sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Capítulo treze

   Cheguei ao aeroporto de Virgínia as 15h08. Meu Deus! Charlottesville parece menor do que é com essa neve.
  
   Paguei o táxi e o motorista me ajudou com a mala. Cacei a cópia da chave de casa e torcendo para não terem mudado as fechaduras. Nem precisei da chave, na verdade, apenas entrei pela porta que estava meio aberta. A casa não mudara nada, estava tudo com aparência de ter sido limpa recentemente. O cheiro de lavanda do desinfetante ainda estava fresco.

   Passei pela sala deixando minha mala e minha bolsa ali. Fui até a lareira e reparei nos porta-retratos, continuavam os mesmos com exceção de dois em que minha mãe estava sentada na maca do hospital. Eu sentia tanta falta dali que me vi obrigada a olhar até o armário dos casacos. Subi as escadas e caminhei até o quarto de minha mãe, estava recém-arrumado. Fui até meu quarto e estava arrumadinho também, tomei a liberdade de me sentar na cama e olhar todas as coisas. Passei meus olhos pela penteadeira sem muitas coisas, já que havia levado embora na época da faculdade, mas ainda tinha uns dois portas joias. Meus vinis ainda estavam arrumados junto da vitrola na prateleira perto do guarda-roupa, e os dois pôsteres do Bruce Springsteen estavam ainda colados em cima da cabeceira da minha cama. Caramba! Parecia que ninguém havia entrado ali desde 2000. Aquilo era pura nostalgia, e eu não estava afim disso agora.

   Desci as escadas e caminhei sorrateiramente até a cozinha e vi um homem virado de costas e lavando algo na pia. Cheguei atrás dele e disse um “Buu”. Bem criança mesmo. Ele se virou e olhou assustado para mim, e ficou com essa aparência até cair a ficha dele que eu realmente estava ali.

– Emma, minha nossa. Não acredito nisso. – Ele abriu um sorriso imenso e me abraçou.

– Pois acredite Jimmy. – Disse enquanto o abraçava.

Desvencilhamo-nos e por uns minutos ele ficou me encarando, incrédulo talvez.

– Desculpa a minha surpresa toda, mas achei que viesse um dia antes do Natal.

– Pois é, mas acabei antecipando o voo e resolvi não contar nada para fazer uma surpresa. Pelo jeito deu certo.

– Com certeza – concordou ele seguido de um sorriso.

– Aliás, a porta da frente estava quase escancarada. Entrei, deixei minhas malas e olhei a casa toda praticamente. Se eu fosse uma ladra já poderia ter feito uma limpa aqui, sem contar que se tivesse uma tempestade de neve, essa casa e você já estariam congelados – comentei e ele soltou uma gargalhada gostosa.

– Realmente, mas Charlottesville tem um caso de assalto a cada cinco anos, então... – Tive de concordar e rimos juntos.

– Você deve estar com fome, quer que eu prepare algum lanche?

– Lanche é sempre bem vindo – escutei sua risada abafada enquanto se abaixava para pegar algo na geladeira.

O vi colocar umas torradas na torradeira e colocar a jarra com suco de laranja na mesa. Ele pegou a frigideira e colocou umas fatias de queijo para esquentar.

– Jimmy, não precisa sujar a frigideira que você acabou de lavar, não é.

Ele se virou para mim mas ainda cuidando do queijo ali para não derreter:

– Emma, eu não lavo tantas louças desde que sua mãe está no hospital. Lavar isso aqui de novo não vai me matar.

Jimmy colocou o queijo quente ao lado das torradas no prato, depois me serviu um copo com suco e o agradeci.

– E como está mamãe? – Perguntei entre mordidas.

– Pior. – Seu olhar ficou baixo e sua voz perdeu toda aquela alegria. Eu já esperava por isso.

– Como ela é alegre diz que está bem para não nos preocupar – ele assentiu. Isso era típico da Sr.ª Kate.

– Charlie está aqui?

– Sim. Ele ficou com Kate enquanto eu vim para cá dar uma arrumada e fazer um lanchinho. Sabe como é, comida de hospital é sem graça – soltei um riso baixo.

– Mary – argh! – Também veio? – Perguntei e fiz um gesto como se fosse vomitar, Jimmy soltou outra gargalhada.

– Infelizmente sim. Mas não se preocupe, enchendo o saco dessa vez ela não está.

   Depois do lanchinho, Jimmy voltou para o hospital e fui arrumar minhas coisas no quarto. Separei uma muda de roupa e corri para o banheiro que tinha no quarto, liguei o chuveiro e deixei a água esquentar porque o frio estava grande. Fechei o box de vidro e logo o vapor o umedeceu. A água quente escorria por meu corpo me deixando mais relaxada e quentinha. Acabou vindo a tona tudo o que me aconteceu nesses últimos três anos, a minha mãe descobre que está doente e vai pro hospital. Eu me mudo para Califórnia por uma proposta de emprego boa, mas a minha cabeça continua preocupada aqui. Quentin se diz apaixonado por mim, porém arruma outra paixão muito rapidamente – isso parece suspeito, mas deixa pra lá -, Maggie namora um cara de uma banda de um cantor famoso e eu acabo na cama com o cantor famoso – não que isso tenha sido ruim. Falando nisso, ele deve ter me respondido e eu deixei o coitado falando com o nada. Fechei o registro do chuveiro e me enrolei no roupão. O vapor da água saiu comigo assim que abri a porta, enrolei uma toalha no cabelo e vesti uma calça jeans, uma blusa de manga comprida bem “fofinha”, enrolei o cachecol no pescoço e calcei minhas botas.

   Peguei meu celular na bolsa e tirei do modo avião. O bip de mensagem soou, abri a caixa de entrada e havia mais duas mensagens. Maggie e Bruno. Respondi ela, dizendo que já havia chegado e que não precisava se preocupar, logo ligaria para ela, li a mensagem de Bruno acabei rindo dela:

“Ah, claro. Mas eu queria ser educado senhora matematicamente precisa em datas. Enfim, Virgínia? Que legal. Foi visitar a família?”

Olhei o relógio e peguei meu sobretudo, calcei minhas luvas e minha touca; era melhor sair agora antes que o horário de visita acabasse. Fui a pé mesmo, não nevava agora e a neve nas calçadas era pouca. Acho que alguém jogou sal nelas recentemente.

   A recepcionista me deu um crachá e subi até o quarto onde minha estava. Em seu leito estava Jimmy sentado numa poltrona e segurando sua mão, de costas para mim estava Charlie e, infelizmente, Mary. Entrei bem devagar parecendo uma criança, cheguei bem na frente da sua cama e gritei – não literalmente, se não uma enfermeira me tiraria à força de lá – um “surpresa”, minha mãe, ou melhor, Charlie e Mary me olharam surpresos. Um Sorriso enorme se abriu automaticamente em meus lábios assim que Kate sorriu em meio aqueles caninhos que penetravam sua pele.

– Você quer me matar do coração antes mesmo do câncer? – Disse ela ainda me abraçando.

