Cheguei ao aeroporto de Virgínia as 15h08. Meu
Deus! Charlottesville parece menor do que é com essa neve.
Paguei o táxi e o motorista me ajudou com a
mala. Cacei a cópia da chave de casa e torcendo para não terem mudado as
fechaduras. Nem precisei da chave, na verdade, apenas entrei pela porta que
estava meio aberta. A casa não mudara nada, estava tudo com aparência de ter
sido limpa recentemente. O cheiro de lavanda do desinfetante ainda estava
fresco.
Passei pela sala deixando minha mala e minha
bolsa ali. Fui até a lareira e reparei nos porta-retratos, continuavam os
mesmos com exceção de dois em que minha mãe estava sentada na maca do hospital.
Eu sentia tanta falta dali que me vi obrigada a olhar até o armário dos
casacos. Subi as escadas e caminhei até o quarto de minha mãe, estava
recém-arrumado. Fui até meu quarto e estava arrumadinho também, tomei a
liberdade de me sentar na cama e olhar todas as coisas. Passei meus olhos pela
penteadeira sem muitas coisas, já que havia levado embora na época da
faculdade, mas ainda tinha uns dois portas joias. Meus vinis ainda estavam
arrumados junto da vitrola na prateleira perto do guarda-roupa, e os dois
pôsteres do Bruce Springsteen estavam ainda colados em cima da cabeceira da
minha cama. Caramba! Parecia que ninguém havia entrado ali desde 2000. Aquilo
era pura nostalgia, e eu não estava afim disso agora.
Desci as escadas e caminhei sorrateiramente
até a cozinha e vi um homem virado de costas e lavando algo na pia. Cheguei
atrás dele e disse um “Buu”. Bem criança mesmo. Ele se virou e olhou assustado
para mim, e ficou com essa aparência até cair a ficha dele que eu realmente
estava ali.
– Emma, minha nossa. Não
acredito nisso. – Ele abriu um sorriso imenso e me abraçou.
– Pois acredite Jimmy. – Disse
enquanto o abraçava.
Desvencilhamo-nos e por uns
minutos ele ficou me encarando, incrédulo talvez.
– Desculpa a minha surpresa
toda, mas achei que viesse um dia antes do Natal.
– Pois é, mas acabei
antecipando o voo e resolvi não contar nada para fazer uma surpresa. Pelo jeito
deu certo.
– Com certeza – concordou ele
seguido de um sorriso.
– Aliás, a porta da frente
estava quase escancarada. Entrei, deixei minhas malas e olhei a casa toda
praticamente. Se eu fosse uma ladra já poderia ter feito uma limpa aqui, sem
contar que se tivesse uma tempestade de neve, essa casa e você já estariam
congelados – comentei e ele soltou uma gargalhada gostosa.
– Realmente, mas
Charlottesville tem um caso de assalto a cada cinco anos, então... – Tive de concordar
e rimos juntos.
– Você deve estar com fome,
quer que eu prepare algum lanche?
– Lanche é sempre bem vindo –
escutei sua risada abafada enquanto se abaixava para pegar algo na geladeira.
O vi colocar umas torradas na
torradeira e colocar a jarra com suco de laranja na mesa. Ele pegou a
frigideira e colocou umas fatias de queijo para esquentar.
– Jimmy, não precisa sujar a
frigideira que você acabou de lavar, não é.
Ele se virou para mim mas
ainda cuidando do queijo ali para não derreter:
– Emma, eu não lavo tantas
louças desde que sua mãe está no hospital. Lavar isso aqui de novo não vai me
matar.
Jimmy colocou o queijo quente
ao lado das torradas no prato, depois me serviu um copo com suco e o agradeci.
– E como está mamãe? –
Perguntei entre mordidas.
– Pior. – Seu olhar ficou
baixo e sua voz perdeu toda aquela alegria. Eu já esperava por isso.
– Como ela é alegre diz que está bem para não nos
preocupar – ele assentiu. Isso era típico da Sr.ª Kate.
– Charlie está aqui?
– Sim. Ele ficou com Kate
enquanto eu vim para cá dar uma arrumada e fazer um lanchinho. Sabe como é,
comida de hospital é sem graça – soltei um riso baixo.
– Mary – argh! – Também veio?
– Perguntei e fiz um gesto como se fosse vomitar, Jimmy soltou outra
gargalhada.
– Infelizmente sim. Mas não
se preocupe, enchendo o saco dessa vez ela não está.
