida deliram de tão boa que é. –
Me vangloriei um pouco, talvez muito. Mas modéstia a parte meu risoto de
camarão é bom.
Perguntei onde estavam as coisas, ele me
apontou o armário todo, me ajudou muito espertão. Não tinha tanta variedade de
coisas, mas besteiras era o que não faltava – e eu gosto muito disso. Passei meu olhos por toda a extensão do
armário e peguei um pacote de macarrão e queijo ralado. Macarrão com queijo?
Não boba, imagina, mais clichês que isso impossível.
Peguei um avental que achei perdido por ali,
vesti-me e coloquei os ingredientes na mesa e os utensílios. Percebi que ele
tomava todos meus movimentos, melhor puxar um assunto.
– Você nem vai querer saber
de outro macarrão com queijo depois de provar o meu – falei e coloquei a língua
pra. Nossa Emma, menos, muito menos.
– Querida,
eu cozinho tão bem que se Oprah Winfrey provar minha comida ela não sai mais
daqui – disse numa voz um tanto quanto afeminada, é.
Eu ri disso. Coloquei o
macarrão para cozinhar e aproveitei para misturar os outros ingredientes em um
recipiente, deixei na pia e me sentei em sua frente até o macarrão terminar de
ferver. Esse é o meu problema, não consigo começar um diálogo decentemente. Mas
o silêncio não me incomoda, talvez o incomode, mas a mim não... Legal, um conflito comigo mesma, parei.
Bruno Pov’s
Eu fiquei bem aliviado por Maggie não ter
vindo, eu sei que ela não vai muito com a minha cara e assim tenho mais espaço
para “caçar”. Emma chegou um pouco nervosa, mas agora parece mais aliviada, à
vontade. Ela é esperta, sabe quando alguém quer com ela e, não aparente querer
algo sério logo de cara, meu número! Nosso papo até agora não foi tão
motivador, meia dúzia de palavras, o que me mostrou que ela não é qualquer uma
– isso também dá na cara. E é divertida.
Ela foi até a cozinha preparar algo para
comermos, o que eu agradeci profundamente por isso porque eu estou varado na
fome. Eu fiquei reparando em seu rosto, corpo, ela é muito bonita, é meio
magrela, mas ao mesmo tempo gostosa não sei explicar, é alguma coisa que me
atrai.
Emma Pov’s
O macarrão ficou pronto, joguei a mistura
por cima e coloquei no forno para o queijo gratinar e o molho cozinhar também. Depois
de vinte minutinhos ficou pronto, retirei o refratário do forno e coloquei
sobre a bancada. Bruno pegou os pratos e os talheres.
–
Tá com uma cara boa, o cheiro está bom, espero que o gosto também, porque né –
disse ele já se servindo.
–
Hey, damas primeiro. E meu macarrão é divino tá.
Ele
nem me deu ouvidos, se sentou onde estava mesmo e atacou o prato, quase que
literalmente.
–
Ficou bom? – Perguntei depois da minha primeira garfada.
Bruno
limpou sua boca no guardanapo, encostou na banqueta e estufou a barriga como se
tivesse bem cheio, eu acabei rindo pra variar.
–
Emma, se quiser virar minha cozinheira eu te contrato porque está muito bom.
Minha nossa vou vomitar o que comi só pra comer mais.
–
Sai pra lá nojento – falei e rimos juntos.
–
Sai pra lá nada, vou comer mais – falou ele. – Você deveria comer mais também,
comer faz bem pro estômago – nem preciso comentar que eu ri.
Acabei
repetindo meu prato mais uma vez. Lavei a louça e Bruno bem prestativo me
ajudou secando-a e guardando. Olhei no visor do meu celular e marcava 21h27,
pra mim ainda estava um pouco cedo, sentamos na sala novamente e o vi mexer em
uma pilha com cinco dvd’s.
–
Pode escolher, eu deixo. Mas só hoje porque é promoção – nossa que palhaço. Se
virou para mim segurando os cinco dvd’s nos braços.
–
Hmm, pode ser O Livro de Eli? – Falei e ele assentiu.
Colocou o filme e se sentou – na verdade se
jogou – no mesmo sofá em que eu estava, menos sútil impossível. E o filme
começou. Ele se trata basicamente do mundo depois de uma guerra mundial, que
acabou com o mesmo... Essa será a minha única informação do filme, porque eu
amei, e falo tanto que posso acabar contando o filme todo. Pra quem ficar
interessado em assistir eu recomendo, e você entenderá que livro é esse.
Acabei cochilando bem no final do filme,
tudo bem, eu já havia assistido. Acordei com a TV em standby. Minha situação atual não é a mais confortável.
Eu estou sentada meio de lado com as minhas pernas próximas do meu corpo, e
minha cabeça ligeiramente jogada no encosto do sofá. Bruno? Ele está bem... Bem
apoiado em mim, ocupando o sofá todo e sua cabeça na curva do meu pescoço. Que coisa mais fofa.
–
Bruno? Bruno... – Chacoalhei sua cabeça levemente e ele somente resmungou
baixinho. – Acorda vagabundo, não sou encosto pra dorminhoco! – Fui um tanto
quanto mais bruta fazendo-o acordar de supetão.
–
Sutileza maravilhosa a sua – disse esfregando o dorso de suas mão nos olhos
para despertar.
–
Se o urso não tivesse hibernado amontoado em cima de mim, nada disso teria
acontecido.
–
Olha, eu estou sério por fora, mas estou rindo tanto por dentro que você nem
tem noção – ironizou e ri baixinho.
–
Okay coleguinha, agora vamos dormir – me levantei do sofá e segui para o
quarto. – Boa noite.
Escutei um “boa noite” dele e entrei no quarto.
Peguei uma coberta e me aconcheguei na cama quentinha. Pronto, me desliguei do
mundo