– Kate, você continua incrivelmente cômica com seu humor perverso. – Falei rindo junto dela.

Mamãe afagou meus cabelos e a abracei novamente. Depois cumprimentei Charlie com um abraço chocho, apenas disse “Mary” e ela disse “Emma” com sua voz entojada.

– Hum, alguém aceita um café? É por minha conta – Jimmy falou se dirigindo aos outros acompanhantes. 
Olhei para ele que me deu uma piscadinha.

Ele desceu com os dois me deixando a sós com minha mãe.

– Você está tão linda – o sorriso fraco permanecia em seu rosto.

– Obrigada. Esse lenço ficou maravilhoso em você.

– Bondade sua, mas que eu estou linda eu estou – seu riso saiu fraco, porém contagiante. – Como estão as coisas em Los Angeles? E Maggie e Quentin?

– Ah mãe, estão caminhando. Maggie está namorando um músico, ele toca na banda do Bruno Mars, e 
Quentin está num rolo com uma menina lá da empresa.

– Maggie se deu bem, ela é uma boa menina, e Quentin não ficou com você? Que absurdo.

– MÂE! – A repreendi e ela riu gostosamente.

   Dona Kate caçoou um pouco mais de mim, conversamos sobre a nossa vida nesses três anos, os amores e desamores, as alegrias e tristezas... Tudo que tínhamos direito. Jimmy passou pelo quarto rapidamente e disse que conversou com a coordenação, se eu quisesse poderia passar a noite lá, obviamente eu aceitei. Como a minha memória é meio falha, só agora acabei de lembrar em mandar uma resposta para Bruno:

“Pense por um lado, enquanto eu sou matematicamente precisa em algumas coisas, você adora fazer perguntas. Estamos praticamente no mesmo páreo”.

Uns minutos depois veio sua mensagem:

“Creio eu que pessoas curiosas e pessoas precisas estão um pouco longe de estar, bem, em perfeita sintonia”.

Sorri com sua resposta. Bem, acho que meu pensamento sobre ele pode ser um famoso que não sabe nem quanto é 1+1 estava errado.

– Hum, está de paquera com um gatinho? – Mamãe perguntou curiosa ainda olhando pra televisão, onde passava o noticiário local.

– Mamãe, paquera e gatinho são palavras que não usamos na mesma frase há uns 20 anos.

– Querida, caso queira se jogar dessa janela, fique a vontade – ela falou num tom doce e rimos juntas. Digitei outra mensagem para ele.

“Realmente, mas isso também não impede de entrarem em um acordo”.

“Emma, pare de flertar comigo. Agora preciso ir, tenho que arrumar umas coisas por aqui e talvez aí esteja um pouco tarde por conta do fuso horário. Beijos”.

Tecnicamente não era tão tarde assim, aqui você conta +3 horas, mas enfim, não iria ficar explicando isso ou ele me acharia bem estranha e “matematicamente precisa”. Olhei para minha mãe e ela me olhava maliciosamente. Dona Katherine e seus pensamentos não publicáveis antes das 23h00.

– Não mãe, não estou namorando e nem transando via mensagem de texto, se isso é possível.

– Querida, não seja precipitada. Só queria saber quem é o gatinho – ela riu. – Poupe sua mãe da curiosidade... Arf... Pode me passar a cânula, por favor? – Peguei a cânula que estava pendurada próxima a sua cabeça e ela a ajustou em seu nariz. – Voltando ao assunto me diga, qual o nome dele?

Kate não iria esquecer tão rápido desse assunto, então era melhor contar a ela mesmo eu não tendo nenhum relacionamento concreto com Bruno. Peguei meu celular e selecionei uma música para tocar.

– Essa música é contagiante – ela fez uma dancinha sentada na cama. – Não é daquele cantor, o... Bruno Mars?! – perguntou e assenti. – Espere um pouco senhorita Emma Grace Carter, esse é o seu gatinho? – olhei para ela que me encarava incrédula.

– Se com gatinho você se refere a conhecê-lo numa balada, já que a amiga da sua filha namora um cara da banda do dito cujo, depois passa uma noite na casa dele e alguns dias depois eles saem para jantar e acabam transando, sim, ele é meu “gatinho”. – Falei gesticulando as aspas. Ela me olhou séria por um momento e depois gargalhou.

– E ele é bom de cama?

– Ah Kate, você não perguntou isso – coloquei o rosto entre as mãos um pouco envergonhada.

– Me desculpe querida, não foi minha intenção.

– Sínica – falei fazendo-a rir. – E sim, ele é bom de cama.

Ela me olhou de forma maliciosa e rimos juntas. Ela é pior que criança.

– Bem, depois desse momento “cliente”, você falou com seu pai?

– Ainda não.

– Ah Emma, você sabe...

– Mamãe, eu sei que a senhora gostaria que fôssemos como antes, mas não dá. Ele é indiferente para mim e foi opção dele também ser assim. Não vai ser agora que Charlie e eu ficaríamos bem um com o outro.

Ela me olhou meio triste, mas também sabia que eu e Charlie não voltaríamos ao que era antes.

– Eu entendo minha filha, e respeito sua opinião também, enfim. Só seja legal com ele.

– Eu serei.

Depois disso eu me acomodei na poltrona para assistir a tevê. Os olhos dela foram cedendo ao sono gradativamente até adormecer. Infelizmente com aquele barulhinho da máquina o sono demoraria a chegar para mim.











quarta-feira, 2 de julho de 2014

Capítulo doze

   Estou oficialmente de férias... E em um aeroporto. Irei passar duas semanas em Virgínia, ver minha mãe e matar a saudade. Fazer uma poupança é um bom plano. Antes de ontem saímos em casal, Quentin e Abbie, Kam e Maggie, Phil e Urbana e eu e Bruno, que tecnicamente não é um casal. Fomos a um Pub em San Diego, nos divertimos e acabei na casa do Bruno. O final vocês já sabem. E não, eu não sou garota de programa.

***

– Para de ser melodramática – falo em tom de brincadeira.

– Você não é de chorar então deixa que eu choro por você – Maggie diz me tirando um sorriso.

– São só duas semanas, passa rapidinho, você vai ver – digo confortando-a, seguido de um abraço apertado. – Q... – dei uma corridinha até ele lhe abracei fortemente. – Cuide bem da sua irmã ou te boto pra fora daquele apartamento, sem dó nem piedade – acabo rindo de mim mesma, assim como ele.

– Saiba que sentirei falta de você um pouquinho, assim, bem pouquinho.

– Idiota – coloco minha língua para ele e escuto a chamada do meu voo.

   Um pouquinho mais de choradeira e despedida e então passo pelo portão de embarque. É a terceira vez que saio da Califórnia de volta pro meu “lar, doce lar”, mas dessa vez é tão... Diferente. Talvez seja por eu viajar sozinha - das outras vezes somos nós três juntos. Entrei no avião, guardei minha bolsa de mão no compartimento e sentei na poltrona da janela. Antes que me esquecesse, coloquei meu celular no modo avião, pluguei meu fone de ouvido e deixei as músicas tocarem aleatoriamente. Nas poltrona do meio sentou uma menina serelepe e na da ponta uma moça de uns trinta e poucos anos, muito bonita. Elas se acomodaram, entraram as últimas pessoas no avião e o comandante nos avisou que iríamos decolar. Adeus Los Angeles por duas semanas.

