quarta-feira, 19 de março de 2014

Capítulo seis

– Então, vamos dormir na casa do senhor Bruno Mars? – Pergunto à Maggie enquanto assistíamos algo qualquer na TV.

Ela me olhou travessa, sinto medo disso.

– Eu vou passar a noite com meu boy magia, e você passa a noite com o garanhão lá.

– O que? Você tá maluca ou quer remédio? Mas nem em sonhos bebê, nem em sonhos... Bem, em sonhos talvez, mas isso deixamos para lá.

– Que foi, vai dizer que não gostou da ideia safadinha – diz ela entre risinhos.

– Claro que não. Eu nem conheço o cara direito, quem conhece é você e eu já chego invadindo a casa dele 
– digo um pouco pasma, talvez.

– Ah fofinha, vamos por etapa: (a) ele mandou a mensagem pra VOCÊ, (b) seria a chance de conhecê-lo e (c) se ele convidou não seria invasão.
Infelizmente ela tinha razão. Maggie ficou o dia todo teimando comigo, me pedindo para ir. Eu sou paciente e ela insistente quando quer, e como paciência tem limite acabei cedendo.

***

– Leve esse casaquinho também, vai saber se esfria mais amanhã – Maggie fala me entregando um cardigã preto com bolinhas pretas, do qual eu gostava muito.

– Okay mamãe – falo folgando em cima dela.

Arrumei tudinho em uma bolsa pequena, passaria somente uma noite e meia lá. Maggie me deixaria na casa dele e depois partiria para casa do amado, e Quentin? Bem, não o vi hoje e sua irmã me disse que ela tinha saído não sei para onde. Quando deu 18h30 em ponto no meu celular o interfone do apartamento tocou e o porteiro avisou que um rapaz alto, careca e branco estava me esperando lá fora. Deduzi que fosse o tal de Dre, o qual Bruno havia mencionado na mensagem.

 – Me vou agora – falei para Maggie pegando minha bolsa no sofá.

– Se cuida e tenha juízo. Te amo. – Ela fala no meu ouvido .

– Eu também te amo e agora nós paramos com a melação porque eu estou emotiva hoje – falei e ela sorriu assim que nos desvencilhamos.

   Desci até o térreo e vi uma van preta estacionada em frente à portaria. O tal homem que o porteiro havia me descrito estava encostado nela – minha nossa ele é bem alto e tem uma face carrancuda que me deu medo. Entrei pela porta do meio e fiquei atrás mesmo, vai saber se ele é de conversar. Durante o caminho percebi que já estava escuro lá fora, e que estávamos bem distantes do centro de Los Angeles.

– Desculpa a intromissão na sua concentração no trânsito – falei colocando minha cabeça entre os bancos da frente e por incrível que parece ele sorriu de leve -, mas onde estamos?

– É o condomínio onde a casa de Bruno fica. É um pouco afastado mas garanto que vai gostar, da casa dele dá pra ver o letreiro de Hollywood – ele falou serenamente, porém com uma voz grave. É simpático.

Respondi um “Ah!” e voltei a me sentar, melhor não ser muito saída ou ele vai pensar que sou maluca. Uns minutinhos depois paramos em frente a um portão preto e grande. Ele pegou uma coisinha em seu bolso e logo o portão se abriu, portão automático é outra coisa. Para parecer um pouco criança eu coloquei a cabeça para fora do vidro e olhei o lugar em que me meti e... Jesus amado, que casa linda! O jardim da frente é muito lindo, a entrada da casa... Ai, pareço criança deslumbrada com a Disneylândia.

   Ele parou próximo da entrada e abriu a porta pra mim, que cavalheirismo. O agradeci e bem, ele se foi e eu fiquei parada ali com a minha bolsa, encarando a casa. Coragem Emma, isso não é um bicho de sete cabeças. Respirei fundo e caminhei até a porta, apertei a campainha. É, minhas bochechas já pegavam fogo e vi a porta se abrindo, ai.

– Emma, não é? – Perguntou e eu assenti. – Que bom que veio – falou sorridente e me cumprimentando com dois beijinhos na bochecha.

Ele me deu passagem para entra e fechou a porta. Se eu já estava impressionada com a parte exterior imagina a interior, era linda!

– Então, sua amiga não veio? – Perguntou ele.

– Não, ela preferiu ficar na casa do namorado vulgo integrante da sua banda – falei e ele riu provavelmente da minha cara de vergonha.

– Tudo bem. Ah, queira me acompanhar – disse ele se pondo a minha frente.

– Hmm, é sempre cavalheiro assim ou está a procura de uma dama – pelo menos falei alguma coisa.

– Não, só testando um novo vocabulário – nos entreolhamos e começamos a rir, talvez eu tenha rido um pouco mais, mas o.k.