Depois do lanchinho, Jimmy voltou para o
hospital e fui arrumar minhas coisas no quarto. Separei uma muda de roupa e
corri para o banheiro que tinha no quarto, liguei o chuveiro e deixei a água
esquentar porque o frio estava grande. Fechei o box de vidro e logo o vapor o
umedeceu. A água quente escorria por meu corpo me deixando mais relaxada e
quentinha. Acabou vindo a tona tudo o que me aconteceu nesses últimos três
anos, a minha mãe descobre que está doente e vai pro hospital. Eu me mudo para
Califórnia por uma proposta de emprego boa, mas a minha cabeça continua
preocupada aqui. Quentin se diz
apaixonado por mim, porém arruma outra paixão muito rapidamente – isso parece
suspeito, mas deixa pra lá -, Maggie namora um cara de uma banda de um cantor
famoso e eu acabo na cama com o cantor famoso – não que isso tenha sido ruim. Falando
nisso, ele deve ter me respondido e eu deixei o coitado falando com o nada.
Fechei o registro do chuveiro e me enrolei no roupão. O vapor da água saiu
comigo assim que abri a porta, enrolei uma toalha no cabelo e vesti uma calça
jeans, uma blusa de manga comprida bem “fofinha”, enrolei o cachecol no pescoço
e calcei minhas botas.
Peguei meu celular na bolsa e tirei do modo
avião. O bip de mensagem soou, abri a caixa de entrada e havia mais duas
mensagens. Maggie e Bruno. Respondi ela, dizendo que já havia chegado e que não
precisava se preocupar, logo ligaria para ela, li a mensagem de Bruno acabei
rindo dela:
“Ah, claro. Mas eu queria ser educado senhora
matematicamente precisa em datas. Enfim, Virgínia? Que legal. Foi visitar a
família?”
Olhei
o relógio e peguei meu sobretudo, calcei minhas luvas e minha touca; era melhor
sair agora antes que o horário de visita acabasse. Fui a pé mesmo, não nevava
agora e a neve nas calçadas era pouca. Acho que alguém jogou sal nelas
recentemente.
A recepcionista me deu um crachá e subi até
o quarto onde minha estava. Em seu leito estava Jimmy sentado numa poltrona e
segurando sua mão, de costas para mim estava Charlie e, infelizmente, Mary.
Entrei bem devagar parecendo uma criança, cheguei bem na frente da sua cama e
gritei – não literalmente, se não uma enfermeira me tiraria à força de lá – um
“surpresa”, minha mãe, ou melhor, Charlie e Mary me olharam surpresos. Um
Sorriso enorme se abriu automaticamente em meus lábios assim que Kate sorriu em
meio aqueles caninhos que penetravam
sua pele.
–
Você quer me matar do coração antes mesmo do câncer? – Disse ela ainda me
abraçando.
–
Kate, você continua incrivelmente cômica com seu humor perverso. – Falei rindo
junto dela.
Mamãe
afagou meus cabelos e a abracei novamente. Depois cumprimentei Charlie com um
abraço chocho, apenas disse “Mary” e ela disse “Emma” com sua voz entojada.
–
Hum, alguém aceita um café? É por minha conta – Jimmy falou se dirigindo aos
outros acompanhantes.
Olhei para ele que me deu uma piscadinha.
Ele
desceu com os dois me deixando a sós com minha mãe.
–
Você está tão linda – o sorriso fraco permanecia em seu rosto.
–
Obrigada. Esse lenço ficou maravilhoso em você.
–
Bondade sua, mas que eu estou linda eu estou – seu riso saiu fraco, porém contagiante.
– Como estão as coisas em Los Angeles? E Maggie e Quentin?
–
Ah mãe, estão caminhando. Maggie está namorando um músico, ele toca na banda do
Bruno Mars, e
Quentin está num rolo com uma menina lá da empresa.
–
Maggie se deu bem, ela é uma boa menina, e Quentin não ficou com você? Que
absurdo.
–
MÂE! – A repreendi e ela riu gostosamente.
Dona Kate caçoou um pouco mais de mim,
conversamos sobre a nossa vida nesses três anos, os amores e desamores, as
alegrias e tristezas... Tudo que tínhamos direito. Jimmy passou pelo quarto
rapidamente e disse que conversou com a coordenação, se eu quisesse poderia
passar a noite lá, obviamente eu aceitei. Como a minha memória é meio falha, só
agora acabei de lembrar em mandar uma resposta para Bruno:
“Pense por um lado, enquanto eu sou matematicamente
precisa em algumas coisas, você adora fazer perguntas. Estamos praticamente no
mesmo páreo”.