– Oi – disse a menininha me olhando com um sorriso no rosto e apoiada no descanso de braço.

– Oi – falei me ajeitando na poltrona.

– Addie, não perturbe a moça – sua mãe deu-lhe um sermão, mas um sermão com a voz serena. Por um instante lembrou-me minha mãe.

– Ah, tudo bem. Não está me perturbando não – dei um sorriso sem mostrar os dentes para ela que me retribuiu. – Então Addie, você não tem nenhum pouquinho de medo de avião? – perguntei a ela. O avião já havia decolado.

– Beeem pouquinho. E você?

– Beeem pouquinho também – falei e ela soltou um riso contagiante. – Quantos anos você tem?

– 6 anos – disse mostrando seus dedinhos. – E você? Sabe o que vou fazer em Nova York? – Perguntou-me com um sorriso de orelha a orelha.

– Tenho 28. E o que você vai fazer?

– Encontrar meu papai. – Assim que ela diz percebo o brilho se formar nos olhos de sua mãe – Meu nome é Adeline.

– Um nome muito lindo como você – ela agradeceu com vergonha e se acomodou na poltrona. Logo pegou no sono.

– Faz um ano que o pai dela foi para lá, por causa da empresa e tal. A propósito, sou Nancy – disse sua mãe.

– Prazer, Emma. Ela é bem espontânea – comento sobre sua filha.
– Ela puxou o pai, fala com qualquer pessoa, e como ela diz, “que tem um rosto amigável” – demos um riso baixo para não acordá-la.

– Bem, fico lisonjeada por ter um rosto amigável – comento.
Conversamos mais um pouco até que cada uma se ajeitou para dormir. Dei play nas músicas e apaguei.

***

   Acordei um pouco antes de o avião pousar. A dupla dinâmica ao meu lado também havia acordado. Demos bom dia umas as outras e assim o avião pousou. Peguei minha bolsa de mão, quando chegamos à sala de desembarque, Addie deu uma corridinha até mim e me abraçou e me deu um beijinho na bochecha. Um belo sorriso bobo sem sobre de dúvidas surgiu em meus lábios.

   Bem, eu estava morta de fome, o que não é novidade, então parei em uma lanchonete de taco’s – com seu incrivelmente nome original “Taco’s”. Peguei meu celular na bolsa e desativei o modo avião, logo a musiquinha de mensagem soou. Deslizei meu dedo indicador sobre a tela, fui até a caixa de mensagens e haviam 4 mensagens.

A primeira e a segunda mensagem eram de Maggie, demonstrando todo seu amor e carinho, que ultimamente andam excessivos, de um jeito maluco. Q me mandou uma também, basicamente reclamando de Maggie e mandando um abraço para minha mãe e a mãe dele. Já a última me surpreendeu, de certa forma. Era de Bruno.

“Soube que você viajou, legal. Caso eu esqueça, é melhor já te desejar um ótimo Natal e Feliz Ano Novo. A propósito, pra onde você viajou?”

Achei legal da parte dele ter mandado a mensagem, mas eu não cogitava a hipótese de ser amiga dele ou “affair”. Tá, talvez ele não queira nem um nem outro, está sendo somente um cara legal e educado, então o respondi.

“Apesar de estarmos há 6 dias do Natal e há 12 do Ano Novo, eu te agradeço e te desejo tudo em dobro haha. E no momento estou no aeroporto internacional de Nova York esperando meu voo para Virgínia.”

Deixei o celular sobre a mesa e terminei meu lanche. Caminhei até a sala de embarque novamente antes que eu acabe perdendo o voo. Ainda faltava 40 minutos para embarcar, então peguei meu exemplar de O Conde de Monte Cristo e aproveite para terminar de lê-lo.

   Os minutos correram rápidos, parece que lendo ele corre extremamente mais rápido. Ou talvez seja impressão minha por “mergulhar” na leitura. Enfim. A voz feminina soou pelo alto-falante anunciando meu voo, fiz todo aquele processo até o avião, me acomodei na poltrona – que dessa vez ficara perto do corredor - , e dois homens já estavam sentados. O que estava sentado no meio sorriu educadamente para mim, já o do canto lia uma revista e não ligava mundo ao seu redor. Eu não tinha um pingo de sono, já que havia dormido praticamente o último voo todo e não tinha levado outro livro pra ler, me restou então selecionar algumas músicas para ouvir novamente e ficar olhando pro incrível e arquitetônico avião. Isso me fez pensar quantas músicas eu tinha ali e nem sequer ouvia ou gostava mais.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Capítulo onze

Sinceramente? Acordei leve.

   Bruno foi embora depois do meu banho. Ganhei outro beijo dele. Se eu me senti usada, como “uma rapidinha” naquela noite? Não. Foi apenas sexo sem compromisso, quem nunca saiu, conheceu um cara ou uma garota, rolou uma química ali e depois transaram que atire a primeira pedra. Estou feliz pela noite passada e por saber que essa é a última semana de trabalho, depois FÉRIAS! Eu preciso.

   No almoço com Maggie, notei que estava apreensiva. Contou-me que o aluguel do galpão de sua floricultura aumentou, e o entregador se demitiu faz uma semana – e ela nem me contou -, deixando ela na mão e sem entregas, sem clientes.

– Maggie, não precisa se preocupar. Quentin ganha bem lá na companhia, e você também com sua floricultura. Sem contar que moram só vocês dois e ainda sobra uma grana boa.

– E você que vive sozinha então – ela diz e caímos no riso. – Claro, claro, porém eu mando uma quantia pra ajudar no tratamento da minha mãe – digo e ela faz um positivo com a cabeça.

– Pensa bem, o galpão onde você trabalha não é tão equipado para a sua necessidade e ainda aumentou o aluguel... Acho que você poderia alugar ou até mesmo comprar um melhor, e pagar até mais barato – falo dando um gole em meu suco de goiaba.

– Emma, você é uma gênia! – Segura meu rosto e me dá um beijo na bochecha,

– É? Eu sou? – Falo de um jeito sonso e ela me dá um tapinha no braço, rindo.

   Por fim de nossa discussão, ela decidiu comprar um galpão, o que eu seria melhor já que seria dela. Nada de preocupação com aluguel e danos, essas “baboseiras”. Antes que eu me esqueça, ela deu a ideia de eu vender meu apartamento, seria uma conta a menos para pagar, ou seja, o condomínio. A ideia de morar com ela e Quentin me deixa feliz e desconfortável ao mesmo tempo. Feliz por morar com eles, e com o dinheiro que sobrasse ajudaria de qualquer forma no condomínio deles e aumentaria a quantia para mandar para minha mãe. Mas desconfortável pela falta de privacidade, não posso negar. Quando chegamos aqui eu que tomei a decisão de ter um apartamento só meu, e agora me desfazer assim... Não sei.