   O acompanhei até um corredor com algumas portas, ele me mostrou uma e entrei. O quarto era grande, tinha um cheirinho tão confortável, parece lavanda - como eu amo cheiro de lavanda – e então ele se foi. Eu sei que passaria somente uma noite e meia lá, mas preferi arrumar minhas coisinha no roupeiro que havia lá, é bem melhor do que você ficar caçando tudo dentro de uma mal ou bolsa qualquer.

   Peguei uma tolha branquinha e fofa – parece até que estou descrevendo um quarto de hotel com significativas estrelas -, separei minha roupa e entrei no banheiro, limpinho por sinal (sim, eu tenho certa obsessão por limpeza). Como estava friozinho tomei um banho morno e, aquela água caindo por meus ombros, descendo por todo meu corpo... Me relaxava de tal maneira.

   Achei que já tinha consumido água demais dali, então saí. Vesti meu pijama de calça comprida e uma camiseta, aliás não estou em casa pra usar baby doll. Penteei meu cabelo e dei as caras pra fora do quarto, com certa tensão mas coragem não é?! Já disse que estava de pantufas? Pois é, elas são bem confortáveis e quentinhas. Caminhei até a sala mas estava vazia, fui para cozinha e nada também - acho que isso é uma armadilha pro maníaco da serra elétrica vir me assassinar. Eu hein Emma, para de pensar caraminholas.

– Perdida? – Percebi sua voz logo atrás de mim.

– Minha nossa homem, da próxima vez que quiser me matar, avisa uns segundinhos antes – falei colocando minha mão direita no peito e apoiando-me na bancada com a esquerda.

– Mas pense, se eu te avisasse antes não seria um assassinato bem sucedido, você teria a chance de escapar – ele falou indo para a sala e bem, o que me restava era acompanha-lo.

– Você tem uma grande razão sobre isso. Porém eu também poderia descobrir alguma pista antes – falei a meu favor. Sentamos em sofás opostos e ele ligou a televisão, mas me encarando.

– Pelo jeito você é bem astuta.

– Obrigada milorde – pelo jeito ele gostava das minhas piadas toscas porque estava rindo.
Alguns minutos de silêncio por favor, que ele está me encarando.

– Você está tentando flertar comigo, Bruno? – Perguntei semicerrando meus olhos em sua direção.

Ele apenas se inclinou um pouco à frente e me olhou bem nos olhos, olha melhor parar por aqui que já tá me dando medo.

– Eu estou conseguindo? – Perguntou ele.

– Se me assustar responder a sua pergunta...

– Você é perversa! – Bruno relaxou no sofá e rimos juntos.

Já que estávamos um pouco mais chegados, não seria falta de educação se eu tirasse minhas pantufas e colocasse as pernas para cima do sofá, é, não seria então fiz isso. Ele também já estava à vontade.

– Cri cri cri, grilos tomando conta daqui – ouvi ele falando, mas estava prestando atenção no desenho e por isso demorei pra responder.

– Hã? Oi? Nossa me desculpa – dei um sorriso sem graça. – Você já comeu, jantou hoje? – perguntei e ele fez negativo com a cabeça.

– Então com licença, serei um pouco cara de pau e vou fazer alguma coisa para comermos porque eu tô morrendo de fome – calcei minhas pantufas e segui até a cozinha, vi ele me seguindo.

– Só não queime nada – folgou em mim.

– Falou o chef máster da cozinha – ironizei. – Todos que comem minha comida deliram de tão boa que é. – 
Me vangloriei um pouco, talvez muito. Mas modéstia a parte meu risoto de camarão é bom.

   Perguntei onde estavam as coisas, ele me apontou o armário todo, me ajudou muito espertão. Não tinha tanta variedade de coisas, mas besteiras era o que não faltava – e eu gosto muito disso. Passei meu olhos por toda a extensão do armário e peguei um pacote de macarrão e queijo ralado. Macarrão com queijo? Não boba, imagina, mais clichês que isso impossível.

   Peguei um avental que achei perdido por ali, vesti-me e coloquei os ingredientes na mesa e os utensílios. Percebi que ele tomava todos meus movimentos, melhor puxar um assunto.

– Você nem vai querer saber de outro macarrão com queijo depois de provar o meu – falei e coloquei a língua pra. Nossa Emma, menos, muito menos.

Querida, eu cozinho tão bem que se Oprah Winfrey provar minha comida ela não sai mais daqui – disse numa voz um tanto quanto afeminada, é.

Eu ri disso. Coloquei o macarrão para cozinhar e aproveitei para misturar os outros ingredientes em um recipiente, deixei na pia e me sentei em sua frente até o macarrão terminar de ferver. Esse é o meu problema, não consigo começar um diálogo decentemente. Mas o silêncio não me incomoda, talvez o incomode, mas a mim não... Legal, um conflito comigo mesma, parei.