Uns minutos depois veio sua mensagem:
“Creio eu que pessoas curiosas e pessoas precisas
estão um pouco longe de estar, bem, em perfeita sintonia”.
Sorri com sua resposta. Bem, acho que meu pensamento
sobre ele pode ser um famoso que não sabe
nem quanto é 1+1 estava errado.
– Hum, está de paquera com um gatinho? – Mamãe
perguntou curiosa ainda olhando pra televisão, onde passava o noticiário local.
– Mamãe, paquera e gatinho são palavras que não usamos
na mesma frase há uns 20 anos.
– Querida, caso queira se jogar dessa janela, fique a
vontade – ela falou num tom doce e rimos juntas. Digitei outra mensagem para
ele.
“Realmente, mas isso também não impede
de entrarem em um acordo”.
“Emma, pare
de flertar comigo. Agora preciso ir, tenho que arrumar umas coisas por aqui e
talvez aí esteja um pouco tarde por conta do fuso horário. Beijos”.
Tecnicamente não era tão tarde assim, aqui você conta
+3 horas, mas enfim, não iria ficar explicando isso ou ele me acharia bem
estranha e “matematicamente precisa”. Olhei para minha mãe e ela me olhava
maliciosamente. Dona Katherine e seus pensamentos não publicáveis antes das
23h00.
– Não mãe, não estou namorando e nem transando via
mensagem de texto, se isso é possível.
– Querida, não seja precipitada. Só queria saber quem
é o gatinho – ela riu. – Poupe sua
mãe da curiosidade... Arf... Pode me passar a cânula, por favor? – Peguei a
cânula que estava pendurada próxima a sua cabeça e ela a ajustou em seu nariz.
– Voltando ao assunto me diga, qual o nome dele?
Kate não iria esquecer tão rápido desse assunto, então
era melhor contar a ela mesmo eu não tendo nenhum relacionamento concreto com
Bruno. Peguei meu celular e selecionei uma música para tocar.
– Essa música é contagiante – ela fez uma dancinha
sentada na cama. – Não é daquele cantor, o... Bruno Mars?! – perguntou e
assenti. – Espere um pouco senhorita Emma Grace Carter, esse é o seu gatinho? – olhei para ela que me
encarava incrédula.
– Se com gatinho
você se refere a conhecê-lo numa balada, já que a amiga da sua filha namora
um cara da banda do dito cujo, depois passa uma noite na casa dele e alguns
dias depois eles saem para jantar e acabam transando, sim, ele é meu “gatinho”.
– Falei gesticulando as aspas. Ela me olhou séria por um momento e depois
gargalhou.
– E ele é bom de cama?
– Ah Kate, você não perguntou isso – coloquei o rosto
entre as mãos um pouco envergonhada.
– Me desculpe querida, não foi minha intenção.
– Sínica – falei fazendo-a rir. – E sim, ele é bom de
cama.
Ela me olhou de forma maliciosa e rimos juntas. Ela é
pior que criança.
– Bem, depois desse momento “cliente”, você falou com
seu pai?
– Ainda não.
– Ah Emma, você sabe...
– Mamãe, eu sei que a senhora gostaria que fôssemos
como antes, mas não dá. Ele é indiferente para mim e foi opção dele também ser
assim. Não vai ser agora que Charlie e eu ficaríamos bem um com o outro.
Ela me olhou meio triste, mas também sabia que eu e
Charlie não voltaríamos ao que era antes.
– Eu entendo minha filha, e respeito sua opinião
também, enfim. Só seja legal com ele.
– Eu serei.
Depois disso eu me acomodei na poltrona para assistir
a tevê. Os olhos dela foram cedendo ao sono gradativamente até adormecer.
Infelizmente com aquele barulhinho da máquina o sono demoraria a chegar para
mim.
Ahhhhhhh caraca muleque que dia que isso mentira UDNODSAINDUSANOI eu demorei pra comentar, eu sei, mas eu estava escrevendo a minha, e quando não tava escrevendo, eu não estava no pc, enfim, whatever. Tô rolando na bosta com esse capítulo, Bruno ta se entregando pra ela, eu acho. E quanto a mãe dela MELHOR MÃE DO MUNDO, but, não quero que ela morra, e se tu fizer isso vai ser muita maldade, tenha amor nesse coraçãozinho, Flaaaa.Amei <3 e não demora (nem sei porque eu digo isso porque tu sempre demora) DIOSANDOSAIN beijos <3
ResponderExcluir