   Enfim, isso é assunto que se pode adiar.

   Já mencionei que é a minha última semana de trabalho? A felicidade anda batendo em minha porta por isso. Não que eu odeie trabalhar, mas uma folga é sempre bem vinda. Minha magnífica folga de um mês. Logo mais cedo recebi uma mensagem do Bruno, dizendo que estava embarcando para Nova York para divulgação do seu novo álbum. Eu achei legal ele ter me avisado, mas por quê? Talvez eu sou tão boa na cama que ele se apaixonou, mas é uma hipótese bem idiota. Porém pode ser o começo de uma amizade... Isso soa engraçado se pensar pelo lado “transamos, agora viramos best friends forever”. Que seja.

***

– Maggie agora só vive atrás da sua cara metade – bufo e Q ri baixinho.

– Não pode culpá-la. Finalmente ela encontrou alguém que ela goste e faz bem a ela – ele diz sereno.

– Com a diferença de que ele faz parte da banda de um cantor famoso – viro-me no sofá e o encaro.

No momento eu estava abusando da boa vontade de Q deitada com a cabeça em seu colo. O cafuné dele é maravilhoso.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Mas acabou de fazer – Q debocha da minha cara e reviro meus olhos. – Claro que pode – fala entre risinhos.

– Aquela história toda de você ser apaixonado por mim era realmente verdade?

– Sim. Mas porque da pergunta?

– Bem, depois que eu “te dei um pé na bunda”, - gesticulo as aspas – pensei que nunca mais olharia na 
minha cara.

Ele me olha do jeito mais doce possível, esse é um ponto do qual gosto nele, sabe? Não tem melhor amigo melhor que ele. No meu ponto de vista, claro.

– Vejamos – ele para um minuto. – Emma, eu te amei platonicamente durante o colégio até àquele dia, mas no começo era um amor muito grande que não conseguia te contar. O tempo foi passando, você conheceu pessoas, eu conheci pessoas... Até que me conformei. – Pensei em dizer algo, mas seria algo muito idiota para se dizer, então o deixei continuar. – Foi como se o amor, tipo, se apagasse gradativamente. No dia do “meu surto de ciúmes” eu agi sem pensar e ao mesmo tempo pensando, pois o que eu teria de perder naquele momento? Uma resposta eu já tinha, o Não.

– Q...

– Calma, calma. Deixe-me terminar. – Me sentei com as pernas em cima do sofá, próximas de mim e ainda prestando atenção nele. – Ficamos um tempinho se nos falar, sem nenhum contato, nesse meio tempo Maggie conversou comigo até que Abigail chegou ao escritório – nesse momento meus olhos brilharam e eu sorri feito boboca.

– Eu poderia chorar agora pelo que me disse, porque foi a coisa mais cute cute do mundo – segurei em sua bochecha do mesmo jeito que uma tia chata faz com o sobrinho. – Mas no momento eu estou muito feliz por você ter largado do meu pé e se apaixonado pela Abbie, u-hu.

Terminei de falar e ri algumas vezes, principalmente pela cara de vergonha dele, a qual é engraçada.

– Legal, agora me conta?

– Contar o quê?

– Como a Abbie é, como vocês são, essas coisas básicas para eu saber se ela é um bom partido pra você – digo convicta e ele gargalha.

– Isso é papel da minha irmã – retruca ele.

Elevei minha mão ao peito como se estivesse chocada.

– Quer dizer que não me considera sua irmã?

– Acho que não é normal ter uma queda pela irmã.

– Sério que você ainda tem uma queda por mim?

– Emma, o primeiro amor a gente nunca esquece.

– Eu já disse que você é uma das pessoas mais fofas desse mundo... Mas agora você tem uma namorada, não oficialmente, e tem que parar de olhar para minha bunda – digo e ele começa a rir.

– Claro, claro. Não se preocupe, eu te amo como uma grande irmã agora.

   Eu literalmente me joguei em cima dele, para dar um abraço de urso que acabou no chão e uma mistura de gritos e gargalhadas. Fofuras a parte, fiquei feliz em ter esclarecido nossa situação, um esclarecimento rápido, mas o que importa é que nos esclarecemos. A palavra esclarecer é engraçada e legal de se dizer, no meu ponto de vista, claro.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo dez

   Acho que fiquei em transe até entrar em meu quarto e pensar “Olha o que eu fiz!”. Tratar um beijo como o maior pecado do mundo não é a melhor ideia, mas eu estou tratando dessa forma. Ah não, não sou de me apaixonar a primeira vista e todo esse melodrama, somente essa coisa toda de “astro” “famoso” e seja lá o que for me assusta, de certa forma. Parando para pensar, como eu o conheci mesmo? A vida é uma loucura mesmo, quanto menos você espera algo, o algo acontece.

   Ficar jogada na cama olhando para o teto é tão reflexivo que somente agora percebi a campainha tocar, talvez pela milésima vez. Levanto-me e descalça vou atender a porta, esperava qualquer outra pessoa, até a senhora Johnson – minha vizinha da frente e bem barulhenta -, menos ele. Nossa, até parece que ele não poderia vir aqui, inteligência rara a minha.

- Oi. Posso entrar? – Pergunta ele.

Dou passagem a ele como um sinal de “sim”.

– O que devo dessa ilustre visita... Já que nos vimos há uns 15 minutos – digo ironicamente.

– Como posso dizer... – resmunga. – Creio que precisamos esclarecer algumas coisas. O olho com cara de dúvida, então na dúvida...

– Não entendi, mas adorei – falo seguido de um riso estridente. – Okay, parei com as piadinhas infames, prossiga.

Bruno soltou uma risada bem mequetrefe e veio se aproximando de mim, assim mesmo, na cara dura. Eu já imaginava o que ele tinha em mente, assim deixei estar. Segurou-me pela cintura e me encorou nos olhos.

– Eu imaginava algo mais surpreendente, do tipo “Enquanto eles conversavam o caro rapaz a interrompe com um beijo desentupidor de pia”. – Consegui acabar com o restinho do clima que tinha ali, é, eu sou complicada. Ele me olhou e começou a rir, se desvencilhando de mim.

– Pelo menos tentei, não é?! – Diz rindo novamente.

– Sim.

Ficamos nos encarando por um tempinho.

– Eu deveria te beijar.

– É, deveria – falo e Bruno prontamente me segura pela cintura novamente. É incrível como eu fico mais, digamos, “fogosa” perto dele. Eu hein!

   Em questão de segundos nossos lábios se juntaram. Sua língua tocou minha boca como pedido de passagem – “pedido de passagem” parece até que estou falando de passagem para metrô, ônibus...Nossa, melhor parar com esses trocadilhos imbecis. Sua mão repousou em minha nuca, por baixo dos cabelos e segurando um pouco deles, enquanto a outra pressionava minha cintura.

– Hey, acho melhor você e o carinha aí embaixo se acalmarem.