Bruno Pov’s

   Eu fiquei bem aliviado por Maggie não ter vindo, eu sei que ela não vai muito com a minha cara e assim tenho mais espaço para “caçar”. Emma chegou um pouco nervosa, mas agora parece mais aliviada, à vontade. Ela é esperta, sabe quando alguém quer com ela e, não aparente querer algo sério logo de cara, meu número! Nosso papo até agora não foi tão motivador, meia dúzia de palavras, o que me mostrou que ela não é qualquer uma – isso também dá na cara. E é divertida.

   Ela foi até a cozinha preparar algo para comermos, o que eu agradeci profundamente por isso porque eu estou varado na fome. Eu fiquei reparando em seu rosto, corpo, ela é muito bonita, é meio magrela, mas ao mesmo tempo gostosa não sei explicar, é alguma coisa que me atrai.

Emma Pov’s

   O macarrão ficou pronto, joguei a mistura por cima e coloquei no forno para o queijo gratinar e o molho cozinhar também. Depois de vinte minutinhos ficou pronto, retirei o refratário do forno e coloquei sobre a bancada. Bruno pegou os pratos e os talheres.

– Tá com uma cara boa, o cheiro está bom, espero que o gosto também, porque né – disse ele já se servindo.

– Hey, damas primeiro. E meu macarrão é divino tá.

Ele nem me deu ouvidos, se sentou onde estava mesmo e atacou o prato, quase que literalmente.

– Ficou bom? – Perguntei depois da minha primeira garfada.
Bruno limpou sua boca no guardanapo, encostou na banqueta e estufou a barriga como se tivesse bem cheio, eu acabei rindo pra variar.

– Emma, se quiser virar minha cozinheira eu te contrato porque está muito bom. Minha nossa vou vomitar o que comi só pra comer mais.

– Sai pra lá nojento – falei e rimos juntos.

– Sai pra lá nada, vou comer mais – falou ele. – Você deveria comer mais também, comer faz bem pro estômago – nem preciso comentar que eu ri.

Acabei repetindo meu prato mais uma vez. Lavei a louça e Bruno bem prestativo me ajudou secando-a e guardando. Olhei no visor do meu celular e marcava 21h27, pra mim ainda estava um pouco cedo, sentamos na sala novamente e o vi mexer em uma pilha com cinco dvd’s.

– Pode escolher, eu deixo. Mas só hoje porque é promoção – nossa que palhaço. Se virou para mim segurando os cinco dvd’s nos braços.

– Hmm, pode ser O Livro de Eli? – Falei e ele assentiu.

   Colocou o filme e se sentou – na verdade se jogou – no mesmo sofá em que eu estava, menos sútil impossível. E o filme começou. Ele se trata basicamente do mundo depois de uma guerra mundial, que acabou com o mesmo... Essa será a minha única informação do filme, porque eu amei, e falo tanto que posso acabar contando o filme todo. Pra quem ficar interessado em assistir eu recomendo, e você entenderá que livro é esse.

   Acabei cochilando bem no final do filme, tudo bem, eu já havia assistido. Acordei com a TV em standby.  Minha situação atual não é a mais confortável. Eu estou sentada meio de lado com as minhas pernas próximas do meu corpo, e minha cabeça ligeiramente jogada no encosto do sofá. Bruno? Ele está bem... Bem apoiado em mim, ocupando o sofá todo e sua cabeça na curva do meu pescoço. Que coisa mais fofa.

– Bruno? Bruno... – Chacoalhei sua cabeça levemente e ele somente resmungou baixinho. – Acorda vagabundo, não sou encosto pra dorminhoco! – Fui um tanto quanto mais bruta fazendo-o acordar de supetão.

– Sutileza maravilhosa a sua – disse esfregando o dorso de suas mão nos olhos para despertar.

– Se o urso não tivesse hibernado amontoado em cima de mim, nada disso teria acontecido.

– Olha, eu estou sério por fora, mas estou rindo tanto por dentro que você nem tem noção – ironizou e ri baixinho.

– Okay coleguinha, agora vamos dormir – me levantei do sofá e segui para o quarto. – Boa noite.
Escutei um “boa noite” dele e entrei no quarto. Peguei uma coberta e me aconcheguei na cama quentinha. Pronto, me desliguei do mundo

Um comentário:

  1. Ai meu Deus, eu preciso de mais capítulo e tu sabe disso MAS EU NÃO SEI PORQUE TU TA TE FRESQUEANDO E NÃO TA POSTANDO MAIS SEGUIDO. Acho que faz um mês que tu postou o cap 5 e agora o 6, af u.u posta mais, eu quero ver o que vai rolar nessa noite - pelo menos um beijinho né, ela tem que ser menos na defensiva :p dnsaundioas amei Fla <3

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