– Vai. Acabar. Com. O. Clima. Justo. Agora? – Diz entre beijos alternados pelo meu pescoço e boca.

– Você joga bem sujo, sabia?!

Me olhou e deu um sorriso safado. Saímos da sala e de encontro ao meu quarto, entramos separadamente e ele logo tirou sua camisa jogando-a em qualquer canto.

– Rápido você. – Falei tirando minha blusa assim como ele.

– Você também não é lenta – foi aproximando-se de mim e me deu um beijo, assim “caímos” na cama.

Bruno ficou por cima de mim, seus lábios percorriam minha nuca causando-me arrepios espontâneos. Virei me deixando ele por baixo e “sentando” em seu colo. Com jeitinho fui tirando minha calça e toquei-a pelo chão do quarto.

– Essa é a sua melhor lingerie? – Bruno pergunta me olhando. Realmente meu sutiã rosa bebê não ornava com a minha calcinha cinza.

– Não tenho culpa se saio com a intenção de jantar e não de transar... Ah, sério que você liga para isso no momento?

– Só tentei descontrair.

– Ah claro, na hora “H” é o melhor lugar para descontrair mesmo – digo debochadamente. Ele me vira ficando por cima novamente.

– Então paramos com a palhaçada agora. - E foi assim que eu recebi um beijo sem perceber que meus seios já se encontravam a mostra.

   Sua língua percorreu um caminho até meus seios, e o abocanhou. Enquanto dava leves mordidinhas em meu seio direito, fazia massagem com a mão em meu seio esquerdo. Meus mamilos já estavam rígidos mostrando minha excitação. Ele se levantou um pouco e com certo custo tirou sua calça, mostrando sua cueca boxer preta com extremo volume. Instintivamente mordi meu lábio inferior.

   Seu peitoral não daqueles definidos extremamente, é normal e eu gosto assim. Nunca gostei de cara bombado. Aproveitei para pegar uma camisinha em meu criado mudo e lhe entreguei. Talvez ele tenha ficado com vergonha, virou-se de costas, tirou sua cueca e colocou a camisinha em seu membro. Ainda “no comando” tirou minha calcinha e se encaixou entre minhas pernas, eu pedia encarecidamente – em meus pensamentos, claro - para tê-lo dentro de mim , até que foi.

   Eu já estava lubrificada naturalmente, então foi rápido e prazeroso. Abri minha boca em um gemido oculto, seu dedo indicador parou em minha boca como se pedisse para ficar quieta. Suas estocadas foram ficando rápidas conforme o tempo.

   Aquela posição estava um pouco desconfortante para mim, assim elevei meu tronco para frente e fazendo-o se virar e deitar-se na cama. Posicionei minhas pernas pela lateral de seu corpo e com a ajuda de minha mão penetrei seu membro em mim. Eu podia ver suas mãos agarrando os lençóis e seus olhos fechados. Dei uma fisgada em meus lábios enquanto rebolava em seu colo. Eu sentia o meu corpo dar leves estremecidas avisando que meu ápice estava próximo, e com mais algumas rebolas meu corpo se estremeceu por completo, aquela sensação de alívio e prazer havia tomado conta de mim por completa. Não demorou muito e observei a feição e as mão de Bruno relaxarem, aquela sensação havia chego para ele também.

   Tombei para meu lado na cama e comecei a fitar o teto, um leve sorriso formara sobre meus lábios. Dei uma breve olhada para o lado e ele também encara o teto, assim se pronunciou:

– Você mandou bem – sua voz soava ligeiramente ofegante.

– Não costumo decepcionar – digo convencida e escuto seu riso.

Vi ele virando seu rosto para mim, assim fiz também.

– Acho que preciso de um banho.

– Eu também. Não tenho roupas masculinas em casa.

– Tudo bem, eu repito a mesma que eu estava que no caso está em algum lugar do chão.

– Tudo bem – digo dando de ombros. – Talvez há essa hora sejamos as únicas pessoas de Los Angeles a conversar nus, e sem nada para cobrir nossas vergonhas, depois de uma transa.

– Há a hipótese de que em algum motel da Califórnia haja um casal nesta mesma situação.

– Realmente... Pode ir primeiro para o banho, eu espero. E... Joga isso bem direitinho no lixo – aponto para a camisinha com certo nojo. Ele olha e começa rir da minha cara.

   Me enrolei no lençol e o observei caminhar até o banheiro, com uma manta enrolada em sua cintura. De uma coisa eu tenho certeza, nunca senti algo tão bom quanto com ele no quesito “cama”.

   

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Capítulo nove

   Legal, segunda-feira e mais um dia de batente. Levantei com muito custo, eu sabia que deveria ter voltado para casa mais cedo e dormido mais, agora estou com o humor não muito bom e essa cara de zumbi. Depois do meu banho que deu certa “despertada” em meu corpo vesti minha calça jeans, uma blusa social azul com bolinhas brancas e por cima um blazer azul marinho. Calcei meu scapin nude, passei um rímel e gloss pêssego deixando os cabelos soltos, molhados mesmo.

   Outra maravilha estava atrasada. Peguei minha bolsa, fui até a cozinha correndo e a primeira maça que vi na fruteira peguei, dando uma leve passadinha em minha blusa. Tranquei meu apartamento e dei de cara com Q com certo olhar sisudo e apontando o relógio, ele odeio chegar atrasado no lugares – como se eu gostasse também.

***

   Parece que hoje o dia resolveu ficar ruim para o meu lado, quase bati em dois carros hoje – com o primeiro carro a cagada foi do outro motorista que me fechou e o segundo a culpa foi minha já que ele estava estacionado e eu sou uma leiga em baliza -, quase derrubei meu café na roupa e ainda a maravilhosa Eva apareceu de surpresa no trabalho e eu pisei em seu (dessa parte eu gostei)...Ufa! Hora do almoço.

Bruno Pov’s

– Sério cara? Não acredito que ela conseguiu te dar um balão – Phil mal falava de tanto que ria.

– Você está olhando bem para minha cara? Então, ela não está achando graça alguma – digo estupidamente.

– Não precisa ficar nervosinho, acontece cara. Vai ver ela não cedeu aos seus encantos – ele imita uma menina e toco uma almofada nele.

– Não cedeu, sei, ela quase me beijou ontem...

– Só não beijou porque o bafo era enorme e ela te olhou de pertinho – Phil me interrompe com sua piada idiota e solto uma risadinha involuntariamente.

– Faça o favor de prestar atenção no assunto, está me desconcentrando – falo e ele prontamente se senta corretamente no sofá para prestar atenção, ou pelo menos fingir. – Cara, ela foi a primeira, que eu me lembre, que recusou até um beijo. Se ela não fosse pra cama comigo eu poderia entender, mas não dar nem uma bitoca já é demais.

Phil se concentrou no que eu dizia, mas sem aguentar mais soltou um riso estridente.            

– A coisa está feia para o seu lado, se eu fosse você mandava uma mensagem pra ela e pedia para se encontrarem. Depois você tentava jogar um charme e pimba!

– Phil, você é um gênio!

– Sério que você acreditou no que eu disse? – Perguntou incrédulo. – Eu não disse para você fazer isso literalmente.

– Não custa tentar. E pensando bem, se não acontecer nada tudo bem, pelo menos ela é uma garota legal.  

– Nossa, o pombinho está apaixonado – ele folga em mim.       

– Nem começa Phil, nem começa – digo em reprovação e rimos juntos.

   Ficamos conversando por mais um bom tempo, até que ele foi embora para aproveitar um tempo ao lado dos filhos.

Emma Pov’s

***

– Isso é hora de aparecer pra me amolar? – Falo assim que Maggie entra.

– A casa é minha também, não se preocupe – diz toda convencida -, agora bate bola jogo rápido, o que aconteceu na casa do boy magia?

Eu não aguento não rir com os comentários dela.

– Nada demais – digo entre risos e ela me olha tipo “safada, não quer me contar mas eu sei que nesse angu tem caroço”. – Sério garota, não aconteceu nada.

– Eu me recuso a acreditar que você dorme na casa do cara e nem pra dar um beijo você serve. – Maggie e seu teatrinho dramático.

– Não sou mulher de sexo fácil não, obrigada.

– Calúnia! Como me explica os outros rapazes com os quais você saiu e eu sei que fez uma coisa chamada sexo? – Assim que terminou de falar fez um gesto como se tivesse vencido a batalha me fazendo rir.

– Você me pegou, pois é... Eu não sei, talvez seja porque ele é um cara famoso sabe?! Não é sempre que me aparece um rapaz desse porte – rimos juntas.

– Emma, você não pre... – antes mesmo que ela pudesse terminar sua frase meu celular apita e o nome “bruno Mars” pisca na tela.

– Ah, oi Bruno – assim que falo Maggie me olha e faz um coração com as mãos.

– Desculpa se te atrapalhei. Bem, você topa jantar comigo agora?

– Quem tem que pedir desculpas sou porque não vai dar – falo sem graça. – Eu acordo cedo para trabalhar...

– Essa desculpa não cola amiga, ainda é cedo e eu prometo que não vamos chegar cedo – ele fala me interrompendo.

Fiquei pensando por um tempo e vejo Maggie fazer um “sim” com a cabeça.

– Tudo bem, eu aceito.

– Maravilha! Passo aí daqui a meia hora. Beijo.

***

– Eu estava tão quentinha no meu pijama – reclamo.

– Não amola – Maggie me repreende.

O interfone tocou me avisando que ele me esperava na portaria. Desci e o vi encostado em seu carro – ah sim, ele estava lindo. Fomos conversando no carro coisas alheias até chegarmos a um restaurante próximo da praia, era mais reservado. Assim que entramos notei algumas pessoas nos olhando... Olhando ele, até que algumas se levantaram, tiraram fotos e receberam autógrafos. Em uma mesa ao fundo nos acomodamos e logo o garçom apareceu, fizemos nossos pedidos.

– Valeu por ter topado vir jantar comigo.

– Não foi nada, convite e comida são coisas irrecusáveis – falei e começamos a rir.

Olhei pelo grande vidro ao nosso lado, como a noite estava linda. A Lua estava enorme e seu reflexo no mar reluzente.

   Nossos pedidos chegaram e logo ataquei – não ataquei literalmente, não seria apropriado. Entre uma garfada e outra comentávamos algo, ele me disse sobre seu álbum que lançou semana passada e asa entrevistas que começaram a surgir. Dava para ver o brilho em seus olhos quando falava a respeito de sua carreira.

   A promessa ele cumpriu, logo fomos embora. Apesar de ter insistido para pagar a conta ele recusou dizendo que não seria certo um cavalheiro fazer isso, ri na certa.

– Prontinho senhora não chegue tarde, está entregue.

– Que belezinha cumpriu a promessa, dois pontinho para você. É isso, muito obrigada pelo jantar, Bruno. 
Da próxima eu pago viu. Tenha uma boa noite – me virei e lhe dei um beijo na bochecha.

Quando coloquei minha mão na maçaneta senti sua mão segurar meu braço, me virei e surpresa! Segurou minha nuca pronto para me beijar, porém fui mais rápida e o detive com a minha outra mão em seu peito, coitadinho me olhou todo estranho.

– Esse truque é meio antigo, meu caro. Melhor fazer uma surpresa assim – terminei de falar e o puxei pela nuca selando nossos lábios. Socorro! O que eu fiz, meu Deus. 



Não é que o moço beija bem, nossas línguas em perfeito compasso, beijo rápido porém sem gafes. Bom, melhor encerrar por aqui. Minha mão ainda estava em seu peito, então o empurrei de leve nos separando.

– Bem... É... – falei confusa olhando em seus olhos.

– Sabe... Acho...

– Acho melhor eu ir – falei abrindo a porta do carro.

– Sim, claro...

– Tchau Bruno.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Capítulo oito

– Desculpe minha falta de cavalheirismo, você está muito linda hoje – Bruno fala chegando próximo de mim com um copo de whisky em mãos.


– Oh, muito obrigada nobre cavalheiro, saiba que também está elegante – falo em retribuição e logo começo a rir. – Somos tão idiotas, por que a gente fala assim?

– Talvez porque seja engraçado, senão você não estaria rindo – claro, resposta mais óbvia que isso impossível. – Acho para uma nobre donzela não é educado se afastar das visitas.

– É que aqui eu estou mais perto da comida, quando for a hora de comer vou ser a primeira – falo e Bruno começa a rir gostosamente -, e estou esperando Maggie chegar e tal – respondo e tomo um gole da minha água.

  A casa não estava completamente lotada como eu havia pensado, e aquela história de jantar ou seja lá o que for, só pra inglês ver mesmo. É uma festinha entre amigos, a música eletrônica tocava ao fundo nem muita alta nem muito baixa. Fui até cozinhar pegar algo para beber e aproveitar para beliscar alguns dos petiscos que chegaram logo mais cedo.

   Quando voltei à sala Maggie chegou junto de Kam e atrás deles Abigail e Quentin, de mãos dadas? Pelo jeito rolou clima enquanto estive fora. Eles cumprimentaram todos, quando vi Maggie ela logo correu até mim soltando um gritinho histérico típico dela.

– Meus Deus, tudo isso é saudade? – Falo com um pouco de falta de ar devido ao seu abraço exageradamente forte.

– Talvez um pouquinho, nada tão significativo – diz ela se desvencilhando e eu rio.

– Você está linda – Kam fala todo cavalheiro.

– Claro, quem escolheu a roupa dela fui eu – Maggie toda convencida.

– Ai, ai, mereço isso – reviro os olhos e ela mostra a língua pra mim.

Kam pediu licença e foi junto de sua trupe. Abigail e Quentin vieram próximos de nós:

– Posso saber o motivo dos risos? – Q pergunta.

– Não. Pare de ser enxerido garoto – Maggie e sua sutileza. – Tô brincando seu idiota – acabei caindo no riso.

– Maggie, perdi alguma coisa nesse meio tempo fora de casa? – Alterno meus olhos entre Q e Abigail e Maggie. Nós dávamos risinhos baixos.

– Abigail fisgou o coração do garotão aí – Abigail ficou um pimentão.

– Abbie gente. Abigail parece a minha mãe falando comigo – Disse ela fugindo do assunto.

– Hmm, Q não perdeu tempo. – Falei cutucando ele que ficou sem graça.

– Calem a boca!

– Nossa, ficou nervosinho – comento e Maggie começa a rir.

Ele revirou os olhos e sumiu da nossa vista. Na verdade foi se enturmar.

– Coitadinho meninas, vocês são maldosas – Abbie diz olhando-o sair.

– Awwn – Maggie e eu fizemos um coro. – Que linda! – Digo.

– Gente, para – pede ela sem graça.

– Depois você me conta melhor essa história, safadinha. – Digo como desfecho daquele papo.

   Ficamos conversando em grupinho e depois nos juntamos aos meninos. Estava calmo até, acho que estaria mais animado se todos da banda estivessem aqui, só estava eu, Bruno, Kam e Maggie, Q e Abbie, Ryan e Phil.

– É normal a casa vazia assim ou você expulsou metade do povo? – Pergunto e Bruno sorri.

– Eu chamei os meninos, mas uns quiseram ficar com a família, outros saíram à parte. Restou-me chamar esses aí – ele abana as mãos no sentido de Ryan e Phil e eu ri. – Podíamos jogar pôquer, deve ser mais divertido – Bruno sugere e concordo prontamente.

Levei uns petiscos e bebidas pra sala e Bruno arruma uma mesa na sala.

– Pôquer, ninguém ganha de mim sou o melhor – Ryan se pronuncia já se sentando.

– Faz-me rir Ryan, eu ganho de você sem ao menos tocar nas cartas – Phil caçoa dele.

– Eu ganho de vocês dois juntos – Quentin entra na brincadeira.

– Calem a boca para a partida começar, obrigada – recolho minhas cartas que Bruno havia distribuído e eles fazem um coro de “ui”.

A rodada começou bem, até que Phil ganhou e gritou um “rá” na cara do Ryan. Ele com certa raiva conseguiu ganhar a segunda e fez uma dancinha um tanto quanto estranha de vitória. Abbie se revelou ganhando duas rodadas, Quentin ganhou uma e Bruno ganhou duas também. Eu e Maggie? Vamos rir, nós não ganhamos nenhuma virando chacota para os outros.

***

– Bem, deu a minha hora – Ryan fala se levantando do sofá. – Nos falamos amanhã Bro – ele toca a mão de Bruno -, Emma! – ele chama minha atenção e faz a dancinha da vitória me fazendo gargalhar. Jogou um 
beijo no ar para mim e saiu.

Não era tão tarde, mas já dava sinais de sono. Phil foi o primeiro a ir embora, logo depois Quentin e Abbie, Kame Maggie já estavam se preparando para ir, então fui até o quarto guardar meus salto e colocar um chinelinho – meus pés agradecem! – e arrumar minhas coisas na maleta para ir também. Dei mais uma olhada no quarto na esperança de não ter deixado nada para trás e bem, acho que está tudo aqui sim.

– Pensei que fosse demorar mais alguns anos – já mencionei que Maggie é impaciente para certas coisas? Pois bem.

– Por mim tudo bem se quiser que volte para lá e demore esses mais alguns anos – falo de escárnio, os dois garotões riram baixinho e gentilmente ela coloca o dedo do meio pra mim. – Então, vamos?

Kam se despediu de Bruno seguido de Maggie e por último minha vez:

– Se quiser passar mais essa noite aqui... – falou próximo de meu ouvido assim que lhe dei um abraço. Por essa frase podemos deduzir que é um convite nada “angelical”.

Senti minhas bochechas corarem, é um pedido que outra mulher não recusaria, mas...

– É um convite tentador, porém tenho que trabalhar amanhã. Deixa por uma próxima, aparece em casa qualquer hora, mas agora tenho que ir, viu?! Adorei te conhecer. Chama no WhatsApp. – Falei tudo as pressas e meio desengonçada percebendo que o casal maravilha saiu da casa de fininho. Acenei pela última vez da porta e ele me olhava meio confuso e sorrindo, nossa eu sou bem estranha, eu hein.

(Desculpem-me pela burrice em achar gifs decentes)

  



segunda-feira, 7 de abril de 2014

Capítulo sete

   Acordei com um ventinho frio vindo da janela. Deslizei o dedo na tela do meu celular e olha que moça direita eu sou, são 9h00 da manhã. Como meu cérebro é um chotonildo e não consegue dormir depois que acorda, a opção que me resta é levantar. Tomei um banho para despertar o corpo, aquela água morna escorria e parecia que toda a preguiça ia com ela. Olhei minhas poucas roupas e escolhi uma blusa listrada que eu amo, uma calça boyfriend e minhas sapatilhas – já disse que eu AMO sapatilha? Pois é, e sandálias também. Penteei meus cabelos e fiz um rabo de cavalo mesmo e passei um gloss bem clarinho nos lábios. Sai do quarto e a casa estava bem silenciosa – claro Emma, só existe você e o Bruno nessa casa, para de ser burra -, tomei certa liberdade e fui explorar mais um pouco sua cozinha para preparar um café da manhã.


  
Espero que ele não fique bravo por invadir seu território, e fazer barulho! Separei dois ovos e umas tirinhas de bacon – café típico americano -, deixei a frigideira esquentando um pouco no fogão. Peguei o processador e exprimi algumas laranjas. Mexi  ovos, fritei o bacon e coloquei a mesa, é, tudo pronto. Lavei a bagunça que e fiz e guardei, melhor deixar tudo organizado antes que o chefe acorde.

   Olhei no relógio da cozinha, que marcava 10h10 e ele não havia acordado, já deu para perceber que ele adora dormir. Seria muita falta de educação minha fazer tudo e comer antes dele? Comida esfria e a fome fala mais alto nessas horas, meu Deus sou gorda. Melhor dar um tempinho. Olhei pela janela da cozinha, o fundo da casa também era lindo e por que não explorar?! Abri a porta da cozinha e logo um ventinho gelado bateu, fazendo-me arrepiar brevemente. O céu estava limpo, com um sol bem preguiçoso para aparecer, gosto assim. Andei pela piscina cantarolando uma canção qualquer, até que uma casinha de cachorro me chamou a atenção, acho melhor eu voltar pra dentro antes que aparece o dono desse quintal.

   Quando caminhava de volta à cozinha levei um susto seguido de uma queda com a cara no chão. Sentia um peso grande em cima das minhas costas, que ora dava uma fungada no meu pescoço. Finalmente me virei e levantei, ficando sentada ali e olha que maravilha, um cachorro quase monstro estava sentado em minha frente com a língua pra fora e abanando o rabo. Tá, esse daí está mais pra Lassie do que pra monstro. Fiquei sentada por mais um tempinho, e o cachorro continuou a me olhar, passei a mão sobre sua cabeça e ele ficou parecendo cachorro vira-lata. Todo folgado.

– Pelo que vejo, já conheceu meu monstro do lago Ness – Bruno chegou à porta me ajudando a levantar.

– Monstro? Você quer dizer Lassie, não é?! – Digo folgando nele.

– Coitado, não fale assim do meu garotão – ele faz carinho na cabeça do seu cachorro e faz um sinal com a mão para ele voltar pro quintal.

***

– Desculpa se te acordei com meus pequenos barulhinhos na cozinha – digo recolhendo a louça suja e 
colocando na pia.

– Olha, eu não estou acostumado a acordar cedo assim, mas eu posso desculpar porque depois desse café, de acordar com o café na mesa. Meu Deus. – Ele fala e rimos juntos.

– Mudando de pato pra ganso, que horas você acorda normalmente?

– Depende, tem dia que acordo 13h00 ou mais tarde, mas quando preciso ir ao estúdio levanto cedo – 
Bruno diz na maior cara de pau.

– Eu hein, dormindo tanto assim vai acabar virando o Morfeu na Terra.

   O restinho da manhã foi pacato, conversamos mais um pouco, ele me mostrou melhor sua casa, seu cachorro ou melhor dizendo, Gege.

– O que é aquela construção ali? – aponto para uma “casinha” nos fundos da casa.

– Ah, é o meu pequeno estúdio. Aqui é como posso dizer, meu cantinho! Quando não estou no estúdio no centro fico aqui – ele me leva até lá. – Gosto de compor ou simplesmente pensar na vida aqui, é mais aconchegante.

   Não dei um pio desde que entramos lá, fiquei apenas observando. Ele deve se sentir mais a vontade quando está aqui. Bruno tem um jeito meio misterioso, não sei. Ao mesmo tempo em que ele é brincalhão e que você acha que o conhece tão bem, você simplesmente não sabe de nada. Ele é uma incógnita. Sentamos em duas cadeiras de frente para uma mesa cheia de aparelhagem, como ninguém se perde no meio desses botões todos?

   Me dei conta de mandar uma mensagem para Abigail – ou Abbie, como ela gosta de ser chamada – para vir no jantar hoje. Bruno disse que eu poderia convidar quem eu quisesse, e assim posso conhecê-la melhor. Legal, deixei meu celular no quarto. Assim que saímos do seu estúdio senti um vento gelado percorrer minha espinha e um grande arrepio tomar conta de mim, dei uma corridinha até entrar na cozinha, que maravilha de lugar quentinho. Bruno logo entrou resmungando baixinho, deve ser pelo frio repentino. Viram? Até rimou.

***

   Bruno e eu fomos a um restaurante menos movimentado, e apesar de ter insistido em pagar a conta ou pelo menos dividir, ele acabou pagando tudo. O sol deu as caras e o clima esquentou um pouquinho, mas um clima nada favorável para piscina – obrigada Deus – como ele havia escrito na mensagem que me mandou. O tempo foi passando, e passando, e passando... Até eu ver que devia começar a me arrumar.

Bruno Pov’s

   Assim que ela foi se arrumar fiquei enrolando na sala. Se fosse com outra mulher eu já teria ido para a cama, mas com ela é diferente, é difícil explicar. Ao mesmo tempo que eu penso a hora é agora, algo me faz recuar. Qualquer um em meu lugar já estaria entediado, essa lenga lenga de conversar, assistir TV e tudo mais. Ela é hmm, inusitada talvez, esses dois dias mais pareciam anos, que eu a conhecia há anos. Não, eu não estou apaixonado por ela. Acho melhor eu me arrumar também e de hoje não passa.

Emma Pov’s

   Finamente pronta! Chequei minha maquiagem, passei as mãos pelo vestido, tudo certo. Assim que saio do quarto escuto a campainha tocar, deve ser o pessoal chegando. Para minha surpresa não, em minha frente estava três homens e cada um segurava umas duas caixas, creio eu.



– Senhora, os pedidos para o jantar – disse o mais alto deles.
Jantar nessa casa hoje tem, mas e se forem bandidos querendo nos assaltar. Deixo-os entrar ou não? Eita dúvida cruel.

– Tudo bem, podem entrar e coloquem na cozinha, por favor – escuto a voz de Bruno soar de algum canto da sala.

Dei passagem a eles e os acompanhei até a cozinha, sentei-me numa das cadeiras e vi Bruno pagando e fechando a porta.

– Primeiramente eu ficaria muito grata se você parasse de aparecer atrás de mim do nada. Parece até filme do Hitchcock.

– Nossa que criança, se assusta fácil, fácil – ele fala abrindo as caixas e coloco a língua pra ele.

– Interessante, então ao invés de você cozinhar você manda logo um restaurante entregar pronto – folgo nele. – Pensei que havia dito que se “Oprah Winfrey provar minha comida ela não sai mais daqui” – falo gesticulando as aspas e fazendo/tentando uma voz masculina.

– Não é por que vai comer na minha casa que a comida é necessariamente feita por mim. Pode ser feita pela empregada também. – Bem esperto ele.

Hmm, já comentei que Bruno está, falando como uma adolescente, gatinho?! A calça skiny mostra bem suas pernas e... Bem, bunda eu não posso dizer já que ele não tem. Sabe, ficar com ele nesses dois dias foi bom, eu até esqueci aquele chilique de Quentin. Não posso esquecer de compartilhar com vocês que olha, ele tem um sex appeal que minha nossa, mexe até no fundo da alma! Tô parecendo tarada falando assim, não é? Pelo menos estou me controlando e não saí me atirando pra cima dele.

   Depois de colocar a comida em recipientes, Bruno os dispôs na mesa. Que moço prendado.

– Não cozinha, mas pelo menos arruma a mesa que é uma beleza – me levantei da cadeira e apoiei meu braço esquerdo em seu ombro.

– Nossa que engraçadinha você, e folgada também. Já pensou em fazer stand-up? - Diz ele olhando pra mim.

– Eu sou tão cômica que se montasse um stand-up tomava o lugar dos outros comediantes, melhor guardar meu dom só pra mim mesmo – a piada foi uma bosta, mas rimos.


Epa, contato visual grande agora (entenderam o trocadilho? Contato visual grande, olho do Bruno grande também. Tá legal, eu paro). Imaginem aquela música romântica de fundo, a gente se entreolhando, rostos se aproximando e... Isso mesmo, a maravilhosa Emma que vos fala se desvencilha. Palmas para mim! Me deem um desconto, agi sem pensar, foi reflexo. A desculpa não colou muito eu sei. É que ao mesmo tempo que eu quero algo eu tenho medo. Mas como se eu não tivesse o beijado antes; mas aquele beijo não conta, fui pega de surpresa. Ai caramba, eu estou num dilema comigo mesma, é isso?! Santo Deus, a campainha tocou de novo e dessa vez vi a multidão entrar. Bom, vamos esquecer tudo isso e pensar que daqui a pouco é hora de comer.